A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Olhe para o seu nariz

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Viver em função de achismos, suposições e fofocas é o grande hobby do momento. Sim, vasculhar a vida alheia como se fosse uma novela mexicana nos capítulos finais é uma montanha russa de emoções para os bisbilhoteiros de plantão.

É como se fosse uma droga, um grande êxtase de sensações liberadas no cérebro que fazem com que as histórias do cotidiano do vizinho sejam muito mais interessantes que suas ilusões diárias. O nosso filme é preto e branco. Do outro é colorido com efeito 3D.

Por isso, sempre paira aquela pergunta: para que ver TV se eu tenho um reality show ao vivo e a cores bem ao lado da minha porta? E também não basta assistir. Tem que ver, analisar, julgar e repassar as informações com suas velhas e caóticas convicções.

Que graça teria em somente reproduzir uma cena fidedigna? É muito mais interessante julgar, tirar conclusões precipitadas. Isso sim traz diversão e transforma a nossa vida em um imenso picadeiro dos horrores.

Somos palhaços mascarados deste circo incapazes de olhar para o próprio nariz. Na inutilidade mórbida de julgar nossas atitudes, preferimos apontar o dedo na cara do outro sem ao menos dizer uma única palavra. Simplesmente colocamos a estrelinha de xerife no peito e saímos fazendo acusações sem fundamentos por acharmos sermos os donos da verdade absoluta e intransitória.

Depois aparecem pesquisas dizendo que o ser humano está desaprendendo a viver em sociedade e que a relação mais tórrida e íntima que temos é o com o mouse, o teclado e a webcam do computador. A amizade é um sentimento virtual limitada as salas de bate-papo e sites de relacionamento.

Aliás, vamos concordar que a internet veio para fortalecer o fluxo de informações equivocadas do dia-a-dia. Com a perda do contato físico, a ausência de uma carinha feliz no final da frase pode significar um mal entendido de altas proporções. Sim, um bom dia digitado sem uma piscadinha para lhe completar o sentido pode iniciar a terceira guerra mundial.

Na realidade, a grande maioria das pessoas está interessada em tirar suas conclusões solitariamente, pois é mais fácil atirar uma pedra do observar seu telhado de vidro. É inconcebível admitir as próprias falhas porque a idéia de perfeição ronda o delírio humano desde o início dos tempos.

Olhar para o próprio nariz é complicado, incômodo, dá aflição, te deixa vesgo além de ser desagradável prestar atenção em nós mesmos. O divertido sempre foi criticar o fulano ou o beltrano. Fazer intriga é mais interessante, dá mais ibope e agita multidões!

Isso é a triste profundidade do pensamento de uma ameba!

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Written by Babi Arruda

30/09/2010 às 16:11

Publicado em Artigos

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11 Respostas

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  1. Pois é. Esses dias vi um tuit muito inteligente, que dizia “vou cuidar da vida offline, porque da online já tem gente demais cuidando”. FODA. Sei lá. Vou olhar pro meu nariz. Beijo, belo post lindona!

    @amanda_arm

    30/09/2010 at 16:38

    • Então Amandinha…a tendência é cada vez mais sentir essa sensação de ter a vida controlada. E honestamente…somos todos controlados, cada um numa instância 😉

      Babi Arruda

      07/10/2010 at 14:57

  2. Sentimos uma necessidade mórbida em acompanhar a vida alheia. Talvez isso seja uma reminiscência do passado do homem de acompanhar os processos da natureza, observar os outros animais, seus comportamentos, uma atividade tipicamente predatória, estudando os movimentos da presa, que acabamos estendendo até nossos vizinhos quando passamos a viver em comunidades cada vez maiores.
    Mas gostamos de ser observados, gostamos de ter nossa vida devassada pelo outro, nos expomos em sites de relacionamento, subimos nossos videos, fotos, nossa vida em 140 caracteres a cada 5 minutos. Somos o Grande Irmão de nós mesmos hoje em dia.
    Quando George Orwell escreveu 1984 imaginava que seríamos dominados por uma grande ditadura, mas a ditadura que nos governa hoje é feita por nós mesmos. Achamos o máximo sermos vigiados, achamos legal, divertido e sedutor.
    Porém, nos aborrecemos quando alguém emite opinião contrária a nossa.
    Humano, demasiado humano, diria o velho Nietzsche.
    Como sempre um post que me faz pensar vorazmente.

    Pacha Urbano

    30/09/2010 at 20:32

    • Mas Cariño, isso é uma premissa do ser humano: reclama de ter a vida invadida, porém mtas vezes é o primeiro a deixar espaço para isso. Todos querem mto saber o que acontece no quintal do vizinho, mas olhar para dentro de si se torno algo mto difícil. Um caso a se pensar: como reeducar o ser humano a ser simplesmente ele? O que vc me sugeriria? Aguardo sua resposta!

      =***

      Babi Arruda

      07/10/2010 at 15:00

  3. Texto perfeito! Isso é um reflexo da sociedade atual que só vive de aparências…Por exemplo: Sabe que aqui na minha cidade, tem gente que eu nunca vi na vida e sabe até onde eu moro? Ai hoje saiu no jornal daqui da redondeza: é uma das 170 cidades menos desenvolvidas do estado. Pq será, pergunto eu? Pq as pessoas só estudam a vida alheia, só se preocupam em saber o que as pessoas fazem ou deixam de fazer. Olhar a prórpia vida? Não, a vida dessas pessoas é tão desinteressante que precisam olhar a dos outros, elas se sentem importantes ao saber de terceiros.
    Sabe aquela história de mente vazia ser oficina do diabo?
    Uma pessoa que quer se desenvolver intelectualmente, financeiramente, espiritualmente não tem TEMPO e nem energia pra gastar pra olhar a vida dos outros, julgar, rotular, achar ou deixar de achar qualquer coisa. Olhe pra vida dessas pessoas: metade delas só pensam em futilidades, são mentes fossilizadas, vivem uma vida rasa.
    É o novo pão e circo das massas. Triste!

    Wanessa

    01/10/2010 at 11:15

    • Minha Diva,

      O que seria do ser humano se ele não vivesse de rótulos? Perca um pouco desse seu idealismo esperançoso sobre a raça humana…rsss

      Somos animais racionais, mas sem bom senso ou bom humor. Transforme os rótulos em piadas 😉

      Beijos

      Babi Arruda

      07/10/2010 at 15:03

  4. Um bom remédio social: popularizar o ensino da filosofia desde cedo nas escolas, desmistificar e derrubar o preconceito para com o tratamento psicanalítico e adoção da boa e velha educação.

    Pacha Urbano

    07/10/2010 at 15:09

    • Isso dependeria de terceiros, de um governo corrupto que não tem nenhum intenção de ser o povo crescer como ser humano. Sugira algo que o Joãozinho da esquina possa fazer por ele mesmo, sem precisar da iniciativa das autoridades.

      Babi Arruda

      07/10/2010 at 15:15

      • Tudo o que eu disse pode começar de dentro de casa, não necessariamente na dependência do Estado. Ensina-se conceitos filosóficos as crianças ainda pequenas, auxilia sua saúde mental com terapia e claro, boas doses de educação! Isso qualquer joão da esquina consegue. Basta querer.

        Pacha Urbano

        07/10/2010 at 15:24

      • Como querer algo no qual que ele não tem consciência? Um ser ignóbil desconhece sua falta de profundidade. Não dá para desejar o que se supõe não existir.

        Babi Arruda

        07/10/2010 at 15:28

      • Como eu disse, basta querer. O indivíduo tem que querer isso. Enquanto não quiser, estiver disposto à mudança, seguirá repetindo empiricamente o que lhe foi ensinado, ou o que ele mimetizou a vida inteira. Mas, quem sou eu pra dar respostas pra vida alheia? 😉

        Pacha Urbano

        07/10/2010 at 15:39


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