A Esperança da Caixa de Pandora

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Insanidade lúcida: um ensaio sobre a loucura

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Não adianta negar, camuflar a realidade, disfarçar com palavras rebuscadas e discursos categóricos: você também é neurótico. Sim, todos nós somos doidos de pedra e sim, todos nós precisamos fazer terapia, incluindo os próprios terapeutas. Lógico, haja mente sã para agüentar tanta loucura.

É irrefutável a mania e o descontrole que temos ao criar universos paralelos em nossa mente. Uma imaginação fértil é capaz de produzir a próxima guerra mundial e iniciar de vez uma revolução armada no mundo de Pollyana.

Não quero parecer uma pessoa vazia que utiliza a insanidade humana como desculpa esfarrapada para eximir de culpa a incapacidade coletiva. Mas contra fatos não há argumentos: não usamos nem 10% de nossa capacidade mental e muito menos estamos habilitados a lidar com tamanha complexidade.

Porém, o grande barato de tudo é que somos loucos que não assumimos a nossa loucura. Inventamos regras, status e palavras para mascarar nossas neuras e se justificar perante a sociedade. Nada mais insano que isso!

Existe o universo e o universo paralelo, aquele que só a nossa imaginação conhece. Acho que se lidássemos somente com o real não suportaríamos as pressões e nem saberíamos lidar com as cobranças e as expectativas.

Apesar de parecer simples querer ser verdadeiro e tratar com a verdade é a melhor opção para a vida, pergunto eu: qual verdade é absoluta? Tudo é relativo, subjetivo, um grande superlativo das ideias originais.

Possuímos uma fábrica de ilusões e alusões em nossa cabeça. As esperanças são baseadas em conceitos pré-moldados que ao longo do tempo sofrem ajustes para se adaptar ao momento de agora. Nada é visto pela sua natureza, mas sim com uma roupagem inventada dos nossos desejos.

A necessidade é apenas um coadjuvante na história que poderá, talvez, ter sua vontade suprida. Vale lembrar que a imagem que temos de nós mesmos é distorcida e fragmentada. Numa casa de espelhos vemos nossas múltiplas personalidades tão evidentes que acreditamos serem falsas.

Debater sobre a neurose e querer entender o quanto ela está enraizada em nossas atitudes é um exercício no qual o processo é muito doloroso. Tem que ter uma mente sã (sem demagogia) para suportar as descobertas.

Mas o pior de tudo é possuir uma insanidade lúcida, aquela que corroe a alma atrás de respostas, atormenta a mente com quebra-cabeças e maltrata o coração com angústias e momentos de solidão. Um ensaio sobre a loucura. Nada mais insano que isso!

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Written by Babi Arruda

27/04/2011 at 12:17

Insanidade lúcida: uma ode a loucura

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insanidade

Se a insanidade fosse obscura não teria esta angustia a apertar o peito.

Viveria num mundo com elefantes pinks e limonadas.

Qual a solução afinal? Qual a minha escolha afinal?

Essa é a questão. Se eu continuar a me esconder tenho que pelo menos escolher o que desejo.

Não vivo de clichês, mas de sonhos vencidos pelo tempo.

E o desejo nada tem a ver com a necessidade.

Está na hora de erguer a fortaleza!

Ou procuro um acalanto, admito a loucura plena como companheira e procuro dizimar sua influência.

Ou deixo ser abraçada pela escuridão!

Até quando silenciarei as vozes do consciente?

Até me perder na sobriedade? No monótono?

Ou assinarei um contrato social com a hipocrisia?!

Não assino contratos de qualquer natureza porque isto não é a minha natureza.

Sou selvagem e prefiro o vazio real do que os sorrisos imaginários.

Detesto os apertos de mãos solidários e os olhares complacentes.

Não dá mais para esconder o óbvio.

Ficou tudo tão claro quando eu te vi ao espelho,

E eu não pude fazer nada porque já tinha se quebrado.

Nada mais angustiante que esta insanidade lúcida,

Este dom profético para alucinações e interjeições.

E o teu silêncio e o meu silêncio gritam ao meu ouvido.

Mas não vou me perder, nem caminhar para o sentido oposto.

Chegou a hora da loucura assinar o roteiro.

E por fim, as cortinas se fecham com um gosto amargo de solidão

Sem plateia ou aplausos. Apenas o vazio das vozes e das letras!

 

*Publicado em 03/07/2009

Written by Babi Arruda

27/10/2009 at 19:27

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