A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Estar só e não ser solitária

leave a comment »

Only

Não quero acordar e ver o banco vazio. É uma solidão forçada ao meio de tanto caos pessoal. Como se uma força estranha me empurrasse para uma direção que sempre fiz questão de fugir.

 

Não quero correr para este lado do parque. É muito escuro e frio. Não quero ver o que se esconde atrás daquelas velhas árvores secas e retorcidas. Formas medonhas, um tanto assustadoras até mesmo para o mais forte dos homens.

 

Quisera poder voltar ao antigo campo de trigo, onde brincava de esconde-esconde com as outras crianças. Dias claros e ensolarados onde a felicidade se fazia presente sem pedir licença.

 

E agora, por onde ando? Sem sol ou céu azul, apenas uma promessa fria de chuva e o vento gelado a bater no meu rosto para secar as lágrimas que cismam em cair compulsivamente. Uma tristeza sem fim com passos curtos e solitários, chutando as folhas caídas no chão.

 

Uma sensação de impotência e incompetência como que limitadas pela ação do tempo. Tudo que sonhei não saiu do papel, das minhas inspirações, aspirações e ilusões. Ficou ali impregnado pelo descaso, pelo fracasso do acaso das minhas convicções idiotas.

 

Por hora quero ficar só. Preciso ficar só e mesmo assim não ser solitária. Antagônico, complexo, paradoxo, mas se assim não fosse seria monótono e sem graça como todo aquele que tem certezas de suas certezas.

 

Trocarei de nome, jogarei fora todas as minhas roupas, mudarei a cor do cabelo, não mais desfilarei com sapatos altos, esquecerei que já foi inventado o rímel e só pintarei minhas unhas de branco.

 

Se for preciso farei tudo isso porque para nascer é preciso morrer e não há morte sem sacrifícios e não há vida sem revolução.

 

Finalmente vou me olhar no espelho e a imagem refletida será uma lacuna do meu inconsciente medroso e frágil. Um aspecto secundário que cansou do ostracismo e quer ser o protagonista. Um teatro sem platéia, um ator sem emoção.

 

Sim, eu preciso me encontrar. Nem que para isso eu me desencontre com o resto do mundo, porque se eu não seguir este caminho, nunca mais verei o sol ou voltarei a brincar nos campos de trigo. Estar só e não ser solitária. Solidão do eu e o vazio das multidões precisam deixar de existir.

 

*Publicado em 04/09/2009

Anúncios

Written by Babi Arruda

03/11/2009 às 16:56

Publicado em Crônicas

Tagged with , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: