A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Sociedade do ter: inversão de valores

with 13 comments

Não dá mais para segurar. Pensei em ficar calada, em mudar de assunto e até mesmo pegar mais leve no discurso para não chocar os mais desavisados. Mas não agüentei. Hoje eu simplesmente acordei revoltada com a eterna mania das pessoas em se utilizar do “jeitinho” para arrumar as situações difíceis.

Podem me chamar de subversiva, louca e até mesmo rebelde, porém eu acho que estou em busca de uma causa muito nobre. Fico indignada ao perceber a tamanha inversão de valores que a nossa sociedade prega nos dias de hoje.

Não existem leis, regras, condutas morais éticas. Tudo é na base da “Lei de Gerson” para driblar fiscalizações, acordos, punições. As pessoas confundem aproveitar oportunidades com tirar vantagem das situações e das pessoas. O verbo é auto-explicativo: tirar, retirar, tomar algo. Nesse sentido o verbo tirar soa muito mal.

É uma vergonha ver pais que não tem a mínima condição de educar seus filhos porque possuem uma mente frágil, mimada e uma imagem totalmente equivocada do real. Acham que seus filhos são seres supremos e que não merecem castigo por atos de vandalismo.

Isso me incomoda, esta falta de noção, esta distorção da realidade lógica. Que seres humanos estão sendo criados? Que futuro teremos com jovens incapazes de distinguir o certo do errado? Onde está a justiça de valorização da palavra empenhada e das atitudes coerentes com o respeito ao próximo?

Os poucos que mantém uma consciência plena, de retidão de princípios com a verdade são considerados bobos, idiotas, inocentes. Enoja-me só de pensar nesta ligeira inversão de papéis. Os corretos passam por negligentes e os de conduta duvidosa passam por espertos.

Fico pensando que ensinamentos e exemplos deixaremos para as próximas gerações e até quando permitiremos que atitudes como estas sejam reproduzidas e repassadas dia a pós dia sem a mínima interferência.

A omissão também é culposa. Não importa se você for o único a gritar e agir sozinho para que as coisas sejam feitas de forma correta. O importante é que você gritou, esperneou, revolucionou fazendo algum movimento contrário a esta calamidade social.

É uma barbaridade esta falta de ética, esse cinismo amoral das relações humanas. Não quero fazer parte disso e não irei. Farei minha parte, mesmo que solitária e subversiva. Tenho minha consciência clara, minhas mãos limpas e a convicção que a verdade é essencial. Nenhuma inversão vai invadir meu senso crítico ou corromper minha alma.

Anúncios

Written by Babi Arruda

25/05/2011 às 12:20

13 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Hoje em dia chamamos as pessoas que tiram vantagens de “espertinhos” sendo que esperteza não é algo negativo. Mas invertemos esse valor transformando desonestidade em inteligência.

    Smailin

    26/05/2011 at 10:30

    • Infelizmente aqui no Brasil tudo funciona de maneira inversa.

      Muito obrigada pela visita, volte sempre =)

      Beijos

      Babi Arruda

      27/05/2011 at 10:43

  2. É revoltante, sem dúvida. Há algum tempo estava lendo o livro “O que faz o Brasil Brasil” do professor Roberto DaMatta em que há um capítulo dedicado ao tal “jeitinho” – ou a um “modelo de navegação social”, para utilizar um termo mais pomposo. O brasileiro situa-se naquele espaço entre obedecer e preencher todos os requisitos de burocracias ineficientes e arrumar um “jeitinho” para pular essas etapas. O problema é que essa prática, um tanto “rebelde” contra as instituições reguladoras, acabou por tornar-se generalizada e assim temos desde o “arranjei-me” ( lembra de “Memórias de um Sargento de Milícias?) até o “você sabe com quem está falando”?

    Há algum tempo estava almoçando em um restaurante e a TV exibia a reportagem de um sujeito que encontrou e devolveu uma carteira com grande soma de dinheiro – dólares, se não me engano. A repórter frisava a honestidade do sujeito ( de profissão e formação humildes) e o que eu mais ouvia nas mesas ao redor eram expressões como “trouxa”, “burro” e “eu não devolvia”.

    Curioso…provavelmente essas mesmas pessoas demonstrem indignação quando um político é acusado de corrupção. É a falsa moral: faça o que eu digo…mas não faça o que eu faço!

    E que legado deixaremos para as futuras gerações?

    Bj! :*

    Jaime Guimarães

    26/05/2011 at 11:42

    • Amigo, eu trabalho em órgão púbico. Vc não imagina quantas vezes ao dia escuto o termo: “Mas será que vc não poderia dar um jeitinho?” ou então: “Não tem como vc quebrar o galho?”

      Respondo: não sou uma pessoa jeitosa, muito menos macaca gorda pra quebrar galho.

      Legado? Não há legado. Existe apenas o individualismo exacerbado.

      Excelente comentário amigo.

      Beijão

      Babi Arruda

      27/05/2011 at 10:48

  3. Que este texto chegue aos com comprometimento, para mostrar que eles não estão sozinhos em suas lutas particulares contra:
    a falta de respeito
    o amadorismo
    a falta de educação
    a invasão pessoal
    a busca da fama fácil, instantânea, sem história que justifique qualquer coisa
    a prepotência de achar que quem é competente é prepotente
    a distorção da realidade
    e eu poderia enumerar diversas coisas que vejo no meu dia a dia e que estão me matando profissionalmente, de vergonha.

    Mauro Sérgio

    27/05/2011 at 10:50

    • Não tenho nem o que argumentar, apenas agradecer por gritar junto comigo. Bravo!

      Mto obrigada pela visita 😉

      Beijos

      Babi Arruda

      27/05/2011 at 11:58

  4. É tão difícil, né, Babi? Porque todos os dias somos testados e levados a nos corromper. E isso acontece desde uma pequena mentira até um suborno ou coisa muito séria. Acho que o dever de quem é correto é se manter assim, e educar os que estão em volta. De qualquer maneira, no cotidiano é difícil lidar com isso…e a gente precisa ir levando. 🙂
    Beijos, querida! sempre bom ler seus textos

    Rita

    01/06/2011 at 11:42

  5. Oi Babi!! Sempre leio seu blog, mas dessa vez foi impossível passar sem deixar, mesmo q breve, um comentário. Faço minhas as suas palavras e no que depender de manifestação nas palavras, no grito, com rebeldia ou não, estarei presente incondicionalmente a levantar a bandeira contra a falta de ética, moral e respeito, que infelizmente parece que virou regra no perfil da humanidade. Parabéns !! Grande Bj.

    P.S.: O fato de não ter deixado comentários anteriores não significa q ñ tenha lido ou gostado, rsrs, mas prometo q vou tentar ser mais assídua.

    Andréa Ng

    02/06/2011 at 10:45

    • Fico mto feliz que vc tenha passado por aqui querida. Coragem, comente mais vezes kkkkk

      Beijão

      Babi Arruda

      03/06/2011 at 11:27

  6. Muito bacana o texto. Como diz a Elisa Lucinda, desde Cabral que todo mundo rouba. Esta falsa moral dita pelo colega Jaime está impregnada na identidade cultural da maioria dos brasileiros e que começou a ser formada desde a colonização. É trise saber que uma simples atitude de honestidade em nosso país é motivo para notícia na tv.

    Marcos

    19/07/2011 at 20:32

    • Que bom que gostou do texto =)

      Como dizem por aí, infelizmente issto é Brasil.

      Bjsss

      Babi Arruda

      03/08/2011 at 14:25

  7. estou escrevendo um artigo sobre inversão de valores ,passei e li suas colocações,não comentarei nada,suas palavras foram plenas ,sou estudante de filosofia da universidade Metodista SBC,sei que não estamos sozinhos nesta empreitada…

    araildo rabelo luz junior

    09/10/2012 at 14:14

  8. Adorei seu texto, realmente faço parte destes indignados com esta inversão de valores.

    Kathia Prox

    29/01/2013 at 22:26


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: