A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

A invasão da cibercultura no cotidiano de crianças e adolescentes

leave a comment »

Em meio aos novos desafios do homem moderno, a informática e as novas tecnologias de comunicação se firmaram como agentes facilitadores do cotidiano, atingindo de um modo geral  todas as camadas da sociedade, independente de sexo, faixa etária ou classe social

 

Hoje em dia, quem não sabe mexer em um computador está fadado ao atraso profissional e porque não dizer a um atraso também no estilo de vida, se vendo presas as amarras de uma época pré-histórica e excluído da era digital dominada pelas lan houses, cibercafés e cyber offices.

 

Parece que as crianças e os adolescentes já nascem com um manual de instrução de como navegar na internet, jogar games online, participar de chats, utilizar e-mails, enfim, toda a parafernália que acompanha as tendências da cibercultura.

 

E devido a todo esse avanço, a esse abuso excessivo, que diversos profissionais vêm discutindo os benefícios e malefícios da internet e da tecnologia em relação ao desempenho na escola, a saúde física e mental dessas crianças e adolescentes.

 

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope, referente ao mês de setembro de 2003, os adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos, são os que passam mais tempo na internet com uma marca de 13 horas e 14 minutos por mês. Quase uma hora a mais que a média nacional de 12 horas e 28 minutos. Já as crianças de 6 a 11 anos passam 4 horas e 51 minutos. (Fonte: Correio Braziliense)

 

A pesquisa foi realizada há três anos, mas já dá para ter certo parâmetro sobre o comportamento dos jovens hoje em dia que têm como sua principal forma de entretenimento as famosas lan houses, que viraram uma febre nacional por proporcionar acesso ilimitado a internet, chats e principalmente, jogos online.

 
A Lei nº 12.228
Essa transformação no hábito das crianças e adolescentes foi tão avassaladora que o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, sancionou em 11 de janeiro deste ano, uma lei para disciplinar as atividades dos estabelecimentos comerciais que ofertam a locação de computadores e máquinas para acesso à internet.

 

A Lei Estadual nº 12.228 determina que esses estabelecimentos criem e mantenham um cadastro atualizado de seus usuários contendo os seguintes dados: nome completo, data de nascimento, endereço, telefone e documento de identidade. Ela também diz que serão proibidos a venda e o consumo de bebidas alcoólicas, cigarros e a utilização de jogos ou a promoção de campeonatos que envolvam prêmios em dinheiro.

 

Além disso, menores de 12 anos não podem permanecer no local sem o acompanhamento de, pelo menos, um de seus pais ou do responsável legal devidamente identificado; adolescentes de 12 a 16 anos só podem permanecer no estabelecimento com uma autorização por escrito dos pais e menores de 18 anos só podem ficar após a meia-noite se também levarem uma autorização por escrito. Cumprido todos esses requisitos, o usuário menor de 18 anos ainda deverá informar no cadastro a filiação, o nome da escola em que estuda e horário das aulas.

 

As lan houses e afins também deverão tomar outras medidas necessárias a fim de impedir que menores de idade utilizem contínua e ininterruptamente os equipamentos por período superior a três horas, devendo haver um intervalo mínimo de 30 minutos entre os períodos de uso.

 

Com certeza, essa lei abalou a estrutura de muitas lan houses e cibercafés por aí, que tiveram apenas um mês para se adaptar a todas as exigências impostas para não tomar uma multa no valor que pode variar de R$ 3.000,00 a R$ 10.000,00.

 

A justificativa para tal medida baseia-se no fato de que, até a aprovação da nova norma, boa parte dos crimes cometidos contra empresas e pessoas através dos meios eletrônicos acontecia de forma absolutamente anônima nesses lugares. Isso ocorria porque eles não tinham obrigação legal de identificar seus clientes.

 

De acordo com Sueli Aparecida Quintas e Carlos Dias Pereira Gomes, donos da Vision Lan House, situada na cidade de Santos, no litoral paulista, essa lei não trouxe muita mudança na rotina do estabelecimento, pois já adotavam o sistema de cadastros e termos de autorização: “Não sei quanto aos outros estabelecimentos, mas aqui sempre houve uma preocupação em informar os pais sobre que os filhos estão fazendo”.

