A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Contos de Zakhara – Parte III

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Safira

“Sagrada Hakyiah, que os seus ventos sublimes se transformem numa tempestade pelo deserto, remexendo a areia, revelando todos os segredos que um dia alguém com medo da realidade, escondeu para se alimentar de suas próprias ilusões. Que seja mostrada a direção para a verdade, acabando de vez com a angústia desta tua serva, que nesta teia do destino foi amarrada com as mentiras de pessoas impuras. Oh doce Hakyiah, mostre que o subterfúgio da mentira nada pode contra a força da verdade, que deve guiar os nossos passos para a iluminação”.

(Safira Alima Souad)

Eu acreditava que nada mais poderia atingir a honra e a dignidade de minha família. Mas eu estava enganada. Subestimei os desejos de glória e poder de Naila, sem contar a paixão obsessiva de Amina por Rashad.

Um dia ao final da tarde, quando estava terminando de fazer minhas orações, Naila veio ao meu encontro desesperada. Pedi para que se acalmasse e me contasse o que estava acontecendo. Foi então que ela disse que Amina caíra acamada e que nenhuma erva ou sacerdote conseguira descobrir o que ela tinha muito menos curá-la.

Foi então que ela me pediu para ir até a tribo de Rashad procurar por uma sacerdotisa, que segundo ela, era muito poderosa e a única solução para o problema de sua filha. Compadeci com suas palavras e com seu desespero, afinal estava ali diante de mim uma mãe desesperada com a enfermidade da filha.

Logo me aprontei e segui viagem até a tribo de Rashad. Aqui começa a terceira queda de minha casa e de minha família.

Com pouco tempo de viagem, encontrei pelo caminho um homem que gritava por ajuda. Ele estava próximo a uma tenda montada no meio do deserto. Comovida pelo seu apelo, fui de encontro a ele para tentar auxiliá-lo.

Quando me aproximei ele disse que estava com o filho dentro da tenda, que havia sido mordido por uma serpente. Eu disse para ele se acalmar, que eu iria ajudá-lo. Quando entrei na tenda, percebi que ali não havia ninguém e que a tenda estava muito bem arrumada, com almofadas, comida e perfumada por incensos.

Ao olhar para trás, vi o homem com um sorriso de escárnio. E ele disse para mim: “Tola…não sabes que é você quem foi mordida por uma serpente?!”. Neste momento, ele disse mais algumas palavras e me senti como se estivesse hipnotizada.

Ele pediu para que eu me deitasse nas almofadas e começou a tirar o meu véu e minha aba. E falou mais uma vez: “Hum, acho que não precisamos fingir uma noite de amor pequena…afinal você é bonita demais para ficar tudo numa encenação”.

Ele começou a tirar a roupa dele vagarosamente com aquele sorriso malicioso nos lábios. Pegou uma taça de vinho e ascendeu um narguile. Então começou a tirar minha roupa, mas teve dificuldade porque comecei a espirrar continuamente.

Nesse momento, escuto uma voz familiar gritando: “Veja você com seus próprios olhos Karim. E verás que eu digo a verdade. Sua filha é uma perdida. Ela desonra toda a tua descendência e o nome de tua casa. E tu Rashad, não conheces a mulher que te prometeram como virtuosa. É melhor que saibas agora Sheik Nadim, pois não quero ser a portadora de desgraçada para tua família!”… Era a voz de Naila.

Olho para a entrada da tenda e vejo Naila, Amina, meu pai, o Sheik Nadim e Rashad me olhando aterrorizados. Quando me livro finalmente do feitiço que me tolhia os sentidos, já era tarde de mais. Ajoelhada, pedindo que me escutassem, que aquilo não era o que parecia e que estava muito longe de ser a verdade, meu pai me pegou pelos cabelos e foi me arrastando para fora da tenda até a nossa casa.

O que ele me disse prefiro não transcrever porque pretendo esquecer cada palavra que cortaram meu coração e minha alma muito mais do que uma scimitarra.

Este é o fim da terceira parte da queda de minha casa e de minha família.


*Publicado em 05/04/2008

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Written by Babi Arruda

22/10/2009 às 01:13

Publicado em Série Contos de Zakhara

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