A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

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Os anos que a gente leva…

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Eu levei anos para curar um amor mal resolvido. Eu levei anos para entender que não se podia chorar por algo que nunca havia sido meu. Meu, assim, aquele meu de pertencer os sentidos, preencher os olhos e as falas, toda aquela conjunção cósmica de pele, sabores e amores sacrificantes. Tudo foi uma questão de perda sem ter havido soma.

Eu levei anos para entender que isso não era amor, era uma obsessão escandalosa e meretriz, que se vendia barato por qualquer afeto simples e corriqueiro. E que sem pudor se arrastava pelos cantos com olhos observantes e paranoicos evidenciando toda a tristeza do descaso para o próprio self.

Eu levei anos para acreditar que ele não me servia porque apesar de tudo eu achava que ele era perfeito e toda vez que eu olhava seus olhos queria acreditar que deveria ter para sempre aquelas promessas fúteis, aqueles apelos piegas, aquelas declarações tão insensatas na disparidade do tempo remoto.

Eu levei anos para superar a dor, a amargura, o rancor e a frieza de ter sido trocada por outra. Mais uma vez. Mais de uma vez. E mesmo com isso explícito, inexplicavelmente eu acumulava feridas a cada perdão mal perdoado, disfarçado, uma sacanagem metafórica com meu emocional.

Eu levei anos para esquecer o tanto que perdi e me recolhi pelas calçadas da vida na tentativa de entender porque me deixei ser enganada, insegura e insensata. Abusei de mim mesma com uma arrogância ingênua e burra.

Os anos que a gente leva para se olhar com olhos isentos e imparciais são cobrados em cicatrizes, lágrimas e memórias em branco e preto. Porque às vezes nos deixamos ficar mais distante que o necessário e quando voltamos não passamos de farrapos desumanos.

Mas eu curei, entendi, acreditei, superei e esqueci. Hoje são apenas fragmentos na memória de alguns anos que levei para estar aqui com minha consciência plena e feliz!

Written by Babi Arruda

21/03/2012 at 10:08

Entrelinhas do ego

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Enfadonhas. As pessoas estão enfadonhas. Esse negócio de comunicação imediata está deixando as pessoas enfadonhas. Tudo é uma questão de parecer ter e não de ser verdadeiramente. Não importa que não seja a sua realidade, o importante é que todo mundo “curte” e assim está bom.

Mau humor de boa vontade, mas prefiro classificar como um cansaço antropológico da sociedade moderna.  Uma mesmice arrogante e burra. Burra com toda aquela conotação pejorativa que invoca a palavra. Agora eu estou sendo arrogante. Tudo bem, tenho direito a sê-lo. Todo mundo por essas bandas da internet o é, por que eu não poderia? Quero estar na moda, in vogue.

No cotidiano as pessoas estão agindo como gados, manipuladas por intelectulóides habilitados para julgar, condenar e apontar o dedo na cara das pessoas com uma prepotência mascarada de valores. Salvadores da boa conduta virtual. Entrelinhas do ego: paradigma contemporâneo.

Não há mais espontaneidade. As pessoas vomitam verdades como se o absolutismo existisse nas palavras. Elas vomitam vaidades absolutas porque não conseguem conter dentro de si tanto estrume. Não serve nem para adubar pensamentos.

E eu falando em pensamentos numa época onde as pessoas estão (ou são?) carentes de opiniões. Elas só sabem “curtir”, “compartilhar” ou “retuitar” e muitas vezes sem crédito. Criar, inovar, pensar é algo muito complexo e requer muito esforço por parte do ser humano, por isso se tornam inviáveis ao comodismo intelectual. Intelectual? (sic). É, hoje não estou romântica.

E o poeta estava certo quando concluiu “mas que maçada quererem que eu seja da companhia”. Que maçada a companhia e suas superficialidades. É muito macaco adestrado aplaudindo no mesmo circo.

Escrevo nas entrelinhas para não mexer com egos sensíveis. Desprezo os egos para que não hajam entrelinhas.

Written by Babi Arruda

14/03/2012 at 10:56

“Tudo vai ficar bem”

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De Babi Arruda & Cláudio Marques

E no meio daquele dia cinza estava ele ali parado com seu sorriso fitando minha alma, despindo meus desejos. Não me importava mais o que acontecia a minha volta. Aquele instante era meu. Aquela vontade era nossa. Delicadamente coloria cada pedaço de meu corpo. Tocando-me sem as mãos, falando comigo em silêncio, despindo-me com olhos, devorando-me em pensamento. E eu, entregue. Distante. Mas com uma certeza: era dele.

Aquele homem me cativava, me trazia a tona toda vez que meus dilemas existenciais me colocavam em baixa. Era ele. E o melhor: ele não sabia disso.

Ele acordava comigo, passava o dia a trabalhar, jantávamos e a noite, numa sincronia perfeita, escrevíamos poesia, textos. Cartas. Líamos o mesmo livro, comentávamos sobre os personagens principais, sobre os coadjuvantes. Inseríamos nossas vidas naquelas páginas. Era fantasioso e ao mesmo tempo excitante. Deitávamos e meticulosamente nosso corpo se encaixava. Mas ele não sabia disso.

Eu existia para ele e não precisava dos meus post its para lembrá-lo. Era torturante saber que eu estava tão presente nele. Nunca fora assim. Eu sempre me deixava perdida, esquecida num canto qualquer devorando as sobras do relacionamento. Mas com ele era diferente. Era inédito, numa versão meio retrô.

Fitava seu rosto tentando decifrar o que não tinha resposta. Tentava colocar em palavras o que estava perfeito nas entrelinhas. E assim me acostumei com sua presença apenas a distância de uma respiração. Só sabia respirar o mesmo ar de um espaço encaixado entre delírios e devaneios.

Era doce dormir nos seus braços e saber que estava me acorrentando a perspectivas. Pensei muitas vezes em fugir, mas quando olhava suas covinhas, que teimosamente surgiam depois de um sorriso, desistia de qualquer plano de dominação mundial. Entregava o meu mundo sem alardes, sem diplomacia ou ordem de despejo. Simplesmente desistia de desistir.

Mesmo percebendo todo o meu embaraço desastrado de tentativas frustradas, ele fingia não entender e me dizia ao pé de ouvido: “tudo vai ficar bem”.

E no instante entre o som e o silêncio residem os sonhos e uma infinidade de palpitações. Reside eu, ele e suas covinhas.

Ah, aquelas covinhas. Tão minhas, mas apenas dele. Eu as contemplava constantemente, mesmo ele nunca as dividindo comigo. Eu acompanhava seu riso e imaginava que ria para mim.

Meu mundo que por diversas noites, dias, madrugadas fez-se tão dele continua sem rumo próprio, seguindo a esmo, procurando cruzar com aquele mundo cheio de covinhas, sorriso e doces noites acompanhada. Pode ser um sonho, mas desse sonho acordo toda manhã. A cada nova manhã, novos dias uma certeza não muda. Ele (ainda) não esta por aqui. Ainda…

Written by Babi Arruda

13/10/2011 at 09:53

Publicado em Contos

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Fiscais da felicidade alheia

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Tem algumas pessoas que simplesmente têm medo. Sim, medo de viver, de arriscar, de explorar suas vontades e correr atrás dos seus desejos. Ao invés disso, elas preferem monitorar a vida alheia, apostando todas suas fichas na maledicência, na discórdia, na intriga e no leva-e-traz.

Como não estão satisfeitas com que tem, inertes as ações que poderiam lhe beneficiar, preferem transformar a vida alheia numa novela interativa, dando pitacos e facilitando situações de desconfiança e constrangimentos. E lógico, adoram proliferar informações duvidosas.

Geralmente possuem o título de guardiãs da moral, dos bons costumes e das normas de conduta. Gosto de chamá-las de fiscais (recalcadas) da felicidade alheia ou fofoqueiras, pessoinhas frustradas e infelizes em relação as suas próprias realizações e por isso gostam de viver a vida dos outros. Vazias na essência, maledicentes por opção.

Elas usam isso como uma válvula de escape, uma fuga inconsciente das situações reais. Desiludidas com sua própria história e idealizações, elas projetam no vizinho o estereótipo de modelo ideal e passam a acompanhar o outro como um enredo de novela, só que de uma forma amarga por não conseguir se projetar naquilo.

É muito triste perceber que a cada dia mais pessoas se encontram dentro desse pensamento medíocre e limitado. Elas vivem no total desrespeito pela existência alheia se atendo ao passos do que acontece ao seu redor, mas nunca prestando atenção nas suas próprias atitudes.

Mesmo porque elas não conseguem enxergar suas ações por desprezá-las como um fato. Elas rejeitam o que são e transferem essa relação amargurada para a crítica a terceiros, ainda quando não chegam num estágio pior de criar atritos para que todos sejam infelizes como ela.

Pessoas assim são cânceres sociais porque não produzem nada de positivo. Prejudicam elas mesmas por atrair energias negativas, ficam estagnadas na ignorância e de quebra ainda atrapalham todo o resto com suas inversões de valores.

O que fazer com elas? O melhor conselho que posso dar é assim que você identificar alguém dentro desses padrões mantenha-na bem longe de sua vida e de seu convívio. Não há nada de errado em querer evitar stress desnecessário. Isso é uma escolha consciente e inteligente para te proporcionar qualidade de vida.

Written by Babi Arruda

14/09/2011 at 16:18

Problemas: excluvisidade de todos

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Problemas, problemas, problemas! Sim, todos nós temos e acredito que isso seja uma coisa comum a todos os seres humanos da face da terra. Não importa a fonte, a causa dos aborrecimentos. Seu desdobramento e conseqüências têm o mesmo efeito em nossa alma causando medos, tristezas e inseguranças.

Saber trabalhar de forma positiva os tropeços da vida não é uma coisa simples de fazer, mas que com um pouco de esforço, bom senso e acima de tudo, cabeça aberta para absorver os novos aprendizados sem se trancar numa redoma de rancores e mágoas, já é meio caminho andado para a solução de alguns pequenos entraves.

Chorar pitangas ou se lamuriar pela (má) sorte não adianta absolutamente nada! Isso só atrasa sua vida e enche o saco das pessoas que estão a sua volta. Errou? Tropeçou? Caiu? Enxugue as lágrimas, de uma batidinha na roupa para retirar a poeira, levante a cabeça e continue a caminhar. Ah, machucou?! Faça uma massagem e abra um sorriso.

Talvez isso não ajude a retirar a dor de uma vez só, mas com certeza vai liberar substâncias maravilhosas no seu organismo, fazendo com que você se sinta melhor, mais disposto a continuar a sorrir.

Nenhum ser vivo é tão privilegiado ao ponto de não ter problema algum na sua vida e ninguém é azarado o suficiente para ter somente problemas. Tudo sempre está na medida certa de acordo com a evolução de cada um.

Tenha em mente que situações complicadas de se resolver não são um bicho de sete cabeças, muito menos o fim do mundo. Não adianta se desesperar e querer a qualquer custo uma solução imediata. Muitas vezes o processo é lento e demanda mais dedicação na hora de colocar os pingos nos “is”.

Um dia de cada vez e uma passo atrás do outro. Paciência é uma virtude apesar de ainda ser pouco utilizada no dia-a-dia. Afinal para que ser paciente se o mundo pede agilidade?! Nesse caso, a pressa é inimiga da boa solução e da ótima compreensão dos fatos.

Tomar atitudes impensadas é uma das maiores causas dos problemas se agravarem. O que era um simples ponto passa a ser um borrão gigantesco e as amarguras envolvidas se multiplicam infinitamente.

Por isso, pare de reclamar e olhe para o lado. Você irá concluir que problemas é uma “exclusividade” de todos os seres que respiram e que muitos ainda são bem maiores, piores e mais dramáticos que os seus. Não lamente sua falta de sorte, mas enalteça sua bem aventurança.

Sempre é um milhão de vezes mais fácil encontrar uma agulha no palheiro do que achar alguém desprovido de problemas. Aliás, se isso um dia acontecer, com certeza não será um ser humano, mas sim um extraterrestre ou no mínimo, um acontecimento fantástico, digno de manchete na primeira página!

Written by Babi Arruda

31/08/2011 at 11:39

Eu sou mais eu. E você? É mais você?

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Amores e paixões. Sentimentos intensos que desenvolvemos ao longo da vida e que fazem parte de nossa natureza, no qual sem eles seríamos vazios e sem significados. Emoções que sustentam nossa existência como seres humanos que têm como necessidade primordial: amar e ser amado.

Porém, ao pensar nesse desejo constante de amor, sempre imaginamos que esses sentimentos venham de uma terceira pessoa, mas nunca de nós mesmos para nós mesmos! E aí que está a falha para nossas carências: a falta de valorização do eu!

Quando nos amamos por completo, conhecendo nossas qualidades e acima de tudo, admitindo nossas limitações, somos capazes de amar o próximo compreendendo seus defeitos e não querendo moldá-los as nossas vontades. E a via inversa disso também é verdadeira.

O outro só pode nos dar valor a partir do momento que valorizamos a nos próprios. Não tem como exigir respeito e admiração se ao olhar no espelho não temos essa consciência lúcida de entrega. Não dá para cobrar do parceiro dedicação se não dedicamos amor ao nosso interior.

É muita estupidez não enxergarmos o brilho que irradia de nossa alma porque ele é uma centelha da luz divina e desprezando-a, estamos rejeitando o que de mais sublime existe em nós: o magnetismo pessoal, inerente a qualquer indivíduo.

Esta é uma força que faz cada pessoa ser única e diferenciada e, por conta disso, totalmente capaz de ser um agente transformador, renovador e iluminador, influenciando de forma positiva as relações interpessoais.

Porém, existe uma linha tênue entre auto-estima elevada e ego inflado. Uma coisa é reconhecer suas qualidades, amar a si próprio, se respeitar e tolerar seus defeitos. Outra é supervalorizar características, menosprezando a todos e ter a prepotência indiscutível de se achar superior.

No entanto, felizmente, pessoas que parecem um bolãozinho inflável são poucas nos dias de hoje, pois logo são obrigadas a enfrentar a realidade e migram sua forma de pensamento para uma conduta mais humilde. Sim, mantenho esta convicção de que são poucas porque muitos soberbos não passam de engodos tentando disfarçar a própria carência.

Mas infelizmente a grande maioria está sofrendo um problema crônico de baixa auto-estima, não sabendo lidar com as questões de valorização de si mesmo, extremamente essencial para a saúde emocional. Somos aquilo que pensamos e este pensamento tem que estar sintonizado com as boas energias.

A dignidade pessoal deve vir em primeiro lugar não importando o quanto desejamos ou queremos algo ou alguém. Não podemos passar por cima de valores essenciais para agradar a terceiros.

Não vale a pena se sujeitar a situações degradantes para o seu amor-próprio, que deve ser incondicional. Sua força de vontade tem que ser proporcional a sua auto-estima e ela tem que ser a mais positiva e elevada possível.

Eu sou mais eu. E você? É mais você?

Written by Babi Arruda

17/08/2011 at 11:39

Publicado em Artigos

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Sociedade da invisibilidade

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Temos vozes para gritar e mãos para gesticular, porém muitas vezes não somos ouvidos nem mesmo percebidos por aqueles que estão a nossa volta. Como se fôssemos seres invisíveis, transparentes nessa imensa aldeia global. Somos palpáveis, tangíveis, sólidos, no entanto, a cada dia que passa as pessoas não conseguem nos tocar, ou pior, preferem não tocar.

Viramos robôs sem percepções, angústias e amor. Tudo programado, arquivado e distribuído em série. As relações se tornaram frias e distantes, ao ponto de pessoas que vivem na mesma casa não se reconhecerem mais. Não trocam um simples bom dia.

Os sentimentos tornaram-se fúteis, piegas, coisa de gente brega que não tem o que fazer. Talvez por isso o número de jovens com depressão tem aumentado cada vez mais. Quem os escuta? Quem os acaricia?

Vamos, voltemos a programação de emoções politicamente corretas. Não há espaço para a solidariedade. Por que eu deveria me importar com o próximo? Ele que cuide dele, pois afinal, tenho meus próprios problemas para resolver. Temos que ser perfeitos, completos e desumanos. Esta é a lógica da sociedade da invisibilidade.

Se eu não olho para um ser humano pedindo esmola no meio da rua está tudo bem. Não estou vendo mesmo. Ela não está ali e por isso, não tenho nenhuma responsabilidade. Também, ele não é nenhum parente meu. O problema é do governo. Votei para isso. Cada macaco no seu galho e cada político com sua inércia social.

Não existe mais o calor humano, o afago sincero e as conversas nas mesas de bares. Todo amigo devia ser um psicólogo informal, aquele que escuta suas lamúrias e te dá uma bronca por estar cometendo o mesmo erro pela vigésima vez. Os amigos estão ficando transparentes.

A questão é que ninguém se importa com nada ou alguém que esteja fora do raio de seu umbigo. Um desprezo calculado de tudo que pode nos tornar gentil. Afinal, a gentileza só deve ser utilizada quando existe um interesse por trás, não é? Feliz é aquele que é mais malandro que a malandragem e dá nó em pingo d’água.

Estamos ficando com o coração translúcido. Ele não bate mais com tanta força. Para onde foi o cuidado com os sentimentos alheios? Onde nós colocamos a caridade? As ações estão se tornando invisíveis e a sociedade cada vez mais transparente, carente de humanidade. A sociedade de corações intangíveis.

Written by Babi Arruda

10/08/2011 at 11:01

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