A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Solidariedade cifrada

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solidariedade

“De acordo com a definição usual, valores imateriais como a inteligência, cultura, arte, beleza e amor não existem para o avarento, pois tais elementos são abstratos e não podem ser convertidos em dinheiro”

  

Money, money, money…money makes the world go around, world go around…e assim caminha a humanidade, seja ela de primeiro, de segundo ou de terceiro mundo. Tudo é uma questão monetária, fundiária, latifundiária, agrária…enfim, o peso das coisas é medido por cifras verdinhas e não por valores intangíveis que constroem a personalidade de uma pessoa ética.

 

Pois afinal, o que é ética nos dias de hoje?! O que vale mais, a complexidade de uma verdade sem retorno ou a simplicidade de uma mentira lucrativa?! Estamos na era da sociedade do ter e não do ser. E o pior, ter sem compartilhar!

 

O absolutismo das idéias em relação ao poder econômico já ultrapassou a visão dos mais pessimistas marxistas, o que dirá dos ingênuos otimistas que ainda acreditam na solidariedade humana?! É só olhar as manchetes dos jornais todos os dias e deparar com a triste realidade da pura falta de generosidade.

 

E quando falo em generosidade, não falo somente na distribuição de dinheiro, mas também do alimento principal das relações humanitárias que é o amor, a compaixão ao próximo, o sentimento de caridade que faz de você uma pessoa melhor.

 

O mundo está carente não só de soluções econômicas para balancear a desigualdade financeira entre os povos, mas também de ações mais ostensivas para erradicar o excesso de egoísmo e mesquinhez que toma conta da alma coletiva planetária. Estamos ficando doentes e cada vez mais sozinhos!

 

Sim, sozinhos, solitários, pois o avaro só tem a própria ganância como companhia e vou dizer que esta parceira cobra um preço muito alto pelos seus serviços. Ela não admite concorrentes nem colaboradores. Ela elimina todo e qualquer sentimento que possa fazer seu hospedeiro dividir sua atenção.

 

Talvez não sejamos avarentos a vida inteira, mas existem certos momentos em que nos tornamos avaros. Um dos maiores exemplos disso é o divórcio. Sim, o tão temido divórcio litigioso. Esse é o preferido! Nessa hora, amor, respeito, bom senso e solidariedade são esquecidos num piscar de olhos.

 

Quando se coloca na mesa os bens construídos durante uma vida inteira, a ganância trata logo de fazer conchavos com dois colegas chamados rancor e mágoa. Eles são péssimos conselheiros e adoram causar intrigas e confusões.

 

E com isso, aquela mão amiga que dá o afago carinhoso vai desaparecendo nas relações interpessoais. Os olhares se tornam frios e distantes. As pessoas viram meras estranhas, estrangeiras dentro das próprias casas. O cotidiano passa a ser um bom dia gélido e um boa noite seco. As palavras consoladoras desaparecem dos dicionários amorosos e o abraço aconchegante vira um artigo raro, dado somente no seu travesseiro de penas de ganso importadas.

 

*Publicado em 25/04/2008

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Written by Babi Arruda

26/10/2009 às 16:18

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