A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Paradoxo desconexo

with 11 comments

Rene Magritte – Les Amants, 1928

Tudo é uma questão de bom senso e coerência! Ah, seria tão bom se isso fosse o reflexo da realidade. O mundo seria mais simples, as pessoas seriam mais educadas e a convivência diária algo mais prazerosa e sem falsas políticas de boa vizinhança.

Enxergar e manter as atitudes de forma clara é uma tarefa árdua não só para quem pratica, mas também para quem é o sujeito que sofre a ação. As coisas andam meio nebulosas e os conceitos um pouco deturpados. Nada é mais como antes e a vida se torna um aglomerado de situações inusitadas e desconexas.

Viver num paradoxo de sentimentos virou algo ordinário como escovar os dentes pela manhã e as pessoas simplesmente não se importam. É como se a vida fosse um grande guarda-roupa de teatro onde você escolhe qual tipo de moral você vai usar naquele dia. Sem stress e uma salva de palmas para a demagogia!

Milhares de atores e atrizes disputam fervorosamente aquele que será um dia o grande papel de sua vida e para isso os fins justificam os meios. A consciência é um fator subjetivo, diria até supérfluo, pois atrapalha na hora da encenação. Ver com nitidez a mistificação da amizade é muito triste e desolador. Ter a ciência disso e não fazer absolutamente nada é aterrorizante.

Isso é um paradoxo desconexo que inevitavelmente (ou será comodista demais?!) faz parte do ser humano do século 21. Alô, alô marciano, leve-me embora e, por favor, mostre para mim que ainda há esperança, que existe a consciência pura sem estar atrelada a convenções hipócritas.

A conscientização é uma medida de extrema urgência senão perderemos a sanidade no lodo de mentiras e falsidades. As redes de intrigas nada mais servem para retardar o inevitável. Tolo é aquele que acredita que a sujeira pode apagar a luz e que suas tramas nunca serão descobertas.

Não quero saber dos seus pecados, nem dos meus. A única coisa que reivindico é a sinceridade da coerência e a promessa justa da compaixão porque a imagem diante do espelho é a que teremos que conviver até o fim de nossos dias. Gostando ou não!

Vamos ter fé que a liberdade ainda é possível para aqueles que acreditam na verdade das ações tomadas através do respeito, da sabedoria e da honestidade visando o bem comum. Nenhum sentimento negativo pode ser mais forte que a bem aventurança daqueles que almejam a felicidade utilizando o amor como principal forma de interagir com o próximo.

Anúncios

Written by Babi Arruda

16/09/2010 às 11:33

11 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Bom senso? Tem gente que simplesmente riscou essa palavra do dicionário. Quem dirá empatia e consciência.

    Mas suas colocação são sempre válidas e inteligentes, especialmente pra quem ainda tem coração e sangue nas veias.

    http://www.relicariovazio.blogspot.com

    http://www.papoderomeuejulieta.blogspot.com

    Flah Queiroz

    16/09/2010 at 11:57

  2. Penso que está tudo errado, por um série de fatores, o principal é por insistirmos na tecla de que existe o certo. Sobra falta respeito para com as diferenças. A vida alheia é sempre a que mais interessa…Cada um tem a sua verdade, alguns vivem suas “verdades” e nem se quer acreditam nelas, mas precisam manter as aparências…
    Como gosta de Chico Buarque, vou citar alguns versos da versão dele nascida na favela… “…Respeito Mútuo é a chave, é o que eu sempre quis……Eu já não sei distinguir quem tá errado. Sei lá, minha ideologia enfraqueceu. Preto, branco, polícia, ladrão ou eu? Quem é mais Filho da P… eu não sei, ai Fu…”…

    Thiago Peixoto

    16/09/2010 at 12:29

  3. Flah,

    Às vezes me pergunto o que sou: uma pessoa utópica, crédula, esperançosa ou idiota em relação a humanidade e ao uso do bom senso.

    Acho que ainda sonho com pessoas mais humanas e conscientes.

    Minhas veias são mexicanas…o sangue corre quente…rsss

    Beijocas

    Babi Arruda

    16/09/2010 at 12:47

  4. Querido #meau,

    Tudo está errado e nada está certo. Sempre parta por este princípio em relação a sociedade. As verdades são fabricadas e são vendidas na feira ao lado da barraquinha do repolho.

    Mas acredito que um dia evoluiremos…um dia!

    Beijos

    Babi Arruda

    16/09/2010 at 12:52

  5. Do que é que necessitamos nos conscientizar? Da maneira nociva com que temos vivido em sociedade ou de que somos tão complexos que deveríamos passar a entender a complexidade dos outros? Ou os dois?
    Confesso que me sinto perdido no furacão de flutuações de comportamento em que me vejo cercado.
    São relações baseadas em interesses mesquinhos, descaso, egolatria, sucesso a qualquer preço, desrespeito a valores morais em detrimento do lucro (seja econômico ou pessoal), amizades de ocasião, casamentos voláteis, namoros com prazo de validade…
    Por outro lado, também me pergunto se já não é assim desde que o mundo é mundo.
    E quando você diz que é preciso ter fé, acreditar na bondade das pessoas, no poder do amor, me sinto a pior das criaturas porque meu cinismo e pessimismo me impedem de depositar tantas fichas nos seres humanos. Em mim.

    Pacha Urbano

    16/09/2010 at 14:43

  6. A conscientização tem que acontecer com tudo, inclusive em relações as coisas que se passam dentro de nós. Não adianta buscar respostas do lado de fora. Lá você não encontrará nada além de realidades equivocadas, falsas verdades e projeções inacabadas de conceitos e esteriótipos.

    Apesar de arredia e de compartilhar da mesma decrença no ser humano, tem algo que me puxa pro lado contrário. Como disse para a Flah, não sei se é utopia ou idiotice, mas uma fé na humanidade ainda sobrevive apesar do caos e das relações arquétipas da ilusão.

    A fé em nós mesmos não pode ser perdida nunca. As fichas depositadas em você refletem no coletivo da humanidade. Pense nisso cariño 😉

    Babi Arruda

    16/09/2010 at 16:22

  7. Minha filosofia é de tentar procurar o sossego e uma relação amistosa com as pessoas, independentemente do tipo de gente que ela seja. Claro, isso é muito difícil de colocar em prática e minha tendência a me fechar para alguns tipos de comportamentos me impedem de tornar isso mais abrangente.
    De qualquer forma, como já havia comentado antes em algum post seu, continuo acreditando que em sendo uma pessoa boa você já está contribuindo com o coletivo. É uma ideia inocente, nem sempre funciona como o esperado, mas é nosso dever procurar se compreender e fazer com que a lide com as pessoas seja benéfica e não deturpada como tem sido em todas partes.
    Reconhecer suas limitações, atender aos impulsos de fazer coisas boas, aceitar nossas falhas e a dos outros (sem resignação indolente), ajudar os outros, entender e respeitar espaços (físicos e psicológicos), são ingredientes que nos ajudam a entender nossos papéis nestas peças todas que você mencionou.
    O mundo não é um palco como disseram, é a soma de vários palcos.
    Cabe a nós atores aceitarmos nossos papéis ou os papéis que nos dão.
    Adoro seus posts, sempre me fazem refletir.
    Beijos.

    Pacha Urbano

    16/09/2010 at 16:49

  8. E o que eu posso dizer sobre os seus comentários cariño? Que eles me fazem ampliar os campos de visão e por muitas vezes desconsiderar a teoria anterior e elaborar novas formas de pensar.

    Eloquente e ponderado como sempre =*

    Babi Arruda

    16/09/2010 at 17:33

  9. Olá Babi!

    Texto perfeito, como sempre. 🙂

    Sou adepta da filosofia “Animais são melhores do que pessoas” ou ainda “Quanto mais conheço os homens, mais eu gosto dos cachorros” – me refiro à espécie humana como um todo e não somente ao sexo masculino.

    Contudo, não podemos esquecer que nada nesse mundo deve ser absoluto. Inclusive a visão maniqueísta de que somos somente bons ou maus. Como seres em constante processo de mudanças, estamos suscetíveis a erros e acertos. Com raríssimas exceções, não existe bondade incorruptível e nem maldade incapaz de redenção.

    É verdade que às vezes é mais fácil acreditar em Papai Noel do que na bondade humana. Confiar cegamente é burrice, mas dar o benefício da dúvida não custa nada. Afinal, o que seria da gente se não fosse a esperança?

    A julgar pelo final do seu texto e também pelo nome que escolheu para o blog, imagino que você compartilhe dessa opinião. Um pouco de otimismo não faz mal a ninguém…

    Beijinhos :))

    Obs: Parabéns em dobro pela imagem usada para ilustrar o post, sou super fã das obras do Magritte (e do surrealismo como um todo)

    http://omeuprincipetavindodejegue.blogspot.com/

  10. Olá Babi!

    Texto perfeito, como sempre. 🙂

    Sou adepta da filosofia “Animais são melhores do que pessoas” ou ainda “Quanto mais conheço os homens, mais eu gosto dos cachorros” – me refiro à espécie humana como um todo e não somente ao sexo masculino.

    Contudo, não podemos esquecer que nada nesse mundo deve ser absoluto. Inclusive a visão maniqueísta de que somos somente bons ou maus. Como seres em constante processo de mudanças, estamos suscetíveis a erros e acertos. Com raríssimas exceções, não existe bondade incorruptível e nem maldade incapaz de redenção.

    É verdade que às vezes é mais fácil acreditar em Papai Noel do que na bondade humana. Confiar cegamente é burrice, mas dar o benefício da dúvida não custa nada. Afinal, o que seria da gente se não fosse a esperança?

    A julgar pelo final do seu texto e também pelo nome que escolheu para o blog, imagino que você compartilhe dessa opinião. Um pouco de otimismo não faz mal a ninguém…

    Beijinhos :))

    Obs: Parabéns em dobro pela imagem usada para ilustrar o post, sou super fã das obras do Magritte (e do surrealismo como um todo)

  11. Oi Lindona!!!

    Estou livre das amarras que me deixavam pressa a um mundo paralelo e longe da nossa realidade. Resumindo, pedi demissão!!!
    Mas falando em consciência, só consigo pensar que há muito tempo ela está esquecida na maioria dos seres com quem somos obrigados a conviver, onde estes substituiram sem o menor pudor a consciência pela fútil conveniência.
    Hoje é muito mais prático ser conveniente do quê consciente. As pessoas procuram amigos que não deem trabalho, relacionamentos mornos que não os façam sair de sua zona de conforto, e procuram tudo que os deixem com a falsa sensação de felicidade, pois não precisam parar para analisar sua verdadeira imagem e relação que tem com o mundo exterior.
    Adeus consciência, bem vindos a era da conveniência!!!

    Adriana Lo Pomo

    17/09/2010 at 19:50


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: