Feeds:
Posts
Comentários

O ser real

Nem tudo é o que parece. As pessoas e as situações são muito mais complexas que um simples olhar baseado em achismos e suposições dos próprios conceitos. Os seres humanos são diferentes e o julgamento pode ser um equívoco sem volta. A percepção do real é uma linha tênue e muitas vezes nos precipitamos.

Entramos numa era onde julgar é natural, faz parte do dia-a-dia e nem é mais considerado um pecado assim. É tudo possível e permitido porque o ideal empregado é a velha fábula do ter e não do ser. Diria melhor, o importante é parecer. Sim, porque você não pode ter, mas se fingir que tem está tudo certo.

Não! Isso não está nada certo. Esses conglomerados de valores modernos são baseados na conveniência e no egoísmo, não respeitando os limites do espaço pessoal alheio. O julgamento é uma forma de preconceito velada que maltrata suas vítimas.

Mentiras sinceras não me interessam, nem muito menos verdades absolutas. O que interessa é o ser real do momento, olhando para as pessoas e acontecimentos com um pouco mais de compaixão e compreensão. Viver de uma percepção irreal é se jogar direto no abismo da ilusão.

As ideias que envolvem a realidade serão mais amplas se nós tivermos dispostos a enxergar as coisas claras e infinitas, sem convenções paralelas. Mente coesa e tranqüila traz mais benefícios para aqueles que sabem viver sem a presunção de serem os perfeitos. Porque ainda digo que o que mais existe são os perfeitos idiotas.

Não quero viver em um mundinho supondo suposições. Considero estrelismo barato de pessoas ordinárias e medíocres que passam pela vida julgando o próximo pela ótica do seu umbigo e nem se quer conseguem se olhar no espelho tamanha é a distorção entre o fabricado e a realidade.

E infelizmente afirmo que essas pessoas são a maioria porque a sociedade criou um legado de aparências e sofisticações do superficial, transformando as coisas em sentido conotativo. Quisera eu poder falar com toda força que as relações humanas são denotativas. Seríamos todos muito mais felizes sendo o ser real.

Já dizia o poeta que “o essencial é saber ver, saber ver sem estar e pensar, saber ver quando se vê, e nem pensar quando se vê, nem ver quando se pensa”. Uma sentença confusa a priori, mas que demonstra toda a simplicidade de uma alma que sente o real como a única forma de convivência lúcida. O ser real é essencial!

Embora por hora

Eu sei que não há condições. Conheço suas limitações e as minhas intolerâncias. É triste, mas esta é a verdade explícita sobre nossa história. A negação não encontrará uma saída satisfatória para os nossos impasses. Embora por hora exista o desejo, por favor, bata a porta ao sair.

Não lamente querido. Não há necessidade disso. Deixe para lá essa desventura que eu também não lamentarei os infortúnios do seu coração covarde e da minha mente impaciente. As lágrimas derramadas não servirão para nada além de acentuar as marcas do tempo.

Não tenho ilusão de um final feliz e nem nunca tive. Apenas sonhei sozinha os acontecimentos do meu fantástico imaginário, você nada teve a ver com isso e nunca terá até porque você não gosta de fantasias reais e se esconde atrás dos diversos personagens. Criações de personas temos em comum, mas com a diferença que minha máscara não está pegada a face.

Pois é. Mais nada a dizer ou para contar. Já foi tudo contado em fábulas, em contos, em prosas sem rimas. Divagações rejeitadas, palavras sem sentido e frases com muita relevância me fizeram despertar para a realidade que estava ali amostra, porém ignorada por um pequeno detalhe logístico.

Mas agora isso não mais importa e nunca teve a importância no qual eu achava que tinha. Gostaria de manipular os fatos, distorcer as verdades. Eu só preferia não saber. Paciência, agora já foi. Não vou me abalar com vulgaridades inocentes.

Você achava que eu dizia apenas metáforas. Eu só usava eufemismos para não confundir sua memória. Você não entendeu e se omitiu, usou discursos sarcásticos e irônicos para negar o que hoje é uma realidade incontestável. Sim, me incomoda. Eu não pensei que fosse incomodar. Uma brincadeira de mau gosto do destino.

Isso prova que a gente só conhece a reação das coisas quando elas realmente acontecem. A teoria é muito cômoda e burocrática. Nada como uma pequena faísca para causar um incêndio. Mas fique tranqüilo que isso passa, embora por hora criou-se uma lacuna de decepção.

