A Esperança da Caixa de Pandora

Apesar de todo o caos ela existe!

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Entrelinhas do ego

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Enfadonhas. As pessoas estão enfadonhas. Esse negócio de comunicação imediata está deixando as pessoas enfadonhas. Tudo é uma questão de parecer ter e não de ser verdadeiramente. Não importa que não seja a sua realidade, o importante é que todo mundo “curte” e assim está bom.

Mau humor de boa vontade, mas prefiro classificar como um cansaço antropológico da sociedade moderna.  Uma mesmice arrogante e burra. Burra com toda aquela conotação pejorativa que invoca a palavra. Agora eu estou sendo arrogante. Tudo bem, tenho direito a sê-lo. Todo mundo por essas bandas da internet o é, por que eu não poderia? Quero estar na moda, in vogue.

No cotidiano as pessoas estão agindo como gados, manipuladas por intelectulóides habilitados para julgar, condenar e apontar o dedo na cara das pessoas com uma prepotência mascarada de valores. Salvadores da boa conduta virtual. Entrelinhas do ego: paradigma contemporâneo.

Não há mais espontaneidade. As pessoas vomitam verdades como se o absolutismo existisse nas palavras. Elas vomitam vaidades absolutas porque não conseguem conter dentro de si tanto estrume. Não serve nem para adubar pensamentos.

E eu falando em pensamentos numa época onde as pessoas estão (ou são?) carentes de opiniões. Elas só sabem “curtir”, “compartilhar” ou “retuitar” e muitas vezes sem crédito. Criar, inovar, pensar é algo muito complexo e requer muito esforço por parte do ser humano, por isso se tornam inviáveis ao comodismo intelectual. Intelectual? (sic). É, hoje não estou romântica.

E o poeta estava certo quando concluiu “mas que maçada quererem que eu seja da companhia”. Que maçada a companhia e suas superficialidades. É muito macaco adestrado aplaudindo no mesmo circo.

Escrevo nas entrelinhas para não mexer com egos sensíveis. Desprezo os egos para que não hajam entrelinhas.

Escrito por Babi Arruda

14/03/2012 em 10:56

Sociedade da invisibilidade

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Temos vozes para gritar e mãos para gesticular, porém muitas vezes não somos ouvidos nem mesmo percebidos por aqueles que estão a nossa volta. Como se fôssemos seres invisíveis, transparentes nessa imensa aldeia global. Somos palpáveis, tangíveis, sólidos, no entanto, a cada dia que passa as pessoas não conseguem nos tocar, ou pior, preferem não tocar.

Viramos robôs sem percepções, angústias e amor. Tudo programado, arquivado e distribuído em série. As relações se tornaram frias e distantes, ao ponto de pessoas que vivem na mesma casa não se reconhecerem mais. Não trocam um simples bom dia.

Os sentimentos tornaram-se fúteis, piegas, coisa de gente brega que não tem o que fazer. Talvez por isso o número de jovens com depressão tem aumentado cada vez mais. Quem os escuta? Quem os acaricia?

Vamos, voltemos a programação de emoções politicamente corretas. Não há espaço para a solidariedade. Por que eu deveria me importar com o próximo? Ele que cuide dele, pois afinal, tenho meus próprios problemas para resolver. Temos que ser perfeitos, completos e desumanos. Esta é a lógica da sociedade da invisibilidade.

Se eu não olho para um ser humano pedindo esmola no meio da rua está tudo bem. Não estou vendo mesmo. Ela não está ali e por isso, não tenho nenhuma responsabilidade. Também, ele não é nenhum parente meu. O problema é do governo. Votei para isso. Cada macaco no seu galho e cada político com sua inércia social.

Não existe mais o calor humano, o afago sincero e as conversas nas mesas de bares. Todo amigo devia ser um psicólogo informal, aquele que escuta suas lamúrias e te dá uma bronca por estar cometendo o mesmo erro pela vigésima vez. Os amigos estão ficando transparentes.

A questão é que ninguém se importa com nada ou alguém que esteja fora do raio de seu umbigo. Um desprezo calculado de tudo que pode nos tornar gentil. Afinal, a gentileza só deve ser utilizada quando existe um interesse por trás, não é? Feliz é aquele que é mais malandro que a malandragem e dá nó em pingo d’água.

Estamos ficando com o coração translúcido. Ele não bate mais com tanta força. Para onde foi o cuidado com os sentimentos alheios? Onde nós colocamos a caridade? As ações estão se tornando invisíveis e a sociedade cada vez mais transparente, carente de humanidade. A sociedade de corações intangíveis.

Escrito por Babi Arruda

10/08/2011 em 11:01

Insanidade lúcida: um ensaio sobre a loucura

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Não adianta negar, camuflar a realidade, disfarçar com palavras rebuscadas e discursos categóricos: você também é neurótico. Sim, todos nós somos doidos de pedra e sim, todos nós precisamos fazer terapia, incluindo os próprios terapeutas. Lógico, haja mente sã para agüentar tanta loucura.

É irrefutável a mania e o descontrole que temos ao criar universos paralelos em nossa mente. Uma imaginação fértil é capaz de produzir a próxima guerra mundial e iniciar de vez uma revolução armada no mundo de Pollyana.

Não quero parecer uma pessoa vazia que utiliza a insanidade humana como desculpa esfarrapada para eximir de culpa a incapacidade coletiva. Mas contra fatos não há argumentos: não usamos nem 10% de nossa capacidade mental e muito menos estamos habilitados a lidar com tamanha complexidade.

Porém, o grande barato de tudo é que somos loucos que não assumimos a nossa loucura. Inventamos regras, status e palavras para mascarar nossas neuras e se justificar perante a sociedade. Nada mais insano que isso!

Existe o universo e o universo paralelo, aquele que só a nossa imaginação conhece. Acho que se lidássemos somente com o real não suportaríamos as pressões e nem saberíamos lidar com as cobranças e as expectativas.

Apesar de parecer simples querer ser verdadeiro e tratar com a verdade é a melhor opção para a vida, pergunto eu: qual verdade é absoluta? Tudo é relativo, subjetivo, um grande superlativo das ideias originais.

Possuímos uma fábrica de ilusões e alusões em nossa cabeça. As esperanças são baseadas em conceitos pré-moldados que ao longo do tempo sofrem ajustes para se adaptar ao momento de agora. Nada é visto pela sua natureza, mas sim com uma roupagem inventada dos nossos desejos.

A necessidade é apenas um coadjuvante na história que poderá, talvez, ter sua vontade suprida. Vale lembrar que a imagem que temos de nós mesmos é distorcida e fragmentada. Numa casa de espelhos vemos nossas múltiplas personalidades tão evidentes que acreditamos serem falsas.

Debater sobre a neurose e querer entender o quanto ela está enraizada em nossas atitudes é um exercício no qual o processo é muito doloroso. Tem que ter uma mente sã (sem demagogia) para suportar as descobertas.

Mas o pior de tudo é possuir uma insanidade lúcida, aquela que corroe a alma atrás de respostas, atormenta a mente com quebra-cabeças e maltrata o coração com angústias e momentos de solidão. Um ensaio sobre a loucura. Nada mais insano que isso!

Escrito por Babi Arruda

27/04/2011 em 12:17

Ode para o fim da lógica

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Lógica! Ordem! Pra quê? Onde encontrar? Por muitas vezes nos encontramos perdidos, sem saber para qual direção seguir. Como podem pedir para ter lógica? Raciocinar com clareza. Só pode ser piada! Nem sempre isso funciona porque não existe um botão de liga e desliga em nosso cérebro. Essa é a natureza humana. Caótica e passional!

Problemas, problemas e mais problemas! Ao meio de tanta desordem a sociedade ainda tem coragem de pedir bom senso. Ah, hoje eu não quero ter bom senso. Quero que me deixem em paz com minhas confusões e arbitrariedades.

Não vou seguir o manual. Sim, farei tudo que me der na telha, pois estou cansada de lógicas politicamente corretas. Você não pode fazer isso assim ou assado já está fora de moda e fora do meu vocabulário. Tenho limitações filosóficas marxistas, por isso o bem comum está fora de pauta, fora de órbita.

Meu universo paralelo está fechado para manutenção e não sei quando vai voltar a funcionar. O que me basta por hora é o tempo. Ele não me apressa, não me cobra e não me pede lógica. Aliás, ele se tornou meu melhor amigo e pior inimigo nos últimos tempos!

Esse negócio de bom dia sol, bom dia pássaros, bom dia luz da manhã é coisa de gente doida. Quem acorda feliz desse jeito? É abrir o olho para no momento seguinte se lembrar das contas a pagar, do pai doente, do namorado em crise existencial e do cachorro com vermes. Como se pode acordar com um sorriso no rosto feito propaganda de creme dental? Mentira pura!

Pare de racionalizar todos os passos. Calcular cada milímetro de pensamento. Vamos acabar com as ações programadas, os gestos ensaiados e as palavras coreografadas. Autenticidade está em vogue. Temos que superar nossas próprias expectativas e transformar o cotidiano em algo inesperado. Vamos fazer uma ode para o fim da lógica!

Ineditismo! Sim, vamos aderir a esta onda de coisas inéditas. Nada de clichês baratos e modelos conservadores. Quero ser eu mesma, sem amarras e convenções hipócritas. Aliás, chega de hipocrisias. Elas alimentam as ilusões dos falsos puritanos. Ninguém é melhor que ninguém. A sua religião não é melhor que a minha e muito menos a sua visão política é a soberana.

Não quero nada. Não espero nada de você e nem de qualquer outra pessoa. Essa é a melhor fórmula para ser feliz, pois viver da opinião alheia é como estar numa redoma. Não sou vitrine para ser analisada. Não sou mercadoria para ser comprada. Definitivamente não sou um objeto de estudo, por isso não posso ser aprovada ou desaprovada. Caia na real!

Ser livre acima de tudo e ficar livre da lógica! Pelo menos nesse momento! Nesse espaço temporal irracional da metafísica humana. Cansei de regras e grilhões. Estatutos e manuais de boas maneiras. Não quero ser educada e usar a diplomacia. Quero a verdade, nua, crua, absoluta, irracional e emocional.

Nada de estéticas perfeitas e raciocínios lógicos. Vou desfrutar o prazer de ser politicamente incorreta e não me importa se isso vai desagradar o imbecil coletivo. Quero viver no caos das minhas emoções ilógicas!

Escrito por Babi Arruda

10/02/2011 em 10:44

Urgências, intensidades e o fim do efêmero

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As pessoas confundem as coisas. Confundem urgências, intensidades com atropelos das palavras e a falta de seriedade com as coisas ditas e proclamadas. É infinitamente enfadonho ter que fazer uma leitura seletiva do comportamento de outrem. Separar o real, do possível e do imaginário. Muita coisa para um ser humano só.

Eu mal consigo lidar com minhas neuroses e ainda sou obrigada a fazer uma análise sócio-cultural-econômica das idiossincrasias alheias. Faça-me o favor, simplifique as coisas. Apesar de aparentar ter uma aptidão para psicologia, não sou muito amiga do Sr. Freud ou Sr. Jung. Eles me estereotipam demais.

Intenso nada tem a ver com o vazio das emoções. Ultimamente o ser humano está com uma mania chata de achar que o outro é um brinquedo novo que pode usado, abusado e depois de algum tempo pode ser largado ali no canto. Quando a sensação de novidade acaba, acaba também o fascínio. Simples assim, sem maiores dramas. Hoje acordei e decidi que o meu humano de brinquedo predileto não me diverte mais.

E onde foram parar o comprometimento e a responsabilidade por aquele que cativa? Ah sim, coisa boba isso. Um pequeno detalhe. Seres humanos não precisam cumprir as promessas. Tudo é muito efêmero e o dito naquele momento só é válido para aquele momento. Não peça mais que isso. O prazo de validade de uma frase é de no máximo algumas semanas. Não, é muito ainda. Alguns instantes, apenas!

