A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

“Tudo vai ficar bem”

with 14 comments

De Babi Arruda & Cláudio Marques

E no meio daquele dia cinza estava ele ali parado com seu sorriso fitando minha alma, despindo meus desejos. Não me importava mais o que acontecia a minha volta. Aquele instante era meu. Aquela vontade era nossa. Delicadamente coloria cada pedaço de meu corpo. Tocando-me sem as mãos, falando comigo em silêncio, despindo-me com olhos, devorando-me em pensamento. E eu, entregue. Distante. Mas com uma certeza: era dele.

Aquele homem me cativava, me trazia a tona toda vez que meus dilemas existenciais me colocavam em baixa. Era ele. E o melhor: ele não sabia disso.

Ele acordava comigo, passava o dia a trabalhar, jantávamos e a noite, numa sincronia perfeita, escrevíamos poesia, textos. Cartas. Líamos o mesmo livro, comentávamos sobre os personagens principais, sobre os coadjuvantes. Inseríamos nossas vidas naquelas páginas. Era fantasioso e ao mesmo tempo excitante. Deitávamos e meticulosamente nosso corpo se encaixava. Mas ele não sabia disso.

Eu existia para ele e não precisava dos meus post its para lembrá-lo. Era torturante saber que eu estava tão presente nele. Nunca fora assim. Eu sempre me deixava perdida, esquecida num canto qualquer devorando as sobras do relacionamento. Mas com ele era diferente. Era inédito, numa versão meio retrô.

Fitava seu rosto tentando decifrar o que não tinha resposta. Tentava colocar em palavras o que estava perfeito nas entrelinhas. E assim me acostumei com sua presença apenas a distância de uma respiração. Só sabia respirar o mesmo ar de um espaço encaixado entre delírios e devaneios.

Era doce dormir nos seus braços e saber que estava me acorrentando a perspectivas. Pensei muitas vezes em fugir, mas quando olhava suas covinhas, que teimosamente surgiam depois de um sorriso, desistia de qualquer plano de dominação mundial. Entregava o meu mundo sem alardes, sem diplomacia ou ordem de despejo. Simplesmente desistia de desistir.

Mesmo percebendo todo o meu embaraço desastrado de tentativas frustradas, ele fingia não entender e me dizia ao pé de ouvido: “tudo vai ficar bem”.

E no instante entre o som e o silêncio residem os sonhos e uma infinidade de palpitações. Reside eu, ele e suas covinhas.

Ah, aquelas covinhas. Tão minhas, mas apenas dele. Eu as contemplava constantemente, mesmo ele nunca as dividindo comigo. Eu acompanhava seu riso e imaginava que ria para mim.

Meu mundo que por diversas noites, dias, madrugadas fez-se tão dele continua sem rumo próprio, seguindo a esmo, procurando cruzar com aquele mundo cheio de covinhas, sorriso e doces noites acompanhada. Pode ser um sonho, mas desse sonho acordo toda manhã. A cada nova manhã, novos dias uma certeza não muda. Ele (ainda) não esta por aqui. Ainda…

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Written by Babi Arruda

13/10/2011 às 09:53

Publicado em Contos

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14 Respostas

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  1. Um é bom, dois é demais! (Não no sentido de excesso, e sim de perfeição.)

    Ficou muito bom! ^^

    Flah Queiroz

    13/10/2011 at 10:23

    • Para ficar perfeito suas mãos deveriam ter se juntado as nossas 😉

      Obrigada sobrinha ^.^

      Babi Arruda

      13/10/2011 at 11:25

  2. Parabéns aos dois, está muito bom, nunca escrevi contos ou poesias a quatro mãos, um dia me arrisco!

    BJos e Abraços!

    Thiago Peixoto

    13/10/2011 at 10:48

    • Ahhh #meau…vc foi convidado a escrever a quatro mãos 😉

      Beijão

      Babi Arruda

      13/10/2011 at 11:26

  3. Adorei nosso caso literário. Adorei, começar, mudar, aprimorar, ler, terminar… Voce conduziu com maestria. Que venham os próximos. Que os frutos dessa relação sejam sempre assim. Tocantes!! Beijo pra ti Babi! Ah e a foto?! Perfeita.

    Claudio Marques

    13/10/2011 at 11:21

    • Nosso caso literário é algo sério e comprometido. Graças a sua insistência cedi aos seus caprichos rsss

      Obrigada pela paciência e insistência de um Romeu apaixonado pelas letras 😉

      Adorei. Beijão =*

      Babi Arruda

      13/10/2011 at 11:28

  4. Parabéns aos dois autores !!!
    Principalmente a Babi, pois ela faz parte da minha vida. Te amo !!!

    luiz fernando

    13/10/2011 at 17:42

    • Ai ai o dono das covinhas ^.^

      Amo mais.

      Babi Arruda

      13/10/2011 at 18:07

      • Rááá Sabia que as covinhas tinham dono!!! =D Taí a inspiração de Babi! Que coisa linda…. A minha inspiração dificilmente passará por aqui…

        Cláudio Marques

        13/10/2011 at 18:44

      • Hahahaha pois é, o dono apareceu. Mas na verdade ele sempre esteve presente 😉

        Acredite amigo…a vida mtas vezes surpreende e quando vc menos espera tudo acontece =)

        Babi Arruda

        14/10/2011 at 09:31

      • hey! saiba que sua inspiração sempre acompanha seus textos, meu amor 😉

        Helô (@a__heloisa)

        22/08/2012 at 00:00

  5. E tudo ficou bem, inclusive na literatura! ( aí posso dizer que ficou MUITO bem! rs )

    🙂

    Jaime Guimarães

    16/10/2011 at 13:15

  6. O que dizer?????……Identificação com o texto é pouco, credo!!!!
    Ahhhhh….as covinhas!!! (Achei que só eu enxergava covinhas)…rs
    E sim, ele(ainda) não esta por aqui. Ainda…

    Bom demais!

    Cris Mendes

    18/05/2012 at 14:03

    • As covinhas são verdadeiros holofotes ^.^

      Babi Arruda

      18/05/2012 at 17:15


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