A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Sociedade da invisibilidade

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Temos vozes para gritar e mãos para gesticular, porém muitas vezes não somos ouvidos nem mesmo percebidos por aqueles que estão a nossa volta. Como se fôssemos seres invisíveis, transparentes nessa imensa aldeia global. Somos palpáveis, tangíveis, sólidos, no entanto, a cada dia que passa as pessoas não conseguem nos tocar, ou pior, preferem não tocar.

Viramos robôs sem percepções, angústias e amor. Tudo programado, arquivado e distribuído em série. As relações se tornaram frias e distantes, ao ponto de pessoas que vivem na mesma casa não se reconhecerem mais. Não trocam um simples bom dia.

Os sentimentos tornaram-se fúteis, piegas, coisa de gente brega que não tem o que fazer. Talvez por isso o número de jovens com depressão tem aumentado cada vez mais. Quem os escuta? Quem os acaricia?

Vamos, voltemos a programação de emoções politicamente corretas. Não há espaço para a solidariedade. Por que eu deveria me importar com o próximo? Ele que cuide dele, pois afinal, tenho meus próprios problemas para resolver. Temos que ser perfeitos, completos e desumanos. Esta é a lógica da sociedade da invisibilidade.

Se eu não olho para um ser humano pedindo esmola no meio da rua está tudo bem. Não estou vendo mesmo. Ela não está ali e por isso, não tenho nenhuma responsabilidade. Também, ele não é nenhum parente meu. O problema é do governo. Votei para isso. Cada macaco no seu galho e cada político com sua inércia social.

Não existe mais o calor humano, o afago sincero e as conversas nas mesas de bares. Todo amigo devia ser um psicólogo informal, aquele que escuta suas lamúrias e te dá uma bronca por estar cometendo o mesmo erro pela vigésima vez. Os amigos estão ficando transparentes.

A questão é que ninguém se importa com nada ou alguém que esteja fora do raio de seu umbigo. Um desprezo calculado de tudo que pode nos tornar gentil. Afinal, a gentileza só deve ser utilizada quando existe um interesse por trás, não é? Feliz é aquele que é mais malandro que a malandragem e dá nó em pingo d’água.

Estamos ficando com o coração translúcido. Ele não bate mais com tanta força. Para onde foi o cuidado com os sentimentos alheios? Onde nós colocamos a caridade? As ações estão se tornando invisíveis e a sociedade cada vez mais transparente, carente de humanidade. A sociedade de corações intangíveis.

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Written by Babi Arruda

10/08/2011 às 11:01

10 Respostas

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  1. Posso discordar só um pouquinho? rs Bem, eu tenho bons amigos, alguns que conheci através de outros e outros ainda através dessa imensa rede global. Mas concordo com vc em um ponto, tem gente confundindo as coisas, e superficializando tudo, mas acho que isso já existia antes, agora está apenas mais “visível”. É realmente triste ver tantos jovens sofrendo de depressão. Mas eu agradeço todos os dias, os bons amigos que tenho. E eles sabem que podem contar comigo.

    baci,
    @paraquenomes

    André Salviano

    10/08/2011 at 14:38

    • Lógico que pode. Dizem que toda unanimidade é burra kkkkkk

      Fico muito feliz que vc tenha passado por aqui. Volte sempre querido ^.^

      Beijão

      Babi Arruda

      10/08/2011 at 15:07

  2. Babi, essa história você já conhece, creio, mas mesmo assim vou relembrar: um professor de psicologia – não lembro se do quadro da USP ou Unicamp, apenas sei que é de SP – fez uma pesquisa de campo bem interessante. Ele simplesmente se tornou gari durante algum tempo (anos!) e trabalhou nos arredores da universidade onde dava aulas.

    O resultado virou um livro baseado na tese da “invisibilidade social”: os colegas professores e os alunos sequer olhavam para os garis e ele, o professor, não foi reconhecido. Claro, quem vai prestar atenção em um simples gari, categoria classificada pelo sr. Boris Casoy como “o mais baixo na escala de trabalho”?

    E quem olha para os faxineiros, merendeiras, empacotadores, jardineiros? As pessoas enxergam a função, não a pessoa que está ali. E isso estende para os demais setores da sociedade. Um pedinte é um pedinte que deve ser evitado… um moleque de rua, um perigo! Aquele pobretão não oferece nada de interessante em termos materiais? Então desprezemos o sujeito. Desprezemos aqueles que “nada” tem a nos oferecer.

    Eu insisto bastante na relação de AFETO que deveríamos desenvolver. Quando falo em afeto não estou falando da “glicose” pregada por alguns autores de auto-ajuda ou similares; o afeto ao qual faço referência é simplesmente perceber a presença do outro como um ser humano que tem uma história, tem algo a oferecer, tem sentimentos. Eu escrevi, há algum tempo, um texto no meu tosco blog falando isso: “A afetuosidade nas relações vem sendo substituída pela frieza e pelo distanciamento entre as pessoas e, com isso, encontramos a carência que os adolescentes demonstram…”.

    Vixe, deixa eu parar por aqui, exagerei no comentário rsrs Nem preciso dizer que gostei do texto e do tema, né, Babi? 🙂

    Bj

    Jaime Guimarães

    10/08/2011 at 22:35

    • Vc pode comentar o quanto quiser meu querido. Seus comentários são sempre mto bem vindos 😉

      Beijão

      Babi Arruda

      12/08/2011 at 13:20

  3. Muito bom…como sempre, seus posts são maravilhos e profundos.

    Manoel

    12/08/2011 at 12:48

    • Muito sempre ter vc por aqui querido =)

      Obrigada!

      Beijão

      Babi Arruda

      12/08/2011 at 13:21

  4. como sempre mais um belo texto Babi, para refletir…

    todos vêem o que acontece e mesmo assim poucos tentam ajudar, mudar as coisas na verdade e no final das contas poem a culpa nos outros para que eles saiam como quem tentou ajudar….

    belíssimo texto, meus parabéns

    Edy

    12/08/2011 at 21:21

  5. Babi, meu sentimento é que todos, homens e mulheres, andam descolados da realidade e completamente descompromissados. Sinto muito por isso, pois sou do tipo de pessoa que não aguenta falta de palavra, falta de compromisso com o outro ser humano.
    Belo texto. bjs

    Rita de Holanda

    14/08/2011 at 16:57

    • Também sou do mesmo pensamento. Talvez por isso sofra em demasia. Infelizmente temos que nos conscientizar que não temos responsabilidade pela falta do outro.

      Obrigada pela sua visita sempre ^.^

      Beijos

      Babi Arruda

      18/08/2011 at 11:28

  6. Nesta Sociedade da Invisibilidade é grande a perda das vantagens das diversidade. Lembro que li que ouve um salto em inovação granças ao surgimento do hábito de tomar café. Nas casas de cafés o sono passava e as pessoas ficavam a conversar até tarde com diferentes tipos. Graças a interação em diferentes níveis sociais (entre eles até viventes de rua) cientistas, inventores, filosofos deram grandes saltos em suas pesquisas. Portanto, duas coisas impedem-nos de absorver esta riqueza da diversidade: é a fraqueza no raciocínio e a preguiça mental.

    paulo

    15/09/2011 at 14:57


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