Sim, isto é uma bravata contra a euforia desordenada daqueles que não conhecem suas emoções. Sinta, reflita e somente depois concretize em palavras, quando as certezas são certas e não há nenhuma possibilidade de um discurso “ahhh, não era bem isso, eu acho”.

Todos têm o direito de mudar de opinião. Não me tome por radical, porém esta mudança tem que ser coerente e não simplesmente acordei e tive uma epifania e agora descobri que não quero mais meu mundo assim. As coisas levam tempo para acontecer. As pessoas levam tempo para entender, assimilar, compreender e se acostumar.

As pessoas não são objetos, por isso não devem ser consumidas com prazos de validade. Elas são humanas e devem ser apreciadas em suas infinidades de qualidades e defeitos. Sim, defeitos, pois sem eles não haveria o encantamento da diversidade, do contrário. Ser perfeito demais não tem graça. Torna-se um conjunto de regras limitadas e andar dentro do limite dos sentimentos burocráticos é frio e distante.

Gosto de intensidade. Gosto de intimidade e de pessoas intimistas. Gosto de gestos acolhedores sem que isso invada meu espaço pessoal. Ter cuidados em relação a outra pessoa é necessário para suprir as urgências dos passionalistas, mas não necessariamente um ato dominado pela incoerência.

Cativar e manter cativo sem os grilhões e o cativeiro. Ser urgente e encantar com mimos sem que isso seja irresponsável e efêmero. As pessoas não são descartáveis. As pessoas são pessoas. Igualzinho a que você vê no espelho todos os dias.

Escrito por Babi Arruda

18/11/2010 em 10:49

Isso não é uma declaração de amor

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Não quero ser prolixa ou fazer rima para encantar seus olhos. Quero fazer apenas uma prosa simples e descomplicada para carinhar teu coração cansado de perdas e abdicações. Você não precisa se abdicar mais nem ter medo desse descompasso. Também ando descompassada. Bateu no mesmo ritmo acelerado.

Você argumentou que nunca escrevi uma linha sobre você, sobre nós dois. Olhe com mais cuidado. Há um pouco de você em cada frase contida, em cada suspiro abafado e em cada gesto exaltado. Todos os traços digitados remetem a nós dois, histórias preguiçosas de mim e de você invariavelmente. Essa é minha contestação tempestiva.

Esse é meu enredo, meu laço que me prende ao teu sorriso. Isso é o que me prende ao mundo de Morpheu. Quando você irá lá me resgatar? Então pegue na minha mão e caminharemos juntos nesse mundo, lado a lado. Você me dá o rumo.

O que me faz ter tanta certeza são todas as incertezas que tive na vida e que hoje são aprendizados que me custaram muito caro. Custaram pedacinhos singelos de minha alegria, da minha sanidade, de minha segurança e de minha alma perdida em esperanças.

E mesmo assim estou aqui olhando para você procurando entender onde você estava até agora. Perdido em deveres ou talvez esperando por este momento. Sim, nossa caixinha particular do tempo onde nada mais acompanha nosso ritmo, nossos mimos, nossos pequenos encaixes perfeitos.

Sempre gostei de chocolates, de alguns doces confeitados, de muito açúcar no mamão, mas agora descobri que gosto de mel. E por tentar te afastar de mim menti e disse que não gostava se quer de uma bala Juquinha. Sou uma mentirosa confessa, uma criminosa nada astuta.

Será isso um pecado para minha saúde emocional? Não sei responder a isso ou tão pouco vou me preocupar com detalhes bestas de excessos. Minha natureza pede por excessos, pois ela só sabe viver de exageros.

Vamos colocar as bobagens de lado. Prometo não implicar mais com suas meias. Não quero ser piegas publicamente. Ok, sou piegas, mas você é pernóstico. Isso é um fato sem contestação. Cedamos um pouco cada.

Chegue mais perto. Quero ver o brilho dos teus olhos e sentir o calor do teu corpo. Um beijo, dois beijos, beijo beijo. Incontáveis mimos que a distância impõe as nossas vontades. Horas que se tornam minutos quando estou do seu lado. Porque nunca há tempo suficiente para matar a saudade do seu sorriso e da sua preguiça.

Não, isso não é uma declaração de amor (sic). É uma declaração, sem direito a apelação, de bobeira poética aguda para te mimar.

Escrito por Babi Arruda

13/04/2010 em 15:52

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Armadilha da despercepção

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Hoje estou um tanto arredia. Também um pouco pensativa. Um pouco estremecida, nostálgica, enfurecida, carente, inofensiva e piegas. Um misto de tudo ou simplesmente a conclusão do vazio, do transitório. Acho que uma armadilha da despercepção. Sim, é isso. A fatídica revelação de que eu estava errada.

Talvez não errada, mas iludida com alguns conceitos mundanos sobre a teoria da relatividade nos relacionamentos humanos. Às vezes não fazemos questão de enxergar o óbvio e isso traz um acúmulo de camadas densas e obscuras. Uma dedicação unilateral.

Isso acontece sem percebemos. Uma despercepção mesmo. É muito mais fácil ver as coisas mais coloridas, com eufemismos e metáforas. Como se fosse um seriado americano água com açúcar. Assim não existe dor, defeitos nem contradições.

E isso é feito diariamente, em diversas situações, com variadas pessoas, basta apenas sonharmos alto, tirar os pés do chão para comprometer nossa visão. Digo até que os mais precavidos já foram pegos nessas armadilhas baratas. É um desejo inconsciente de se ver e ouvir o que alimenta o coração.

Nada tem a ver muitas vezes com o objeto em si ou então com as construções de comportamento, mas é somente pelo prazer de se ter algo, uma inspiração, um vislumbre do arquétipo de Romeu e Julieta. A imaginação segue fértil quando não se há cuidado com as ilusões e as concretizações do real.

O que fazer? Fique parado. O não movimento também é um movimento. Cautela. Observe a sala escura por mais tempo até os olhos se acostumarem com a escuridão, e aí sim, você consiga ver nitidamente todos os móveis sem confundi-los com sombras disformes.

Muito grave isso? Talvez sim ou talvez não. Tudo é uma questão de percepção daquilo que realmente somos, valemos e produzimos. Esses pequenos mimos compulsórios são fundamentais pra escaparmos de certas arapucas.

Não é uma tarefa fácil, porém necessária. Os estados de despercepção são muito sutis. Nos confundimos fácil, nos iludimos fácil e mais fácil ainda nos desiludimos, e quando isso acontece aparecem em nossa consciência umas coisinhas chamadas cicatrizes. E fiz uma leitura muito interessante sobre elas essa semana no blog SaiDaqui!, da @amanda_arm.

A priori elas podem até parecerem ruins, já que são causadas por descuido, no entanto, elas estão ali para nos lembrar que um dia fechamos os olhos para a realidade, demos passos em falso e não ficamos atentas aos sinais da vida.

Elas só são lembretes que um dia caímos em uma armadilha da despercepção. Elas são pequenas marcas que se bem cuidadas nos farão perceber que nem todos que sorriem cordialmente têm verdadeiro apreço pela sinceridade.

Escrito por Babi Arruda

18/03/2010 em 10:35

Afaste-se, perigo!

com 15 comentários

Não é mais possível continuar assim. Tinha uma placa de aviso: afaste-se, perigo, cuidado com as impossibilidades e os obstáculos invisíveis. Mas o que é a vida senão esperar por um alento, um afago, um afeto. Triste ironia humana, castigo para os tolos sonhadores atrás de utopias.

Eu tinha todas as provas à mostra, todos os argumentos disponíveis ali visíveis, nítidos, claros, sem contradição de fatos. No entanto, a imbecilidade faz parte das qualidades humanas e qualquer motivo passa a ser aceito para disfarçar o que não é tão bonito, o que não é tão correto e assim manipular o sistema. E sem cuidado algum, fui eu mais uma vez. Desolação. Esta é a conclusão.

Bem feito. Não tenho pena. Justo, merecido. Não fui enganada. Eu sabia de todas as condições. Simplesmente eu não poderia exigir algo que não tinha para me oferecer. Não tinha culpa do vazio das emoções e nem das inseguranças criadas pelo tempo.

E vencida pelo cansaço disse com um nó na garganta e o coração apertado: “Eu te deixo partir porque sei que você não vai conseguir me acompanhar”. Foram palavras arrancadas a sangue frio da minha consciência em minutos de lucidez. Mesmo invadida pelo desespero das últimas sílabas, mantive-me firme na finalização da sentença, esperando uma faísca de revolta para quem sabe talvez, mudar o curso da história.

No entanto, olhou no fundo dos meus olhos, com uma expressão de cachorro abandonado pela mudança e confirmou: “Sim, eu sei”. Não, não era para você saber de nada. Era para você refutar tudo, ficar bravo, estufar o peito e dizer: “Eu posso mudar isso. Eu posso alterar a sua órbita. Eu vou tentar”. Eu não queria o conformismo. Eu não queria a verdade.

Lamentos. De ambos os lados uma sensação de derrota pela fatalidade descrita. Nas lágrimas de um a ânsia de um desejo abafado e sufocado. Um exército de esperanças derrotado no fronte da batalha. Nos suspiros do outro uma sentença clara de covardia exaltada para que qualquer coisa não chegue perto e se mantenha afastada, como se um risco de contágio fosse eminente.

Eu não posso mais continuar assim contida, encolhida num canto escuro esperando um aceno, um convite e um olhar de ternura. Essa é uma boa hora para despedidas e chamar o caminhão da mudança. Vou mudar de endereço e me instalar na sobriedade da minha lógica. Necessário e imprescindível. Mas sempre quando a decisão se aproxima do fim, um sinal de desapontamento se manifesta do outro lado da sala e pergunta: “cadê você minha doce obsessão?”

Nessa hora eu me perco no tempo, no espaço das horas, dos minutos e dos segundos relembrando aquele gesto singular de consideração espontânea e inesperada que entorpece meus sentidos, limita minha visão e me coloca num estado de topor involuntário.

E com esse acaso despretensioso pondero que a única solução para mim é o sufrágio dos pensamentos e das interpretações de ocasião. Conveniência que mascara o óbvio. Subterfúgios de uma mente insana. E por fim, uma placa de aviso deveria ser colocada em meu próprio peito em um alerta compulsivo: afaste-se, perigo!

Escrito por Babi Arruda

04/03/2010 em 10:32

Embora por hora

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Eu sei que não há condições. Conheço suas limitações e as minhas intolerâncias. É triste, mas esta é a verdade explícita sobre nossa história. A negação não encontrará uma saída satisfatória para os nossos impasses. Embora por hora exista o desejo, por favor, bata a porta ao sair.

Não lamente querido. Não há necessidade disso. Deixe para lá essa desventura que eu também não lamentarei os infortúnios do seu coração covarde e da minha mente impaciente. As lágrimas derramadas não servirão para nada além de acentuar as marcas do tempo.

Não tenho ilusão de um final feliz e nem nunca tive. Apenas sonhei sozinha os acontecimentos do meu fantástico imaginário, você nada teve a ver com isso e nunca terá até porque você não gosta de fantasias reais e se esconde atrás dos diversos personagens. Criações de personas temos em comum, mas com a diferença que minha máscara não está pegada a face.

Pois é. Mais nada a dizer ou para contar. Já foi tudo contado em fábulas, em contos, em prosas sem rimas. Divagações rejeitadas, palavras sem sentido e frases com muita relevância me fizeram despertar para a realidade que estava ali amostra, porém ignorada por um pequeno detalhe logístico.

Mas agora isso não mais importa e nunca teve a importância no qual eu achava que tinha. Gostaria de manipular os fatos, distorcer as verdades. Eu só preferia não saber. Paciência, agora já foi. Não vou me abalar com vulgaridades inocentes.

Você achava que eu dizia apenas metáforas. Eu só usava eufemismos para não confundir sua memória. Você não entendeu e se omitiu, usou discursos sarcásticos e irônicos para negar o que hoje é uma realidade incontestável. Sim, me incomoda. Eu não pensei que fosse incomodar. Uma brincadeira de mau gosto do destino.

Isso prova que a gente só conhece a reação das coisas quando elas realmente acontecem. A teoria é muito cômoda e burocrática. Nada como uma pequena faísca para causar um incêndio. Mas fique tranqüilo que isso passa, embora por hora criou-se uma lacuna de decepção.

Amanhã vai ser um dia difícil, eu sei que vai. Não sei dar sorrisos amarelos e nem cumprimentos politicamente corretos, mas a filosofia do cotidiano andará comigo na praia de mãos dadas. Iremos ver as ondas do mar indo e vindo. Levando embora os equívocos e trazendo de volta a serenidade.

As coisas são como são e não cabe a mim ou a você julgá-las. Assim, aconteceu. Embora por hora não fosse o plano. Isso passa. Dê-me apenas 48 horas para digerir os fatos. Pensei estar acima desses sentimentos mundanos. Errei o prognóstico. Desculpe, não sou perfeita, mas gosto de você mesmo assim.

Não quero falar mais sobre isso. Esta realidade não me pertence. Vamos falar de você. Quero ouvir suas histórias, estar perto do seu mundo. Você é um amigo especial. Sorria e lembre-se que embora por hora exista uma leve sombra no olhar, a afinidade das nossas gargalhadas são gostosas demais para serem desprezadas e isso não tem preço nem tempo.

Escrito por Babi Arruda

27/01/2010 em 23:17

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Aquela música

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Aquela música! Pode-se ouvir todos os sons do universo e eles não fazerem nenhum sentido, mas aquela música deixa um estado de topor, de embriaguez contida, de sonhos perdidos e uma lembrança com cheio de perfume com suor na memória.

Nada demais a dizer, nenhuma palavra de grande impacto ou uma revelação calorosa de um segredo distante. Apenas uma melodia simples, uma voz suave para fazer o mundo girar, os pés saírem do chão e o início de uma confusão de sensações.

Muito desconcertante isso, como todas as vezes que fico esperando por uma resposta que nunca vem e que talvez nunca chegará. Com toda certeza quando eu ouço aquela música eu lembro de você. E com mais certeza ainda você nunca fará idéia disso porque entre os espaços do meu mau humor e do seu sarcasmo está um abismo de medos e incertezas. Histórias criadas como que uma lacuna de imperfeições da existência.

O mais engraçado de tudo é perceber as fragilidades nas entrelinhas de um discurso poético feito somente para impressionar a multidão, aos expectadores ávidos pelo espetáculo de um teatro amador. Roteiro muito bem elaborado, porém com algumas falhas na direção.

Não importa. Apesar de tudo sou tua platéia mais cativa e nunca se quer olhaste para mim sentada na primeira fileira com um sorriso largo e os olhos marejados de emoção. E toda vez ao escutar aquela canção, volto ao dia em que eras apenas uma impossibilidade.

Mas entre verdades, mentiras, ilusões e distorções está aquela música bendita que não sai da minha cabeça como se tivesse sido composta para infernizar meu bom senso e perturbar minha insanidade lúcida. Vivo entre o equilíbrio pomposo de uma intelectual falida e de uma adolescente dramática em plena menarca histérica e compulsiva.

E digo mais: essas frases, monólogos e composições de ideias nada mais são que delírios de percepção. A realidade é muito diferente, já dizia a letra. E eu preciso compreender que a distância está até onde eu coloco os limites.

Agora serei breve porque não posso mais perder tempo com divagações do existencialismo musical na minha vida tão regrada e certinha. A loucura está na ordem e não no caos como muitos imaginam. Melhor, idealizam! Idealizações são péssimas companheiras de travesseiro, de copo e de dias solitários.

Acho mais sensato não falar de esperanças para não me perder em passos descompassados e que por hora o melhor é ficar observando, quietinha no meu canto, imaginando suas imperfeições, rindo das minhas bobeiras e aguardando os dias chegarem. Eles sempre chegam na hora certa, ao som daquela música.

Escrito por Babi Arruda

08/01/2010 em 00:03

Publicado em Crônicas

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