A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Desapego pelo apego

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Não sei se é descaso que tens ou indícios de loucura apenas. Uma contradição fatual de versos e gestos traduzidos em ações do cotidiano perecível. Talvez no fundo seja uma interjeição sem falácias porque este é o seu modo de acolher sonhos nunca sonhados. No mais, tudo é esquecido quando se está com os olhos abertos. Apego.

Talvez um dia sejamos mais que dois estranhos e mesmo assim não seremos o que fomos um dia. Apenas aprenderemos a ser, sem ter que ser aquilo que nossas expectativas querem que sejamos. Essa coisa de ser é muito complexa, pois implica ser real, e para ser real é preciso ser inteira e desprendida. Ser o que somos, sem sonhos, sem pretensões. Desapego.

Variações da mesma consciência traz tristeza como companheira. A cortesia deixa de ser um adjetivo e torna-se um fardo compulsório. Dizer adeus virou um cortejo para a insegurança de ser feliz. Preferiu aceitar esta sentença e viver a vida alheia. Ela machuca menos. É mais fácil do que assumir riscos. Apego.

Este limiar entre quero e não te quero faz com que a realidade seja tratada com eufemismos e que os jogos de egos e vaidades fiquem mais expostos, desnecessariamente. E ao olhar no espelho nem a si mesmo consegue enganar. Toma-se uma pílula branca antes de dormir para esquecer a covardia. Desapego.

Estava quase indo embora quando bateu de leve na porta. Não queria nada demais, apenas se fazer presente, somente um apego mórbido pela sensação de ser feliz por instantes. Adeus. Palavras mínimas que criam distâncias, gestos que traduzem reticências. Crime e castigo. Culpados e ausência de inocentes. Apego.

Gostava do apego, da comodidade de dizer que gostava de alguém. Inércia emocional. Mas desejava para aqueles instantes laços. Dizia: enlace-me ou deixe-me longe do seu sarcasmo. Enlace-me ou pare de me olhar desse jeito. Agarra-me agora, sem hesitação. Mas era adepto do efêmero, do volátil. Desapego.

Porém a vida é feita de extremos. Extremos extremamente intensos. Autênticos. As meias verdades são para aqueles que não suportam intensidade. E como dizia Clarice, não sei ser pela metade. Este é meu desapego pelo apego.

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Written by Babi Arruda

07/04/2011 às 12:18

4 Respostas

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  1. “Apenas aprenderemos a ser, sem ter que ser aquilo que nossas expectativas querem que sejamos. ”

    E expectativas – e idealizações – do(a) parceiro(a) e das demais pessoas ao nosso redor. Como é difícil desapegar-se, sair do comodismo e daquele “lugar seguro”!

    Mas o apego ao blog pode! 🙂

    Jaime Guimarães

    07/04/2011 at 22:22

    • A questão do ser é desamiadamente complexo. Me retive a um parágrafo pq se fosse começar a dissertar sobre o assunto não teria fim. Idealizações maltratam a existência.

      O apego ao blog é necessário, eu diria kkkkkk

      Bjsss

      Babi Arruda

      07/04/2011 at 22:25

  2. A vida é feita de extremos, a vida boa é feita de extremos. Só vivendo intensamente podemos nos apegar, desapegar, desapegar, apegar..
    Adoro passar por aqui!
    beijo enorme

    Rita

    10/04/2011 at 03:00

    • Mas tem pessoas que entendem a intensidade como uma falha de caráter ou sei lá o quê.

      Se não houver intensidade não vale a pena!

      Babi Arruda

      10/04/2011 at 17:02


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