A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Paninho sujo

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paninhob

Às vezes não consigo entender porque determinadas pessoas importam em demasia. Elas não têm nada de especial ou acrescentam alguma magia especial na vida. Muito pelo contrário: muitas vezes só aborrecem, desgastam, irritam.

 

Mas com o passar das horas estão ali, incomodando, desviando a atenção, direcionando os esforços. Alguma boa alma poderia me explicar tal razão sem razão? Isso não tem propósito. Argumentações inválidas e sem sentindo algum.

 

Poderia colocar a culpa nas relações políticas internacionais ou no aquecimento global. Mas não posso enganar a minha consciência neurótica. São questões que estão além das normas, da burocracia e do perceptível ao olho nu. Como tudo que não tem explicação a priori, eu poderia dizer. É necessário perder a eloqüência para compreender determinados resultados.

 

A ciência está muito longe de explicar esses achismos proféticos da personalidade humana. Contudo posso dizer que é comparável ao paninho sujo. Maltrapilho, velho, rasgado, gasto e sem utilidade. Mas nas horas desesperadas é ele o protagonista de segundo escalão que não conseguimos descartar.

 

Fica ali naquele cantinho escuro amontoado com várias coisas inúteis. Só percebemos na hora da faxina e ao invés de se livrar de vez daquele bendito paninho sujo dobramos ele mais um pouquinho e entocamos no fundo daquele armário ou gaveta.

 

E de quem é a culpa? Minha? Sua? Nossa? Tenho o poder nas mãos como um Nero em fúria de acabar com toda a glória majestosa da vaidade soberana, mas recuo diante do poder da ausência com que me importar.

 

Como uma droga que vicia naquele ciclo de dependência senil e absoluto, o paninho sujo fica ali entocado na vida ocupando espaço. A gente sabe que é uma porcaria, mas tem apego! Mas só em pensar que amanhã ele não poderá estar mais ali causa aflição, formigamento e uma náusea irracional do que poderia ter sido e o que foi desprezado pelas convicções mascaradas de auto-afirmação de uma egolatria velada.

 

Não é uma necessidade. É um desejo causado por uma carência interna por falta de percepção e da construção de uma realidade sólida. Pura substituição afetiva que super valoriza o ser comum e coloca a própria existência na base da cadeia alimentar.

 

Acho que a melhor coisa neste momento é comprar um paninho novo. Não adianta lavar o sujo. Ele é resistente a água ficando sempre encardido. Porém, o mais engraçado de tudo é que com o tempo o paninho novo será o novo paninho sujo. Ironias da vida.

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Written by Babi Arruda

06/11/2009 às 16:23

Publicado em Crônicas

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2 Respostas

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  1. já te falei, meu paninho vai pro mar na virada…

    não tem aquele papo de “ano novo, vida nova”

    então vamos trazer para a realidade e fazer acontecer!

    Naya

    06/11/2009 at 16:54

    • Mas te falei: vc vai ter que trocar um ideia mto forte com Yemanjá pq se for um paninho MTO sujo ela manda a onda te devolver, hahaha

      Babi Arruda

      06/11/2009 at 17:01


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