Nem tudo é o que parece. As pessoas e as situações são muito mais complexas que um simples olhar baseado em achismos e suposições dos próprios conceitos. Os seres humanos são diferentes e o julgamento pode ser um equívoco sem volta. A percepção do real é uma linha tênue e muitas vezes nos precipitamos.
Entramos numa era onde julgar é natural, faz parte do dia-a-dia e nem é mais considerado um pecado assim. É tudo possível e permitido porque o ideal empregado é a velha fábula do ter e não do ser. Diria melhor, o importante é parecer. Sim, porque você não pode ter, mas se fingir que tem está tudo certo.
Não! Isso não está nada certo. Esses conglomerados de valores modernos são baseados na conveniência e no egoísmo, não respeitando os limites do espaço pessoal alheio. O julgamento é uma forma de preconceito velada que maltrata suas vítimas.
Mentiras sinceras não me interessam, nem muito menos verdades absolutas. O que interessa é o ser real do momento, olhando para as pessoas e acontecimentos com um pouco mais de compaixão e compreensão. Viver de uma percepção irreal é se jogar direto no abismo da ilusão.
As ideias que envolvem a realidade serão mais amplas se nós tivermos dispostos a enxergar as coisas claras e infinitas, sem convenções paralelas. Mente coesa e tranqüila traz mais benefícios para aqueles que sabem viver sem a presunção de serem os perfeitos. Porque ainda digo que o que mais existe são os perfeitos idiotas.
Não quero viver em um mundinho supondo suposições. Considero estrelismo barato de pessoas ordinárias e medíocres que passam pela vida julgando o próximo pela ótica do seu umbigo e nem se quer conseguem se olhar no espelho tamanha é a distorção entre o fabricado e a realidade.
E infelizmente afirmo que essas pessoas são a maioria porque a sociedade criou um legado de aparências e sofisticações do superficial, transformando as coisas em sentido conotativo. Quisera eu poder falar com toda força que as relações humanas são denotativas. Seríamos todos muito mais felizes sendo o ser real.
Já dizia o poeta que “o essencial é saber ver, saber ver sem estar e pensar, saber ver quando se vê, e nem pensar quando se vê, nem ver quando se pensa”. Uma sentença confusa a priori, mas que demonstra toda a simplicidade de uma alma que sente o real como a única forma de convivência lúcida. O ser real é essencial!