 

Sueli ainda argumenta que se aparecer uma criança em horário escolar, com uniforme e mochila nas costas, ela não deixa entrar porque provavelmente ela deve estar “bolando aula”. Ela conta que um dia quando abriu a loja entrou um menino de uniforme e mochila, às nove horas da manhã. Ela abriu a máquina para ele, mas imediatamente ligou para a mãe do garoto, que ficou furiosa ao descobrir que seu filho estava “matando aula”.

 

Por outro lado, os donos da Vision Lan House acham que a pesquisa escolar das crianças menores de 12 anos ficou prejudicada porque a maioria dos pais não pode ficar no local com os seus filhos.

 

Mas obviamente que mesmo que algumas lan houses e cibercafés já seguissem algumas normas determinadas pela lei, a quantidade de horas freqüentadas por crianças menores de 12 anos diminuiu e consequentemente o prejuízo financeiro é sentido no bolso. Sem contar o fato que muitos pais usam as lan houses como uma espécie de “creches” para seus filhos, algo semelhante ao que ocorreu com o advento da televisão, que virou uma “babá eletrônica”.

 
Games X Violência
Uma outra discussão que está em pauta é a violência em demasia nos games. Os jogos de violência acabam influenciando no caráter da criança, na medida em que estão, progressivamente, substituindo as amizades.

 

Vários estudos diferentes realizados em crianças e adolescentes de idades diferenciadas comprovam que a reação de uma criança que passa horas jogando esse tipo de jogo, é muito mais agressiva ou hostil do que a de uma criança que não costuma jogar ou que não possui tanto contato com esses games.

 

Por isso é muito importante a presença e acompanhamento da família para nortear e transmitir valores e normas, além de questionar e refletir sobre a qualidade do divertimento de seus filhos.

 

Se, desde cedo, não forem impostos limites ao uso de games com temas violentos pelas crianças e adolescentes, com certeza acarretará, no futuro, na formação de jovens com fortes tendências à violência e hostilidade.

 

Para uma sociedade cada vez mais violenta, esta geração vai ter uma conduta com atos cada vez mais negativos se continuar a brincar com os atuais jogos de computador e não dedicar algum do seu tempo a fazer outras coisas.

 

Em referência aos pais dos jovens dessa geração e também das próximas gerações, é muito importante que as crianças sejam estimuladas às atividades diversas como a leitura, a escrita, as brincadeiras ao ar livre e a interação com outras crianças, tudo isto essencial para o bom desenvolvimento.

 

Fonte: Revista Eletrônica dos alunos de Informática da Universidade Luterana do Brasil – Ulbra – Trechos do Artigo: Games e a Formação da Criança

 

 
O Computador e a Escola
Embora estejamos cientes de que estamos vivendo na era da informação rápida e ilimitada, sabemos que o uso sem limites da internet pode comprometer o rendimento escolar, fazendo com que os jovens vivam mais a “realidade virtual” do que a realidade real. Mas, quais são as conseqüências dessa inversão de papéis?

 

É muito difícil responder essa pergunta tendo em vista que para garantir o seu espaço no mercado de trabalho é necessário ter uma ótima desenvoltura com a informática e estar “antenado” com tudo que acontece no mundo.

 

Mas segundo a pedagoga Cristina Helena Lopes, que trabalha com crianças do Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental há 20 anos, os maiores resultados dessa overdose digital é que na hora de fazer uma redação eles não conseguem escrever com coerência, pois já estão acostumados a terem alguém para pensar por eles, no caso o computador.

 

“Por um lado a internet é muito boa porque dá acesso fácil a informação, mas por outro ela é uma incentivadora de mentes preguiçosas porque eles não conseguem mais usar a língua portuguesa. Só usam a linguagem da internet”, fala Cristina que enfatiza o fato das crianças de hoje em dia não saberem usar o dicionário ou então travarem na hora de interpretar um texto.

 

Ela ainda dá um exemplo que aconteceu com sua própria filha que tinha que traduzir um livro de inglês. Toda preocupada, a pedagoga foi logo em busca de um dicionário para ajudar a filha. Quando foi ver, ela já havia traduzido o livro inteiro apenas apertando um único botão no computador.

 

A grande verdade é que o governo gasta boa parte do orçamento com campanhas de incentivo a leitura enquanto as grandes editoras lançam cada vez mais no mercado versões multimídia de clássicos para ver se chama a atenção do pequeno leitor, ou melhor dizendo, do pequeno telespectador.

 

O que se discute nas grandes rodas de pesquisadores e educadores é até onde o computador e a internet são benéficos na formação cultural de crianças e adolescentes. Até onde eles estimulam o raciocínio sem atrofiar a criatividade.

