A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

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“Tudo vai ficar bem”

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De Babi Arruda & Cláudio Marques

E no meio daquele dia cinza estava ele ali parado com seu sorriso fitando minha alma, despindo meus desejos. Não me importava mais o que acontecia a minha volta. Aquele instante era meu. Aquela vontade era nossa. Delicadamente coloria cada pedaço de meu corpo. Tocando-me sem as mãos, falando comigo em silêncio, despindo-me com olhos, devorando-me em pensamento. E eu, entregue. Distante. Mas com uma certeza: era dele.

Aquele homem me cativava, me trazia a tona toda vez que meus dilemas existenciais me colocavam em baixa. Era ele. E o melhor: ele não sabia disso.

Ele acordava comigo, passava o dia a trabalhar, jantávamos e a noite, numa sincronia perfeita, escrevíamos poesia, textos. Cartas. Líamos o mesmo livro, comentávamos sobre os personagens principais, sobre os coadjuvantes. Inseríamos nossas vidas naquelas páginas. Era fantasioso e ao mesmo tempo excitante. Deitávamos e meticulosamente nosso corpo se encaixava. Mas ele não sabia disso.

Eu existia para ele e não precisava dos meus post its para lembrá-lo. Era torturante saber que eu estava tão presente nele. Nunca fora assim. Eu sempre me deixava perdida, esquecida num canto qualquer devorando as sobras do relacionamento. Mas com ele era diferente. Era inédito, numa versão meio retrô.

Fitava seu rosto tentando decifrar o que não tinha resposta. Tentava colocar em palavras o que estava perfeito nas entrelinhas. E assim me acostumei com sua presença apenas a distância de uma respiração. Só sabia respirar o mesmo ar de um espaço encaixado entre delírios e devaneios.

Era doce dormir nos seus braços e saber que estava me acorrentando a perspectivas. Pensei muitas vezes em fugir, mas quando olhava suas covinhas, que teimosamente surgiam depois de um sorriso, desistia de qualquer plano de dominação mundial. Entregava o meu mundo sem alardes, sem diplomacia ou ordem de despejo. Simplesmente desistia de desistir.

Mesmo percebendo todo o meu embaraço desastrado de tentativas frustradas, ele fingia não entender e me dizia ao pé de ouvido: “tudo vai ficar bem”.

E no instante entre o som e o silêncio residem os sonhos e uma infinidade de palpitações. Reside eu, ele e suas covinhas.

Ah, aquelas covinhas. Tão minhas, mas apenas dele. Eu as contemplava constantemente, mesmo ele nunca as dividindo comigo. Eu acompanhava seu riso e imaginava que ria para mim.

Meu mundo que por diversas noites, dias, madrugadas fez-se tão dele continua sem rumo próprio, seguindo a esmo, procurando cruzar com aquele mundo cheio de covinhas, sorriso e doces noites acompanhada. Pode ser um sonho, mas desse sonho acordo toda manhã. A cada nova manhã, novos dias uma certeza não muda. Ele (ainda) não esta por aqui. Ainda…

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Written by Babi Arruda

13/10/2011 at 09:53

Publicado em Contos

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Terra do Nunca

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É muito difícil saber crescer! Amadurecimento é um processo doloroso no qual todos passam e quando chega o momento, temos que deixar de sermos crianças indefesas para se tornar adultos conscientes dos próprios passos.

A vontade é de estar sempre embaixo da saia da mãe, agarrados a essa pessoa que com um simples sorriso nos acolhe e nos dá aquela sensação interminável de segurança. Ou então alguns mais radicais gostariam de voltar para dentro do útero, porque ali estamos protegidos de todos os males do mundo.

Seria muito bom se isso fosse possível, mas infelizmente não é! Temos que largar da barra da saia e inevitavelmente sair para o mundo. Não tem jeito. Não temos escolha!

Durante esta caminhada de aprendizagem e crescimento podemos contar com o auxílio, o conselho, a intervenção de muitas pessoas boas dispostas a nos ajudar, mas quem vai realmente definir sua evolução é você mesmo. Por isso, o medo tem que ser colocado de lado e o olhar deve estar voltado para o horizonte, sempre além dos limites.

Existem também outros sentimentos que precisam ser eliminados como, por exemplo, o egoísmo, a arrogância, a soberba e o orgulho. Eles com certeza não ajudam no processo de amadurecimento. Eles fazem com que sejamos eternas crianças mimadas e mal criadas perante as situações da vida, nos deixando inseguros.

Porém, tem aqueles que fazem questão em não querer crescer. Preferem ter uma imagem idealizada de si mesmos, vivendo na Terra do Nunca. Peter Pan’s modernos doutrinados com discursos rebuscados de valorização massificada do individualismo nocivo.

Vamos exercitar a capacidade de entender que tropeçar faz parte do pacote e que isso é necessário para fortalecer a musculatura do coração. Evoluir é preciso para se construir uma sociedade mais consciente e justa. E acima de tudo, construir seres humanos melhores, adultos e não seres infantilóides, fracos e frágeis com medo de enfrentar as adversidades da vida.

Sim, claro que devemos manter uma porção criança dentro nós, mas aquela saudável que nos traz alegria e um sentimento doce de inocência. A Terra do Nunca pode habitar nossos sonhos, mas nunca ser trazida para a realidade.

Portanto, coragem e confiança. A jornada para a maturidade é complexa e muitas vezes nos magoa, mas lembre-se que através das lágrimas nossa alma é limpa de toda sujeira que contamina nossa percepção.

Written by Babi Arruda

01/06/2011 at 11:48

Entrega com veracidade

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Fracassos e lágrimas marcavam-lhe o rosto. Mesmo assim continuava sua caminhada porque o importante era sentir, era ter aquele sentimento latejando, pulsando. Emoções a flor da pele, toques que estremecem, respiração ofegante. Isso a fazia sentir. Isso a fazia sonhar.

Não era boa com realidades profundas, apenas com sonhos indiscutivelmente supérfluos: um sorriso, uma valsa, aqueles versos recitados que enchiam seu olhar de admiração. Inocente criança num corpo de mulher. Assim era seu mundo colorido pela prosa e poesia, na inocência de amores urgentes.

E se entregava com tenacidade. E se entregou com veracidade. Acreditou que aqueles dois corpos eram sólidos nas suas vontades de desejo, de libido. Mas aquilo não era um romance. Não era um enredo. Era apenas sexo e Chico Buarque. Poesia e prosa em seus encontros poéticos.

E por muitas vezes ficou travada na garganta a palavra saudade. Orgulho? Medo? Uma interrogação sem resposta. Talvez um escudo, um caminhar, um seguir adiante sem lamentações. Boas lembranças se guardam na memória e não no coração para ele pesar de saudade. Saudade entristece. Saudade dá saudade.

Saudade da pele, do cheiro, do gosto, do peso contrário no corpo. Fatos além da química, física e até mesmo da língua portuguesa. Era multidisciplinar aquele tesão, aquele encontro de olhares, gestos, bocas que murmuravam. Espaços que se encaixavam com naturalidade. Vontade. Sede. Fome.

Uma entrega com fervor, uma entrega com veracidade. Em verdade às vezes com um pouco de desespero, alucinante, delirante. Em outros com alento, lento, malicioso, vagarosamente delicioso. Sincronia de movimentos e mais nada ali prendia a nada nem soltava em exaustão. Desconcertantes cenas de alucinação.

Coisas assim são absolutas e inexplicáveis. Acontecem naquele momento sem aviso prévio, sem planejamento. Sabe-se somente quando está acontecendo e ali seguem os devaneios tortos de complementos, enlouquecidos de predicados ofegantes. Suspiros. Gritos. Sons de corpos.

E nesta ciranda poética de lembranças e esquecimentos só resta dizer: Viver. Pulsar. Alucinar. Corar. Delirar. Gozar. Gritar. Desconcertar. Amar. Murmurar. Chorar. Apaixonar. Realizar. Tremer. Ofegar. Sonhar.Tocar. Latejar. Suspirar. Sublimar. Entregar! Verbos que dariam uma boa prosa.

Written by Babi Arruda

23/03/2011 at 14:00

O excesso do desejo

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Às vezes desejamos tanto uma coisa, focamos tanto em um único objetivo que simplesmente esquecemos de viver a vida. Ficamos tão obcecados com que determinada coisa aconteça que deixamos de lado nós mesmos, vivendo somente em função daquilo que achamos que gostaríamos de ter.

Determinação é essencial para que consigamos atingir nossos objetivos, porém o exagero pode trazer sofrimento, gerando frustrações e desilusões. Muitas vezes o melhor é procurar relaxar, deixar a vida acontecer e procurar sempre olhar o lado positivo dos acontecimentos.

Não adianta se desesperar e utilizar dos meios possíveis e impossíveis para alcançar determinado fim. O desespero e a ansiedade podem atrapalhar e muito, fazendo com que não enxerguemos aquilo que precisamos ver.

Quando não mantemos a calma e o discernimento para tomar algumas decisões importantes para o fluxo de nossa vida, nos deparamos com certos obstáculos que a priori, parecem intransponíveis. E na verdade o que precisamos é só respirar fundo.

O excesso do desejo existe na maior parte dos seres humanos e isso é algo natural no comportamento. Sempre queremos mais, desejamos mais, sonhamos mais sem colocar na balança os limites da nossa jornada e nem os limites das nossas características pessoais que são inalienáveis.

E a conseqüência disso são lamentações, atropelos, cobranças com os outros e para consigo mesmo. Atitudes completamente desnecessárias e infrutíferas, não consolidando o progresso e nem aprimoramento emocional.

Sonhos são bons, mas eles devem ser sonhados com uma consciência plena e com um coração desprendido de um retorno. Como vivemos em sociedade, e não isolados em uma caverna, as coisas não dependem somente de nossas ações, de nossos conceitos. As pessoas que estão em volta influenciam também, seja positivamente ou negativamente.

Uma amiga uma vez me disse que a vida dos outros não é melhor ou pior que a nossa, é simplesmente diferente. O que muitas vezes idealizamos é que a grama do vizinho é mais verde, mas isso é uma pura ilusão de nossa vaidade ferida.

Se os acontecimentos são bons ou ruins, só a ação do tempo irá julgar seus resultados. A nós cabe apenas viver com alegria e descontração, sem julgamentos e precipitações, para evitar conclusões equivocadas. Tenha certeza que na hora que você relaxar tudo aquilo que você deseja chegará nas suas mãos de uma forma muito gratificante.

Written by Babi Arruda

23/09/2010 at 14:33

Dream a little dream of me and you

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Vivo de ilusões naufragadas e de palavras silenciosas. Um espectro disforme daquilo que eu poderia ser e não fui por pura falta de coragem.

Agora sente-se aqui ao meu lado. Olhe para o sol. Sonhos são construídos como castelos de areia. Por mãos inocentes e frágeis. Uma visão idealista admito, mas se não for assim, como seria a vida vazia de sonhos e esperanças?

Não..não quero esperar nada além de você, nada a mais ou vislumbrar qualquer resquício de afetividade.

Estou aqui sentada na pedra olhando para o horizonte e sonhando em segurar sua mão. Mas fique aí, pois me sinto mais confortável quando estou no meu canto e você no seu.

Suspiro. Sorriso. Lembranças. Sonhos. Palpitações.

Me abrace e faça com que todos meus medos desapareçam com o seu corpo amarrado no meu. Só por aquele momento apenas, não importa!  Quero você aqui e ver seus olhos brilharem como na primeira vez que você olhou para mim: dream a little dream of me and you.

E nesse breve instante não seremos mais eu e você. Seremos personagens dos nossos sonhos e seguiremos o roteiro das graphic novels. Gosto mais de meninos rebeldes e malcriados!

Written by Babi Arruda

27/04/2010 at 14:46

Palavras e nada mais

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Eu vivo de palavras e nada mais. As imagens criadas são apenas ilusões da minha memória angustiada e desejosa de purificação.

Sonhos são palavras silenciosas que estão na fila de espera para serem escritos, concretizados no mais alto teor literário. E apesar disso ou daquilo são apenas sonhos, sonhos e sonhos…

Um suspiro na espera de que minha respiração se estabilize e volte ao mundo real, universo no qual não quero estar porque falta alguma coisa, uma presença, uma imagem e também uma palavra apenas.

Written by Babi Arruda

15/03/2010 at 13:15

Publicado em Prosas

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