A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Mitificação dos sentidos

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É muito comum nas relações humanas admirarmos alguém ou até mesmo determinadas situações. Talvez por um excesso de qualidades ou apenas por uma série de atitudes que levam a este êxtase inicial. Mas existem aqueles que vão além disso, mitificando os acontecimentos e principalmente, as pessoas.

Isso é um equívoco muito comum nos dias de hoje porque essa mitificação dos sentidos provém de uma necessidade de transformar o comum em mitos, o reflexo de uma mente carente. Uma tendência natural de pessoas com baixa auto-estima em endeusar, superestimar por questões de auto-imagem enfraquecida sensações convencionais.

Geralmente o foco acontece em pessoas no qual não se tem muito conhecimento, onde o relacionamento é superficial porque assim é mais fácil criar subterfúgios para não enxergar o óbvio e as questões de realidade, infelizmente, é o calcanhar de Aquiles da grande maioria.

Lembrando que mitificação não é ilusão, mas sim um complemento, um pacote “advanced plus” da alienação consciente. Na ilusão existe uma deturpação do que é real enquanto na mitificação ocorre uma cegueira aguda de super valorização de conceitos e estereótipos. Seria algo bem próximo de idealização, mas sem o endeusamento característico.

Nem é preciso falar que esse tipo de comportamento leva a decepção quando a verdade é revelada e contra fatos não há argumentos, no máximo lamentações. Mitificar as coisas está muito longe de ser uma ação equilibrada, pois só traz prejuízos emocionais aos que se enveredam pelo caminho da negação da lógica.

O nome mito já diz: algo que não existe, uma história bonitinha e floreada, mas inventada. Devemos parar com essa mania obsessiva de procurar nos outros arquétipos de heróis, seres perfeitos ou então que apresentam a verdade como absoluta. Isso também é um mito porque a verdade é relativa e mutável.

As aspirações não podem ser projetadas nem muito menos haver uma depreciação de suas próprias qualidades em detrimento de características encontradas em terceiros. Cada um é do jeito que deve ser. Se você não está contente com algo, mude, mas não mitifique alguém. Ele é de carne e osso como você.

A existência por si é um ato simples, democrático e igualitário. O que diferencia uma da outra é o que fazemos com as nossas escolhas e como lidamos com os nossos ideais. Por isso, mitificar essas sensações é algo que não faz sentido considerando o potencial que cada um tem de ser aquilo que lhe convém, até mesmo ser o seu próprio mito.

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Written by Babi Arruda

02/09/2010 às 14:37

6 Respostas

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  1. O que faz a gente mitificar alguém? Seria a projeção do nosso desejo por cima da realidade somente ou seria uma compensação à ausência de sentido com que temos vivido? Porque nós sabemos e não queremos admitir que gostamos mesmo é do desejo e não do objeto desejado, tornando tudo ainda mais subjetivo e ilusório, porque ao desejar o desejo o objeto perde peso, virando somente um receptáculo em que despejamos o nosso querer. Não é um movimento bilateral, ao contrário, é uma via de mão única e obviamente nos decepcionamos quando a pessoa não corresponde ao que anelamos. Na maioria das vezes ela nem sabe o que é que queremos, se quisesse de alguma forma atender aos nossos desejos.
    Entro em parafuso quando me dou conta que estou mitificando alguém ou uma situação, porque isso é se apoiar no vazio, é tentar cruzar um rio caudaloso com uma ponte imaginária. Você será arrastado pela correnteza, corre o risco de se afogar se não se agarrar rapidamente na realidade.
    Pessoas se jogam em relacionamentos nocivos pela pura e simples necessidade de se completar as lacunas das carências, deste desejo mítico que levamos e tentamos vestir no outro. É como se andássemos pra baixo e pra cima com um uniforme e fazemos com que o outro vista. Não contentes ainda queremos que a outra pessoa fique bem neste uniforme, caiba perfeitamente. É uma loteria.
    E se tem um antídoto bom para o devaneio, a mitificação, a idealização, o otimismo alienante, é a realidade.

    Pacha Urbano

    02/09/2010 at 15:13

  2. Parabéns por mais um post de tirar o fôlego!

    É até difícil comentar no seu blog porque nunca acho que sempre visite o blog para conferir as novidades.

    O que eu vejo ao meu redor é uma absoluta falta de auto-conhecimento. Pessoas que não têm consciência de suas próprias qualidades e por isso sentem a necessidade de buscar isso no outro. É a tal história do “macaco que olha o rabo do outro esquece de olhar o seu próprio” levada ao extremo.

    Talvez seja mais fácil olhar para o próximo do que para dentro de si mesmo, porque isso significa confrontar nossas características mais obscuras. Mas só quem prova da escuridão consegue reconhecer a luz… e só quem efetivamente se conhece é capaz de se aceitar e se amar, apesar dos defeitos.

    Beijinhos :))

  3. Falou tudo, Babi… Apesar das brincadeiras com a fantasia feminina que eu faço e tudo mais, é sempre bom manter os pés no chão.

    Adorei a imagem! AuhUAhuA

    Beijos!!!

    Onifodente

    03/09/2010 at 08:04

    • Manter os pés no chão é a parte mais difícil porque temos a tendência em querer voar 😉

      Hahahaha sabia que vc ia gostar da imagem…não sei por quê =P

      Beijos

      Babi Arruda

      10/09/2010 at 10:34

  4. Como sempre eloquente mi cariño Pacha =)

    Projeção, carência, falta de auto-imagem fortalecida…enfim, uma mistura de muitas coisas. Está ficando cada dia mais complicado viver nese mundo tão desprovido de relações afetivas sinceras. Talvez por isso as pessoas andam construindo seus mitos na tentativa de serem felizes em mundos alternativos 😉

    Beijão!

    Babi Arruda

    03/09/2010 at 12:10

  5. Obrigada Van =)

    Mas diz pra mim: qual ser humano tem 100% consciência do que é? NINGUÉM! Nós infelizmente não nos conhecemos, somos pequenos esboços em construção 😉

    Beijocas flor =*

    Babi Arruda

    03/09/2010 at 12:12


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