A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

Estética perfeita

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Olá Caixa de Pandora,

 

Como você está?!

 

Depois de mais de um ano e meio abandonada e deixada de lado por forças maiores que o meu desejo, volto aqui minha querida para abastecê-la de Esperanças!

 

Talvez não só de esperanças! Talvez também com um pouquinho de indignação, repúdio e arrepios calamitosos diante de tanta barbárie que assola a nossa sociedade de hoje. O status quo continua tão hipócrita como há 20 anos e as pessoas mais intrigantes dentro de suas concepções pueris.

 

Não basta ser, o importante é ter e manter as aparências confeccionadas em série, pois o fora do comum é o fora do normal aceitável. Ser feliz não basta! Você tem que ter atitudes programadas e passos teleguiados. Não, não basta o ser individual, único, diferenciado, você tem que ser ordinário! Sim, a palavra de ordem é básico! Comum! Normal! Enfadonhamente burocrata!

 

E olha que eles são que nem gafanhotos em lavouras. Vêm de bando como pragas a distorcer o que é real, o que é legitimamente belo. Quando você menos espera vem um para cima de você com estéticas, convenções, convicções, rejeições, sermões, trilhões de palavras rebuscadas e sem sentido moral, imoral ou amoral.

 

São eles os olhos, os ouvidos e as bocas levianas da sociedade. Os guardiões das tábuas da lei, da ordem e é lógico, das estéticas. Ai o que seria de mim sem a doce, meiga e delicada estética perfeita! O poeta já dizia não me venham com estéticas. Olha só como esse problema estético vem de longe, muito longe. Cruzou o oceano e fundou a sociedade civil brasileira.

 

Ai, o berço da boa convivência e da conveniência! O que esperar de um agrupamento primata que vive a se admirar no espelho das suas próprias vaidades?! Um bando que se afoga nas poças vertiginosas de seu próprio umbigo?! Que vive em regime de comodato com a ironia e a verdade relativa absoluta?!

 

A estética é o combustível dos hipócritas, o alimento dos juízes e o veneno dos inocentes!

 

Quisera eu me livrar das amarras dos puritanos e dos salvadores da nação. Eles vivem a me vigiar, preocupados com minha saúde moral. Uma ovelha negra, uma rebelde sem causa ou simplesmente uma doida desvairada. O que eles precisam é soltar as cordas e cuidar de um gato. Um bichano dócil e amável que irá preencher o vazio de sua existência.

 

Afinal, eles são estéticos, não se esqueçam! Só sabem adular o exterior, o apresentável, o tangível aos olhares conservadores. A massa que compõe o interior do objeto não importa, é descartável, inútil, desvalorizado, também, não muito usado, atrofiado, limitado, consternado!

 

Por isso, viva a democracia, mesmo que ela não seja aplicada no dia-a-dia. Viva a igualdade, mesmo que ela não seja usada com justiça. Viva a liberdade, mesmo que você nunca a tenha conhecido. Viva a piedade, mesmo que você nunca tenha sentido na pele. Viva a compaixão, mesmo que até hoje você não saiba qual é o sentido real dessa palavra. E por fim, viva o amor, mesmo que ele se limite a sua imagem distorcida no espelho do vizinho!

 
*Publicado em 15/02/2008

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Written by Babi Arruda

21/10/2009 às 19:05

Publicado em Crônicas

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