A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

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Mudar dói

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O amadurecimento requer um esforço contínuo e constante de sublimação do ego. Ter a consciência lúcida de que o micro nunca poderá se sobrepor ao macro na fatoração do universo é algo que impulsiona a evolução do ser sem grandes tormentos.

As perdas existem e elas são necessárias para se ter ganhos. Nada está pronto e perfeitamente fabricado. Deve existir uma lapidação das arestas, ajustes e pequenas reformas, muitas vezes simples, mas que teimamos em não fazer por uma pequenez soberba.

Dói muito mudar, porém dói muito mais permanecer do mesmo jeito.

É difícil olhar uma situação que parece agressiva para nós e não revidar na mesma brutalidade. É complicado ver a mesquinhez humana e se calar perante ao avaro. É estranho não sentir uma repulsa automática ao se ver usurpada de suas ideias e méritos.

Tudo às vezes parece tão injusto e sem propósito de ser, mas as verdades que permeiam cada fato são veladas aos olhos de um observador em evolução e acredito que todos se encontrem nessas condições. É preciso parar, respirar, ponderar e avaliar o que vale a pena. Coisas miúdas devem permanecer miúdas e não serem engrandecidas com nossa intemperança.

Consciência não significa sabedoria se não for usada nas atitudes. Um sábio não se torna sábio porque acumula inúmeros conhecimentos, mas sim porque aplica seu repertório vasto no seu cotidiano, contendo as vaidades e a pretensão.

E não tenha a falsa ilusão que isso é um processo simples. A dor é inevitável e o sofrimento está ali para lembrar que a perfeição não existe. Esqueçamos as verdades absolutistas e vamos ter um olhar flexível para o próximo e principalmente, para nós mesmos.

Às vezes o que mais precisamos é um afago e um sorriso compreensivo a frente do espelho, sendo compassivos com nossa essência. A rigidez não transforma a ignorância em lucidez e a crítica severa sem propósito não educa os sentimentos. A piedade é um ato de compaixão que devemos exercitar primeiramente em nós mesmos.

O conceito de que é preciso pensar no bem do próximo primeiro é hipócrita. Nós precisamos estar bem em primeiro lugar para emanar o bem na coletividade. Não existe benefício em anular a si mesmo. Tudo começa no eu interior para expandir ao eu superior.

Ter a consciência disso é uma mudança significativa. Mudar dói e dilacera a alma.

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Written by Babi Arruda

17/05/2012 at 15:00

Os anos que a gente leva…

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Eu levei anos para curar um amor mal resolvido. Eu levei anos para entender que não se podia chorar por algo que nunca havia sido meu. Meu, assim, aquele meu de pertencer os sentidos, preencher os olhos e as falas, toda aquela conjunção cósmica de pele, sabores e amores sacrificantes. Tudo foi uma questão de perda sem ter havido soma.

Eu levei anos para entender que isso não era amor, era uma obsessão escandalosa e meretriz, que se vendia barato por qualquer afeto simples e corriqueiro. E que sem pudor se arrastava pelos cantos com olhos observantes e paranoicos evidenciando toda a tristeza do descaso para o próprio self.

Eu levei anos para acreditar que ele não me servia porque apesar de tudo eu achava que ele era perfeito e toda vez que eu olhava seus olhos queria acreditar que deveria ter para sempre aquelas promessas fúteis, aqueles apelos piegas, aquelas declarações tão insensatas na disparidade do tempo remoto.

Eu levei anos para superar a dor, a amargura, o rancor e a frieza de ter sido trocada por outra. Mais uma vez. Mais de uma vez. E mesmo com isso explícito, inexplicavelmente eu acumulava feridas a cada perdão mal perdoado, disfarçado, uma sacanagem metafórica com meu emocional.

Eu levei anos para esquecer o tanto que perdi e me recolhi pelas calçadas da vida na tentativa de entender porque me deixei ser enganada, insegura e insensata. Abusei de mim mesma com uma arrogância ingênua e burra.

Os anos que a gente leva para se olhar com olhos isentos e imparciais são cobrados em cicatrizes, lágrimas e memórias em branco e preto. Porque às vezes nos deixamos ficar mais distante que o necessário e quando voltamos não passamos de farrapos desumanos.

Mas eu curei, entendi, acreditei, superei e esqueci. Hoje são apenas fragmentos na memória de alguns anos que levei para estar aqui com minha consciência plena e feliz!

Written by Babi Arruda

21/03/2012 at 10:08

Síndrome de Gabriela

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Há muito tempo abordo assuntos que falam sobre estagnação e transmutação. Realmente acredito que a inércia é o principal fator para que não haja a transformação dos pensamentos, das atitudes e dos conceitos morais. Triste, porém uma realidade que está no dia-a-dia: a falta de iniciativa para mudanças!

É fácil dizer que precisa alcançar determinados objetivos, o difícil é fazer as mudanças necessárias para que as coisas caminhem conforme o almejado. Essa visão limitada do ser humano parece ter tomado proporções mundiais como se fosse uma doença, uma epidemia.

Poderíamos então classificá-la como a Síndrome de Gabriela: eu nasci assim, eu cresci assim e vou ser sempre assim. Que coisa mais maçante, mais pedante e broxante. Uma atrofia cerebral declarada e festejada. Nada pior que o auto-conformismo.

Admitir que nada pode mudar é a mesma coisa que afirmar que não existe evolução. Não podemos ficar presos a velhos conceitos porque é mais cômodo permanecer na mesmice, porque dá preguiça pensar ou porque é inseguro demais para enfrentar as coisas por novas perspectivas e expectativas.

Enxergar outros ângulos, ver com outros olhos determinadas questões é extremamente saudável, essencial para nossa vida. Não estamos aqui neste mundo para permanecermos estagnados. Movimento constante é o sentindo de nossa existência, um caminho para o aperfeiçoamento, um desafio que transforma o comum em excepcional. O primor pela excelência!

Devemos sempre lembrar que a vida é feita de escolhas, por isso, temos que ser conscientes e agir com sabedoria e prudência. Certos passos não podem ser alterados depois de caminhados e as consequências de nossas decisões baterão a nossa porta inevitavelmente.

O livre arbítrio é o que faz do ser humano um ser altamente complexo, contraditório, mas ao mesmo tempo fascinante. Aceitar a inflexibilidade das ações não leva a lugar nenhum. É desculpa esfarrapada, uma muleta para nossa ignorância.

Muitas vezes reclamamos que certas coisas não seguem o curso que deveriam. Mas já pararam para pensar o por quê disso? Talvez a resposta esteja na falta de receptividade para novas ideias. Reciclar pensamentos também é preciso, afinal, se isso não fosse importante ainda estaríamos fabricando utensílios de pedra lascada.

Devemos nos curar dessa Síndrome de Gabriela e andar visando o desenvolvimento através da transmutação. Não podemos confundir visionarismo com ilusão ou com tolice. Os pés têm que estar fincados ao chão para projetar o eu consciente e promissor no futuro.

Se você nasceu assim, a culpa não é sua, afinal você nasceu assim. Quiçá a culpa seja do destino. Se você cresceu assim, talvez a culpa seja dos seus pais e educadores que não te deram subsídios suficientes para exercitar a mente e ampliar sua visão. Mas se você afirmar que vai ser sempre assim, a culpa é sua que prefere ser um retrocesso na evolução da espécie.

Written by Babi Arruda

19/04/2011 at 14:04

Incidentes e desculpas

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Nada é por acaso, por isso não culpe ou glorifique o destino por determinados acontecimentos. Aceite que simplesmente as coisas eram para acontecer desta maneira por um motivo que por muitas vezes desconhecemos. Porém, tenha a certeza que as mudanças de cenários decorrem de um conjunto de ações sejam elas intencionais ou não.

Lembre-se que o caminho para a paz e felicidade depende do quão equilibradas estão as suas verdades perante a vida, ao próximo e principalmente a você mesmo. Muitos incidentes acontecem justamente por falta de comprometimento com aquilo que é justo e correto. Não dá para construir nada em cima de falsas suposições ou falsos ideais.

A transparência das palavras é primordial para a sustentação do andar reto e tranqüilo. Várias dores de cabeça poderiam ser evitadas se o que se diz fosse coerente com o pensamento e coeso com as atitudes. Isso evitaria aborrecimentos, mágoas e pedidos de desculpas.

Além disso, não viva num mundo de Alice para disfarçar suas falhas. Errar é mais do que humano. Persistir no erro é permanecer na ignorância e tentar colocar a culpa em terceiros é arrumar desculpas para satisfazer suas próprias vaidades.

Não haja como uma criança nas questões da vida, com imaturidade e irresponsabilidade. Já é hora de crescer e aprender a evitar os tropeços. Apesar de alguns obstáculos serem inalienáveis a nossa vontade, a nossa vontade nunca é inalienável a nós. Somos aquilo que pensamos e o que fazemos por nós é a medida exata do nosso amor próprio.

Equívocos fazem parte da nova ordem mundial, parece que virou moda o verbo equivocar. São justamente eles que causam acidentes e reforçam os incidentes dentro das novas estatísticas internacionais. O mundo globalizado, sem fronteiras e sem valores. A vida equalizada por um pedido que desculpas que não veio ou então avaliada pelo perdão hipócrita.

Viver acreditando na sua verdade absoluta não é a solução para a sua consciência. Permita que os ventos tragam novos ares para seu mundinho particular e refresque suas perspectivas. Inovação é uma revolução armada na mente daqueles que não conseguem enxergar que o óbvio é apenas uma metáfora para obsoleto.

Written by Babi Arruda

24/02/2011 at 12:10

Oportunidade: corra atrás dela!

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Hei! Olha ela ali! Atrás dela! Corre mais um pouco, assim você consegue agarrá-la! Vamos, se esforce. Pega, pega! Xi, não deu. Dormi no ponto e ela escapou pelos meus dedos. Agora tenho que esperar e ver se ela passa aqui de novo, que mude de idéia e volte. Porém, ela é muito temperamental. Uma vez que deixamos escapá-la, dificilmente dá o ar de sua graça de novo.

Sim, a dona oportunidade é assim: única, sutil, misteriosa e efêmera. Temos que aproveitá-la no exato momento em que ela decide aparecer. Mas infelizmente boa parte das pessoas deixam as oportunidades passarem batido, como se nada tivesse acontecido.

Depois ficam reclamando que não tem sorte, que a vida não está sendo muito boa ou que o destino não conspira a favor. Não é por aí que a banda toca! O destino não tem nada a ver com as pisadas de bola que cometemos.

É muito cansativo aquelas pessoas que reclamam de tudo, vivem de baixo astral e ainda por cima fazem questão de passar toda aquela energia negativa. Não sabem priorizar metas e muito menos focar nas ações. Ao invés de aprimorar o olhar sobre uma determinada questão, não, preferem lamentar a situação como um mestre rabugento.

As chances de mudanças e transformações passam diante do nariz e elas ficam estagnadas nas suas próprias reclamações. Não são capazes de enxergarem a realidade sem as ilusões da sua própria baixo auto-estima.

Daí quando são confrontadas ou afrontadas com uma nova oportunidade, preferem fugir para o lado oposto, acreditando não merecer tal dádiva. Por favor, vamos deixar de lado pensamentos limitados! Ter pena de si mesmo não irá lhe impulsionar para frente, mas sim criar raízes de solidão e desilusão.

Temos que abrir os olhos para a verdade e ver o mundo colorido, aproveitar cada nova oportunidade que é colocada em nosso caminho. Tudo depende a nossa própria vontade de transformar, de gerar algo novo e sublime.

“Quem sabe faz a hora não espera acontecer”! Geraldo Vandré tinha toda razão quando compôs esta canção. Ficar parado esperando as coisas acontecerem não é um exemplo de evolução. Temos que correr atrás das oportunidades, pois através delas entraremos sempre num novo estágio de reciclagem de atitudes e emoções.

Se hoje isso não deu certo, não tem problema! Amanhã se tenta mais uma vez. Caiu de novo? Não faz mal! Passa uma pomadinha para tirar o roxo, levante a cabeça e se agarre na próxima chance. Só se mantenha atento para não deixar ela fugir de novo. Persista, uma hora vai. Não há mal que dure para sempre e nem excesso de estupidez que sobreviva alguns tombos homéricos.

Written by Babi Arruda

08/02/2011 at 14:52

Torre de Babel

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O mundo está mudando. As coisas já não são mais as mesmas, as pessoas já não se encaixam mais na ordem estabelecida. Uma confusão de ideias, de gerações e os caos estabelecidos por antigas convicções se chocam com as atitudes pós-modernas de proximidade do ser humano.

E por onde andam afinal palavras como solidariedade e compaixão? Onde elas se encontram dentro dos novos paradigmas sociais? O que vejo por aí são muitos discursos pomposos e cheios de adjetivos para apenas dizer que se faz isso ou aquilo. Ações concretas são poucas.

A moda está no politicamente correto, no pensamento sustentável e no engajamento de causas sociais. Mas será que estamos no caminho certo? Isso vem de dentro pra fora ou por que é mais bonito e polido corresponder aos anseios da norma culta da sociedade?

Vejo as relações humanas um pouco frias e mascaradas nos dias virtuais de hoje. Todo mundo pode ser o que quiser, principalmente um bom samaritano, no entanto, muitas vezes não vejo uma manifestação lúcida de afeto no real. A compaixão limita-se a alguns caracteres solidários ou uma comunidade de apoio virtual.

Tudo está acontecendo rápido demais e as pessoas não tem tido tempo de se adaptar as transformações dessa nova era. Acho que estão um pouco perdidas ao meio de tanta informação e ao mesmo tempo ao meio de tanta desinformação. Sim, todo mundo tem algo a falar sobre tudo. Generalistas na essência, mas sem soluções de imediato ou a longo prazo.

Praticamente uma nova Torre de Babel. Muitas línguas, muita diversidade, muitos achismos e pouco entendimento sobre o coletivo e a aplicação com retorno positivo. Um emaranhado de pessoas se comunicando e não expressando absolutamente nada.

Uma apologia desordenada sobre o que se tem que ser em uma cultura enraizada no egoísmo capitalista, no incentivo pela competição por status e no individualismo exarcebado organizacional.

O mundo está muito acelerado e o homem não está conseguindo acompanhar o ritmo e dançar conforme a música. Ele está se quebrando em pedaços, fragmentos largados no meio do caminho na esperança que o tempo seja solidário e junte os pedacinhos.

Deixemos a auto-piedade de lado e lembremos que a compaixão deve começar por nós mesmos. A história precisa ser refeita e a estagnação não pode ser um projeto de vida. Precisamos mudar o sistema e sair dessa inércia ignorante de aceitação passiva.

Precisamos ser, ser além do convencional burocrático. Precisamos ser excepcionais. Só assim a história poderá ser refeita para que não exista uma Torre de Babel.

Written by Babi Arruda

20/01/2011 at 14:17

O superficial é dispensável

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Somos colocados em contato com uma gama gigantesca de informações todos os dias. Vivemos num conglomerado de ideias, ações e reações tudo junto, misturado e ao mesmo tempo. Talvez por esse excesso de cenários e situações acabamos atribuindo importância para coisas que não merecem nossa atenção.

Basicamente não sabemos diferenciar o necessário daquilo que realmente não nos fará falta. Não temos a consciência de que o superficial é dispensável e por isso, acumulamos uma série de problemas e pessoas inúteis em nossa vida.

Nada pior que sofrer por algo ou alguém que não traz o mínimo resultado positivo, que simplesmente não agrega valor na equação dos acontecimentos de nossa felicidade. Tudo deveria ser medido desta forma porque se faz necessário ser feliz e muitas vezes bloqueamos este estado por achar que precisamos de fórmulas complicadas para viver.

É muito simples. Nós é que nos sabotamos com ideias imprecisas de nós mesmos, das pessoas e das coisas a nossa volta. Vivemos numa ilusão romanceada como numa comédia romântica inglesa. Isso para os sonhadores despretensiosos, mas também isto é válido aos adeptos do romance novelístico tupiniquim.

A partir do momento que fizermos um balanço em nosso mundinho particular, separar o essencial, o primordial, o necessário do que é superficial tenho certeza que metade das neuroses do inconsciente desaparecerão e deixarão milhares de psicólogos desempregados.

Possuímos uma prepotência ingênua de achar que tudo que está em nosso perímetro de ação é significativo. Pois fiquem sabendo que não é! Trazemos na bagagem as situações mais esdrúxulas por acreditar que é nosso dever.

O dever começa consigo mesmo, se olhando no espelho e perguntando sinceramente o que aquela imagem refletida precisa ou deseja. Não há nada de errado nisso. O individualismo é importante para a sobrevivência da espécie e não pode ser confundido com egoísmo.

A porção eu deve ser valorizada e evidenciada porque precisamos nos sentir bem e é muito justo que façamos algo por nós, porém alguma coisa que não agrida, mas sim contribua para o bem estar. Só estaremos dispostos e saudáveis para ser essencial para alguém quando primeiro formos primordiais para nós mesmos.

Portanto, aquilo que subtrai e divide tem que ser eliminado, pois é supérfluo e serve apenas de obstáculo para nossa liberdade. E ser livre é uma condição necessária para conscientização de indivíduo responsável pela sua própria felicidade. Ela não depende de ninguém, apenas da sua escolha.

Written by Babi Arruda

11/01/2011 at 15:33

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