 

São questões como estas que deixam muitos pais preocupados sobre como lidar com o mundo informatizado, em saber diagnosticar qual é o limite entre a boa educação e o uso desmedido da informação. Como limitar sem prejudicar o futuro de seus filhos.

 

Cristina finaliza dizendo que a grande preocupação dela como educadora é formar pessoas que sejam capazes de emitir opinião, utilizando todas as ferramentas que desenvolvam um raciocínio lógico e coerente, e que acima de tudo, saibam separar o joio do trigo, ou seja, assimilem tudo aquilo que for útil e apertem o botão “delete” para o que for desnecessário.

 
Como fica a saúde?
Diz aquele ditado que tudo que é em excesso também prejudica e nesse caso específico os prejuízos podem ir muito mais além do que sonha nossa vã filosofia, porque infelizmente a criança e o adolescente ainda não possuem experiência de vida o suficiente para visualizar que o uso intensivo e prolongado do computador pode acarretar problemas de saúde tanto física como psicológica no futuro.

 

Prova disso é que houve um aumento de freqüência de LER (Lesões por Esforços Repetitivos) nos últimos anos devido o uso excessivo de computadores e jogos eletrônicos em crianças e adolescentes.

 

Os sintomas mais comuns consistem em dores nos membros superiores, em tarefas que envolvem movimentos repetitivos ou posturas forçadas. Os pais devem orientar a postura correta em frente do computador e limitar as horas de uso da internet e de videogames. (Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia)

 

A Dra. Roseni Lopes Bertini Bueno, médica anestesista especializada em terapia da dor, alerta que o abuso não é só físico, mas também emocional, porque cada vez mais os jovens estão se tornando pessoas nervosas, ansiosas e estressadas, limitando sua vida social a tela de um computador.

 

“O que impressiona é que para eles não existe mais nenhuma atividade enquanto estão na internet ou então jogando. Eles não correm, não jogam bola, não se exercitam. As conseqüências disso são: problemas posturais, comprometimento da musculatura, das articulações e desenvolvimento de doenças tipicamente restritas ao ambiente de trabalho como a DORT (Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho) e que hoje está atingindo toda essa molecada”, completa Dra. Roseni.

 

O que ela argumenta é que as repercussões desse excesso digital vão aparecer lá na frente, jovens de 26 anos com problemas de pessoas idosas como artrose, dores mio faciais e problemas na coluna. Isso sem mencionar outro fator gravíssimo que é o sedentarismo e a obesidade.

 

A dica que a Dra. Roseni dá é que os pais procurem negociar com os filhos, arrumando atividades mais saudáveis que desenvolvam o físico e que trabalhe com outros grupos musculares, além de descansar a mente.

 

Mesmo podendo ocasionar tantos problemas, a Dra. Roseni acredita que o computador não é uma coisa totalmente negativa, pois ele desenvolve a coordenação motora e estimula o raciocínio rápido. O que deve ser feito é um trabalho de conscientização dos pais para que controlem a quantidade de horas dos filhos ao computador, para que desta forma não haja uma sobrecarga na coluna.

 

Já a fisioterapeuta especializada em postura, Samira Duarte Cassis, diz que o ideal seria que cada estabelecimento tivesse um programa de ergonomia, ou seja, adaptar o ambiente a atividade executada. Obviamente isso seria impossível em espaços tão amplos, pois não tem como realizar um estudo de cada indivíduo para fazer uma cadeira ou uma mesa adequada, única.

 

Outro ponto que ela ressalta é que deveria ter nas escolas um projeto de cinésio-postural, ensinando as crianças e os adolescentes qual a postura adequada para determinadas situações.

 

“O governador Geraldo Alckmin está agindo de forma correta sancionando essa lei, mas a educação também deve vir de casa. Os pais não podem permitir que uma criança fique, por exemplo, 10 horas sentada na frente de um computador”, argumenta Samira.

 

Por isso que para não adquirir vícios posturais, a fisioterapeuta recomenda que para cada 50 minutos, se descanse 10, procurando alongar as mãos e os braços, levantar e dar uma caminhada para esticar as pernas; se alimentar bem não ficando muito tempo sem comer nada e desenvolver outro tipo de hobby que não seja ligado ao computador.

 

*Publicado em 30/05/2006

Anúncios

Written by Babi Arruda

21/10/2009 às 18:40

Publicado em Reportagens

Tagged with , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: