A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Contos de Zakhara – Parte IV

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safira

Tiraram minha liberdade. Fui enganada e enganaram aqueles que amo. Fui tratada como uma escrava e como uma mulher sem virtude. Questionaram minha honra e jogaram meu nome na lama da maledicência.

 Acabaram com o meu noivado e para recompensar o mal que eu supostamente fiz, Naila ofereceu Amina como substituta à esposa com garantia de que esta filha tinha virtude para honrar a família de Rashad.

Fiquei sete dias e sete noites confinada numa tenda, com guardas a me vigiar, quando finalmente meu pai veio falar comigo:

 “Safira, serei muito breve e você me escutará calada e obedecerá minha decisão. Você desonrou esta casa e o nome desta família. Graças a Kor sua mãe está morta para ver esta vergonha. Já perdi um filho e não quero ser o culpado de acabar com o outro fruto de meu amor com sua mãe. Por isso, não irei sujar minhas mãos com o sangue de uma mulher sem virtude. Tu irás embora desta casa e seguirá o seu caminho.

 O que aconteceu aqui será esquecido e não será comentado. Este segredo morrerá comigo. Naila e Amina estão proibidas de comentar. Os servos que sabem de alguma coisa, mandei cortar suas línguas para que nunca falem sobre isso. Nadim e Rashad deram sua palavra de honra de que também esqueceriam este assunto.

Por isso, você irá embora daqui hoje à noite. Um camelo com suas coisas e provisões vai estar a sua espera. Nunca mais volte a esta casa, pois ela já não é mais sua e eu não tenho mais uma filha chamada Safira”.

 Ele se levantou e virou as costas, eu disse:

 “Pai, por favor, me conceda a oportunidade de lhe falar pela última vez”. Ainda de costas ele disse: “Fale, mas não me chame mais de pai”. Então repliquei: “Não guardo ódio ou rancor do senhor pela injustiça que está cometendo comigo. Amo-lhe muito para isso e sei que não tens culpa da armadilha que armaram para me separar desta casa. Um dia, os ventos irão retirar a névoa que encobrem os seus olhos e aí então, o senhor enxergará a verdade e sentirá que algumas vezes, ela pode ser mais amarga que o próprio fel”.

 E ele foi embora e eu fiquei ali chorando o meu próprio infortúnio. Jurei que um dia iria desmascarar a serpente travestida de mulher e restaurar minha honra perante meu pai e a família de Rashad.

 Logo após a saída de meu pai, consegui que uma serva de minha confiança – Wafa’ – fosse até a tenda me ver. Pedi a ela que fosse entregar um bilhete para Rashad e que ninguém poderia saber disso. Ela concordou de pronto. Wafa’ gostava muito de mim, pois foi ela quem me amparou quando minha mãe morreu, considerando-me como uma filha.

 No bilhete pedi para Rashad se encontrar comigo a noite, num ponto já afastado de minha tribo. Pedi também para que ele levasse duas servas de sua confiança para que minha virtude fosse testada. Passei a tarde inteira ansiosa por sua resposta. Afinal, não sabia como ele iria reagir.

 Quando Wafa’ voltou dizendo que ele concordara de ansiedade passei para a expectativa e tristeza, pois sabia que esta seria a última vez no qual veria e falaria com o meu amado.

 Como meu pai havia dito, um camelo com alguma de minhas coisas mais as provisões estavam a minha espera. Meu coração parecia estar na boca do estômago.

 Mas quando estava partindo para ir de encontro a Rashad, vejo duas formas na sombra iniciando uma palestra. Quando me aproximo vejo Naila conversando com… Sim! É ele! Nunca esqueceria o seu sorriso de escárnio. O homem que fingiu ser meu amante. Agora percebo um símbolo em sua roupa. Tem a marca dos Ghost Warriors. E escuto Naila falar:

 “Muito bem homem. Aqui está seu pagamento. Você e sua tribo têm me servido muito bem. Eliminaram minha rival e seus dois filhos bastardos. O serviço foi melhor do que eu esperava. Continuem assim e vocês serão muito bem recompensados”.

 Então, parece que sentindo minha presença, ambos olharam para trás. Escondi-me nas sombras e cuidadosamente fui embora. Senti o meu corpo inteiro ficar gelado. Aquela mulher era a única culpada da queda de minha casa e minha família.

 Este é o fim da quarta parte da queda de minha casa e de minha família.

 

*Publicado em 11/04/2009

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Written by Babi Arruda

26/10/2009 às 16:10

Publicado em Série Contos de Zakhara

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