A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Teorias equivocadas sobre o romantismo

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romantic

Disseram-me que ando muito romântica e digo com todas as letras que o romantismo não tem nada a ver com o amor, mas sim com a falta dele. Sim, pois quem está com seu coração repleto e pleno não fala sobre bobagens açucaradas nem escreve poemas melosos. Simplesmente doa todo esse sentimento ao ser amado.

 

Aquele que não pode se doar faz isso. Escreve meia dúzia de palavras botininhas, com rimas cafonas e uma grande dose de drama, praticamente uma carta de suicídio poético para preencher essa lacuna amorosa.

 

Não estou sendo rude. Mal comecei a dissertar. Estou descrevendo a vida como ela é: sem eufemismos, metáforas ou qualquer outra coisa que queira chamar. Só não acho errado colocar a verdade de forma transparente.

 

Prestem atenção. Quem ama desesperadamente e tem seu amor correspondido não tem tempo para mostrar ao mundo toda essa imensidão de sentimentos. Obviamente irá despejar tudo isso no objeto (?) de seu afeto porque afinal, ele é todo o motivo para tamanha extravasão de sentidos.

 

Já aqueles que amam sozinho são poetas depressivos que adoram um texto molhado com lágrimas de sangue e declarações autodestrutivas para chamar atenção. Nada como um verso “quando olhares para trás não me encontrarás ali” para alimentar sua auto-estima fragilizada.

 

Portanto, esses também não falam de amor. Falam da saudade, da ausência, da dor de seguir sozinho com seus sonhos destruídos de felicidade.

 

Agora reparem naqueles que não possuem um amor ou uma neurose (às vezes as pessoas cismam que estão apaixonadas). Esses vivem sua vida a falar de amor, a escrever canções delirantes, suspirantes, ávidas por um amor qualquer.

 

O poeta vive de sonhos e de desejos irrealizados. Não existe a literatura dos plenos e convictos. As incertezas caminham junto com o questionamento, com aqueles que não se contentam com o óbvio e o monótono.

 

O romantismo está nas mãos dos escritores desalmados, sem pudores e clichês de classe média. Eles conseguem sentir toda a intenção, o sarcasmo e palavrear pleonasmos carinhosos. Algo meio subversivo, irritante e um pouco irônico.

 

*Publicado em 18/09/2009

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Written by Babi Arruda

03/11/2009 às 17:04

Publicado em Crônicas

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