A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Contos de Zakhara – Parte II

leave a comment »

Safira

Os anos se passaram e aconselhado por todos meu pai decidiu desposar outra mulher chamada Naila. Aqui começa a história da segunda queda.

No começo considerei boa a presença de Naila em minha casa, pois trouxe um pouco da alegria de meu pai de volta. Porém, como a verdade não pode ser escondida durante muito tempo, ela se revelou uma das pessoas das desonradas que conheci.

Apesar de tudo, não sinto ódio ou rancor, apenas pena porque infelizmente ela só conhece as verdades nebulosas de suas próprias ilusões de poder e ambição.

Vivendo as sombras do amor que meu pai sentia pela minha mãe e também pelo carinho que dedicava a mim, Naila consumida pelo ciúme, pela inveja e pela sede de poder, começou a mostrar o propósito de sua presença ali.

Como meu pai nunca desistiu de encontrar meu irmão, ele viajava muito com seus homens numa busca inútil e desatinada. E aproveitando de sua ausência, Naila começou a descontar em mim toda a sua frustração por nunca ter de verdade o coração de meu pai.

Perdi completamente minha liberdade. Quando meu pai estava fora, eu era tratada como sua escrava particular, permanecendo boa parte do tempo amarrada e acorrentada na tenda servindo aos seus mais pérfidos caprichos. Todos os horrores e crueldades de torturas físicas e psicológicas eu sofri nas mãos desta mulher impura. E os castigos só pioravam, principalmente, depois que meu pai começou a construir um harém e o nascimento de minha irmã Amina Maysa’.

Nunca tive a oportunidade de ser amiga de minha irmã. Ela me tratava com desprezo e desdém. Amina me considerava uma ameaça aos seus sonhos de princesa. Ela me achava submissa, confundindo submissão com conciliação e paz de espírito, afinal, sempre tive a certeza que a areia do deserto pode esconder um tesouro durante longos anos, mas um dia, os ventos irão desvendar a localização do esconderijo e aí então, a luz do ouro brilhará mais forte aos olhos daqueles que fogem da verdade.

Minha única alegria era quando meu pai regressava ao lar e quando me era permitido conversar com o meu noivo, meu amado Rashad Sabih Sharif, filho de um Sheik de uma outra tribo menor.

Devido ao apoio dado nos momentos difíceis de nossa casa, o pai de Rashad – Sheik Nadim Nasih Sharif – se tornou um grande amigo de meu pai, nascendo um elo muito forte entre as duas tribos. E para selar essa lealdade entre as duas casas, eu fui prometida a Rashad.

E isso foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida, pois ele era um homem bom, íntegro, honrado além de muito bonito. E o nosso amor cresceu como um oásis no meio do deserto – de forma límpida e cheio de esperanças.

Mas Naila tinha outras pretensões em sua cabeça. Ela achava que Amina deveria se casar com Rashad e se tornar a princesa das duas tribos.

Este é o fim da segunda parte da queda de minha casa e de minha família.


*Publicado em 27/03/2008

Anúncios

Written by Babi Arruda

22/10/2009 às 00:58

Publicado em Série Contos de Zakhara

Tagged with ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: