A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

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Imparcialidade: realidade ou utopia?

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Ao se deparar com uma situação complicada onde temos que avaliar ou então julgar certos aspectos vem sempre a tona a famigerada imparcialidade, porque para sermos justos, temos que ser imparciais perante os fatos e as pessoas.

O discurso realmente é muito lindo, porém a prática está muito longe de ser um conto de fadas com final feliz. É muito fácil falar sobre imparcialidade, mas usá-la com eficácia é quase humanamente impossível.

Por quê? Porque somos humanos passíveis a erros e defeitos só para começar. Cada um de nós foi criado de uma forma diferente, com aspectos culturais diversos, com valores morais distintos e influenciados pelo ambiente que vivemos. Só por causa desses “pequenos” detalhes que a imparcialidade se torna algo mais próximo do utópico.

Os meios de comunicação bradam em alto e bom som que sua linha editorial é imparcial, que todas as notícias são apuradas e investigadas pelos diversos ângulos da questão, no entanto, o material humano que fabrica isso não é multifacetado.

E isso é absolutamente normal. Sim, não se choque com esta revelação, mesmo porque você também não é imparcial na sua totalidade. Esse negócio todo de isenção de sentimentos é pura balela, conversa para boi dormir. Não há nada pior que esse discurso besta de candidato a síndico de prédio.

Somos dotados de um aglomerado de sentimentos e sensações que nos diferencia um do outro, e é justamente essa diferença que nos torna especiais, únicos. É através da visão diferenciada de cada um que os acontecimentos ganham novos aspectos e esse pluralismo enriquece as relações interpessoais.

Por isso, eu não acredito que um ser humano é capaz de 100% de imparcialidade. A preocupação e a busca para o mais próximo disso é lógico que deve existir. O que não pode é se frustrar quando perceber que este objetivo não pode ser alcançado plenamente.

Outra coisa que não pode acontecer é achar que possui toda essa neutralidade perante os acontecimentos. Isso seria muita prepotência para não dizer ignorância, no sentido de ignorar a realidade e viver numa constante ilusão de perfeição moral.

Um primeiro passo para treinar a imparcialidade é usá-la com você mesmo. Analisar suas qualidades e defeitos com o máximo de isenção possível. Sem ser tendencioso, sem puxar a sardinha para suas vaidades, sem mimos e estrelismos do ego.

Faça isso e depois me conte o que você conseguiu. Se os 100% de imparcialidade pode ser considerado uma realidade ou uma utopia.

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Written by Babi Arruda

29/11/2011 at 14:01

Sociedade da invisibilidade

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Temos vozes para gritar e mãos para gesticular, porém muitas vezes não somos ouvidos nem mesmo percebidos por aqueles que estão a nossa volta. Como se fôssemos seres invisíveis, transparentes nessa imensa aldeia global. Somos palpáveis, tangíveis, sólidos, no entanto, a cada dia que passa as pessoas não conseguem nos tocar, ou pior, preferem não tocar.

Viramos robôs sem percepções, angústias e amor. Tudo programado, arquivado e distribuído em série. As relações se tornaram frias e distantes, ao ponto de pessoas que vivem na mesma casa não se reconhecerem mais. Não trocam um simples bom dia.

Os sentimentos tornaram-se fúteis, piegas, coisa de gente brega que não tem o que fazer. Talvez por isso o número de jovens com depressão tem aumentado cada vez mais. Quem os escuta? Quem os acaricia?

Vamos, voltemos a programação de emoções politicamente corretas. Não há espaço para a solidariedade. Por que eu deveria me importar com o próximo? Ele que cuide dele, pois afinal, tenho meus próprios problemas para resolver. Temos que ser perfeitos, completos e desumanos. Esta é a lógica da sociedade da invisibilidade.

Se eu não olho para um ser humano pedindo esmola no meio da rua está tudo bem. Não estou vendo mesmo. Ela não está ali e por isso, não tenho nenhuma responsabilidade. Também, ele não é nenhum parente meu. O problema é do governo. Votei para isso. Cada macaco no seu galho e cada político com sua inércia social.

Não existe mais o calor humano, o afago sincero e as conversas nas mesas de bares. Todo amigo devia ser um psicólogo informal, aquele que escuta suas lamúrias e te dá uma bronca por estar cometendo o mesmo erro pela vigésima vez. Os amigos estão ficando transparentes.

A questão é que ninguém se importa com nada ou alguém que esteja fora do raio de seu umbigo. Um desprezo calculado de tudo que pode nos tornar gentil. Afinal, a gentileza só deve ser utilizada quando existe um interesse por trás, não é? Feliz é aquele que é mais malandro que a malandragem e dá nó em pingo d’água.

Estamos ficando com o coração translúcido. Ele não bate mais com tanta força. Para onde foi o cuidado com os sentimentos alheios? Onde nós colocamos a caridade? As ações estão se tornando invisíveis e a sociedade cada vez mais transparente, carente de humanidade. A sociedade de corações intangíveis.

Written by Babi Arruda

10/08/2011 at 11:01

Terra do Nunca

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É muito difícil saber crescer! Amadurecimento é um processo doloroso no qual todos passam e quando chega o momento, temos que deixar de sermos crianças indefesas para se tornar adultos conscientes dos próprios passos.

A vontade é de estar sempre embaixo da saia da mãe, agarrados a essa pessoa que com um simples sorriso nos acolhe e nos dá aquela sensação interminável de segurança. Ou então alguns mais radicais gostariam de voltar para dentro do útero, porque ali estamos protegidos de todos os males do mundo.

Seria muito bom se isso fosse possível, mas infelizmente não é! Temos que largar da barra da saia e inevitavelmente sair para o mundo. Não tem jeito. Não temos escolha!

Durante esta caminhada de aprendizagem e crescimento podemos contar com o auxílio, o conselho, a intervenção de muitas pessoas boas dispostas a nos ajudar, mas quem vai realmente definir sua evolução é você mesmo. Por isso, o medo tem que ser colocado de lado e o olhar deve estar voltado para o horizonte, sempre além dos limites.

Existem também outros sentimentos que precisam ser eliminados como, por exemplo, o egoísmo, a arrogância, a soberba e o orgulho. Eles com certeza não ajudam no processo de amadurecimento. Eles fazem com que sejamos eternas crianças mimadas e mal criadas perante as situações da vida, nos deixando inseguros.

Porém, tem aqueles que fazem questão em não querer crescer. Preferem ter uma imagem idealizada de si mesmos, vivendo na Terra do Nunca. Peter Pan’s modernos doutrinados com discursos rebuscados de valorização massificada do individualismo nocivo.

Vamos exercitar a capacidade de entender que tropeçar faz parte do pacote e que isso é necessário para fortalecer a musculatura do coração. Evoluir é preciso para se construir uma sociedade mais consciente e justa. E acima de tudo, construir seres humanos melhores, adultos e não seres infantilóides, fracos e frágeis com medo de enfrentar as adversidades da vida.

Sim, claro que devemos manter uma porção criança dentro nós, mas aquela saudável que nos traz alegria e um sentimento doce de inocência. A Terra do Nunca pode habitar nossos sonhos, mas nunca ser trazida para a realidade.

Portanto, coragem e confiança. A jornada para a maturidade é complexa e muitas vezes nos magoa, mas lembre-se que através das lágrimas nossa alma é limpa de toda sujeira que contamina nossa percepção.

Written by Babi Arruda

01/06/2011 at 11:48

Sociedade do ter: inversão de valores

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Não dá mais para segurar. Pensei em ficar calada, em mudar de assunto e até mesmo pegar mais leve no discurso para não chocar os mais desavisados. Mas não agüentei. Hoje eu simplesmente acordei revoltada com a eterna mania das pessoas em se utilizar do “jeitinho” para arrumar as situações difíceis.

Podem me chamar de subversiva, louca e até mesmo rebelde, porém eu acho que estou em busca de uma causa muito nobre. Fico indignada ao perceber a tamanha inversão de valores que a nossa sociedade prega nos dias de hoje.

Não existem leis, regras, condutas morais éticas. Tudo é na base da “Lei de Gerson” para driblar fiscalizações, acordos, punições. As pessoas confundem aproveitar oportunidades com tirar vantagem das situações e das pessoas. O verbo é auto-explicativo: tirar, retirar, tomar algo. Nesse sentido o verbo tirar soa muito mal.

É uma vergonha ver pais que não tem a mínima condição de educar seus filhos porque possuem uma mente frágil, mimada e uma imagem totalmente equivocada do real. Acham que seus filhos são seres supremos e que não merecem castigo por atos de vandalismo.

Isso me incomoda, esta falta de noção, esta distorção da realidade lógica. Que seres humanos estão sendo criados? Que futuro teremos com jovens incapazes de distinguir o certo do errado? Onde está a justiça de valorização da palavra empenhada e das atitudes coerentes com o respeito ao próximo?

Os poucos que mantém uma consciência plena, de retidão de princípios com a verdade são considerados bobos, idiotas, inocentes. Enoja-me só de pensar nesta ligeira inversão de papéis. Os corretos passam por negligentes e os de conduta duvidosa passam por espertos.

Fico pensando que ensinamentos e exemplos deixaremos para as próximas gerações e até quando permitiremos que atitudes como estas sejam reproduzidas e repassadas dia a pós dia sem a mínima interferência.

A omissão também é culposa. Não importa se você for o único a gritar e agir sozinho para que as coisas sejam feitas de forma correta. O importante é que você gritou, esperneou, revolucionou fazendo algum movimento contrário a esta calamidade social.

É uma barbaridade esta falta de ética, esse cinismo amoral das relações humanas. Não quero fazer parte disso e não irei. Farei minha parte, mesmo que solitária e subversiva. Tenho minha consciência clara, minhas mãos limpas e a convicção que a verdade é essencial. Nenhuma inversão vai invadir meu senso crítico ou corromper minha alma.

Written by Babi Arruda

25/05/2011 at 12:20

Disfarces da psique

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As pessoas são prisioneiras. Vivem dentro de uma série de conceitos e filosofias que enclausuram a mente, os sentimentos, as sensações e as emoções. Mesmo com a lógica comandando a razão, os disfarces da psique se tornam muito evidentes no cotidiano burocrático e sistemático.

 

Um afeto mal resolvido, uma briga não muito bem brigada, um linguajar cometido e um pensamento conversador de etiquetas sociais. Tudo isso leva o ser humano a um estado irreal de sua condição perante a existência.

 

Como se não bastassem as ilusões, projeções e fantasias existe um adjetivo que cada vez mais se destaca no dicionário: a alienação. Considere isso um estado aquém do imaginário poético e sonhador porque ele trabalha com informações deturpadas pelo que consideramos real.

 

Seria um apanhado de ideias, fatos (torcidos e/ou retorcidos), sentimentos projetados em falsas premissas e visão egocêntrica, charlatanismo barato de propagandas e marketeiros sociopatas e sim, uma pitada sórdida de analfabetismo.

 

E voualá: estamos colocando nos alicerces da sociedade mentes jovens e vazias, improdutivas na sua origem e concepção, sem senso crítico ou qualquer tipo de senso enfim. Pessoas incapazes de ter uma opinião, uma posição, alguma coisa que justifique o título que o homem é ser pensante.

 

Seres robotizados e alienados, desinteressados, desestimulados. A culpa seria de quem? Da mídia, dos pais, das instituições educacionais? Um “mea culpa” para todos e principalmente para o ser alienado em questão que sofre de dispersão crônica da realidade, um disfarce muito mal arranjado e medíocre para esconder seus medos.

 

Posso dizer que a decepção é causada por uma idealização, inspirações e desejos alimentados pela negação do real. Já a alienação é a pura rejeição consciente da realidade, o que qualifica uma covardia brutal da inteligência lúcida.

 

Fico paralisada com tamanha falta de percepção, de consciência dos fatos puros e simples. A relutância na aceitação e a fuga como uma medida desesperada chega a ser um disparate. Às vezes o sofrimento é necessário naquele momento. Não opte por criar camadas suavisadoras. A desilusão com certeza é uma armadilha muito pior.

 

Esse disfarce da psique é uma epidemia moderna corroborado pelo sistema corrupto e interessado numa população emburrecida e cheia de argumentações microscópicas sobre reality shows.

 

A alienação é mais que uma exclusão do ser como indivíduo. É um suicídio do intelecto!

Written by Babi Arruda

09/12/2010 at 10:48

A verdade sobre as mentiras

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Agora é um hábito. Tão comum que nem se percebe mais sua presença. Sim, cada vez mais ela faz parte do cotidiano e todo mundo acha normal. Uma inversão de estado de consciência que alienam as pessoas dentro do seu quadrado limitado. Hoje a verdade não é mais soberana e a mentira toma conta dessa lacuna deixada pelos ideais de transparência.

Parece que esse país se acostumou com ela. Na imprensa, na política, no dia-a-dia as coisas giram em torno de histórias mal contadas, revelações apocalípticas e uma falta de referência absurda do real. Sinceramente a mentira anda tão bem elaborada que se acredita que ela seja uma verdade essencial.

Não há mais padrões de sanidade para a realidade. Ela anda tão subjetiva que chega a ser duvidosa e essa inquietação prolifera, orquestrada por fábulas e gestos imaginários. Ninguém mais liga para a verdade, na verdade!

É mais cômodo e menos trabalhoso mentir. Não pense que elaborar histórias mirabolantes é o único jeito que existe para a mentira. Ela vai muito mais além. Ela toma conta de todo um processo evolutivo de imagem e percepção.

A mentira é uma desconstrução do real, uma deturpação de sentidos, de valores, um fingimento consciente daquilo que você não é. Praticamente olhar para a realidade e não aceitar suas sentenças, preferindo alternativas sutis. Ver a verdade nua e crua pode ser muito doloroso. Aceitá-la é praticamente uma ironia para a maioria.

Por isso é mais fácil abraçar a hipocrisia, ela não te confronta, não instiga seus medos nem faz você chorar diante do espelho. Com certeza ela alimenta suas ilusões e acrescenta enredos, tramas e contos nas suas fantasias.

A verdade sobre as mentiras é que é tudo meio clichê, blasé e simples demais. O difícil é encarar sua natureza e expô-la sem roupagem ou rotulagem. Uma entrega rara que poucos são capazes de fazer.

Mentir é uma arte muito bem executada por imbecis de si mesmos, que acreditam nas próprias mentiras como verdades universais. A mentira caminha de mãos dadas com a distorção, flerta sem pudores com a omissão da consciência e desperta uma libido insaciável naqueles que vivem em negação.

Infelizmente a verdade se tornou obsoleta e a mentira se tornou a verdade numa concepção simplista de enganos da persona e alienação do ego social.

Written by Babi Arruda

02/12/2010 at 13:06

Um passo de cada vez

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Certas são as pessoas que vivem um dia após o outro. Elas não se preocupam em demasia nem sofrem por antecedência. Simplesmente aceitam a realidade de que se não tem como consertar determinada coisa nesse instante, não há o porquê se descabelar, pois isso só irá prejudicar a eles mesmos com sentimentos de baixa vibração totalmente desnecessários.

O melhor é sempre viver de acordo com as nossas possibilidades, não atropelando os fatos e nem antecipando os acontecimentos. Tudo tem seu tempo exato para acontecer e isso independe de nossa vontade.

Obviamente devemos focar e ter determinação, indo atrás de nossos objetivos, mas sempre com um passo de cada vez, um atrás do outro como manda o figurino. Querer acelerar o processo só irá fazer com que você se desequilibre e tome um belo de um tombo.

O importante é estar bem consigo mesmo, ter a consciência da realidade e não se deixar levar por ilusões. Saber onde está pisando sem mascarar os fatos. Aceitando de forma tranqüila que nada acontece por acaso e todas as reações dependem de nossas ações. Entender que se jogarmos uma pedrinha no rio isso irá repercutir de uma forma diferente para cada peixinho.

Não espere que as outras pessoas tenham as mesmas atitudes que a sua. São seres completamente diferentes de você com valores e formas de encarar a vida distinta. O ritmo delas é diferente do seu e não cabe a você cobrar que ela ande de acordo com a cadência dos seus passos.

Relaxe e deixe a mente vagar, mas com a certeza de que as preocupações de nada valem para sua evolução. Elas só trazem aborrecimentos e estagnação energética. Portanto, livre-se dos arquétipos sociais e seja justo com você mesmo, buscando a felicidade nas coisas simples e entendendo que só é feliz quando espalhamos amor a todos em nossa volta.

É inevitável: vivemos no coletivo para o bem comum. Todos os egoísmos e egocentrismos devem ser deixados de lado para uma total entrega de nossa alma as verdades da vida. Essas máscaras só atrapalham nosso caminhar, como se fossem pequenos obstáculos.

Portanto, nossa jornada deve ser conduzida assim, com muita tranqüilidade, consciência de si mesmo, procurando a paz interior e aprender a conviver com as diversidades e adversidades. É esse apanhado de coisas que constrói nossa alma, fortalece nossa mente e purifica o corpo.

Aprenda com o passado. Muito do que aconteceu foi em virtude de passos mal dado. Sonhe com o futuro, pois nele reside passos de esperança e renovação, mas ande sempre no presente porque é o agora que irá transmutar toda a sua percepção e criar as condições necessárias para enfrentar a vida com resignação.

Como diz Antonio Machado: “caminhante não há caminho, se faz caminho ao nadar”. Não há frase melhor que essa para traduzir toda a harmonia da espera consciente e intransitória.

Written by Babi Arruda

22/07/2010 at 17:53

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