Amanhã vai ser um dia difícil, eu sei que vai. Não sei dar sorrisos amarelos e nem cumprimentos politicamente corretos, mas a filosofia do cotidiano andará comigo na praia de mãos dadas. Iremos ver as ondas do mar indo e vindo. Levando embora os equívocos e trazendo de volta a serenidade.

As coisas são como são e não cabe a mim ou a você julgá-las. Assim, aconteceu. Embora por hora não fosse o plano. Isso passa. Dê-me apenas 48 horas para digerir os fatos. Pensei estar acima desses sentimentos mundanos. Errei o prognóstico. Desculpe, não sou perfeita, mas gosto de você mesmo assim.

Não quero falar mais sobre isso. Esta realidade não me pertence. Vamos falar de você. Quero ouvir suas histórias, estar perto do seu mundo. Você é um amigo especial. Sorria e lembre-se que embora por hora exista uma leve sombra no olhar, a afinidade das nossas gargalhadas são gostosas demais para serem desprezadas e isso não tem preço nem tempo.

Algumas pessoas simplesmente jogam a felicidade fora. Vivem dentro de seus mimos e visões deturpadas sobre a realidade dos fatos, escolhendo o orgulho como conselheiro. Brincam de vítimas para atrair a atenção e fazem um espetáculo de chantagem emocional.

Nada pior que brincar de roleta russa com a própria felicidade, com a própria vida. Essa eterna mania de complicar as coisas, dificultar a comunicação não leva a lugar nenhum a não ser a solidão e ao arrependimento. Depois não adianta chorar pelo leite derramado e pedir para tentar compreender suas atitudes infantis.

Chega uma hora em que é preciso crescer e se desprender do conceito egocêntrico, onde só os seus sentimentos possuem valor, onde sua dor é maior e os seus problemas são os mais difíceis. Isso é coisa de adolescente sem assunto, rebelde sem causa e sem juízo.

A vida não é preto e branco nem muito menos possui tons de cinza. Ela é muito colorida. Diversidade de opiniões e de ações. Diversidade de realidade, por isso a sua verdade nunca é absoluta.

Não queria que você sofresse assim, mas vou ser obrigada a dizer na sua cara: pare agora ou a amargura e o escárnio aparecerão no seu caminho e a única culpada será você porque não ter conseguido conter sua impetuosidade e sua ânsia por independência.

Busque a prudência. Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua. É possível que você não consiga atravessar de volta e o que você deixou do outro lado do caminho vai fazer falta e apertar o seu coração de saudade.

Valorize mais as pequenas coisas, as atitudes singelas, as pessoas com seus gestos simples, mesmo que eles sejam completamente diferentes dos seus. Existe amor nas diferenças, existe solidariedade no oposto.

Não despreze um ser humano. Com certeza ele não merece seu desdém se lhe dedica algum tipo de afeto. Preste atenção nas pessoas que te oferecem carinho. Alguma coisa especial elas vêem em você.

Vamos acabar com esta chantagem emocional que você faz em você mesma, para sua auto-estima. Depreciar o reflexo no espelho não é uma atitude inteligente. Não existe respeito se não existe uma auto-valorização.

Se as coisas aconteceram assim é porque tinham que acontecer ou então suas atitudes levaram a isso. Não jogue o peso das suas inconquistas nas costas de outro. As inconquistas são suas, como as conquistas também. Batalhe por elas e pare de chorar e lamentar o destino.

Eu estou fazendo um apelo. Pode considerar uma chantagem se quiser, eu não me importo, mas não se abandone e nem deixe as pessoas te abandonarem. Tenha a certeza que isso está doendo muito em mim, mas é para o seu bem. Pare com a auto-sabotagem. Pare com esta chantagem emocional a si mesma.

Aquela música

Aquela música! Pode-se ouvir todos os sons do universo e eles não fazerem nenhum sentido, mas aquela música deixa um estado de topor, de embriaguez contida, de sonhos perdidos e uma lembrança com cheio de perfume com suor na memória.

Nada demais a dizer, nenhuma palavra de grande impacto ou uma revelação calorosa de um segredo distante. Apenas uma melodia simples, uma voz suave para fazer o mundo girar, os pés saírem do chão e o início de uma confusão de sensações.

Muito desconcertante isso, como todas as vezes que fico esperando por uma resposta que nunca vem e que talvez nunca chegará. Com toda certeza quando eu ouço aquela música eu lembro de você. E com mais certeza ainda você nunca fará idéia disso porque entre os espaços do meu mau humor e do seu sarcasmo está um abismo de medos e incertezas. Histórias criadas como que uma lacuna de imperfeições da existência.

O mais engraçado de tudo é perceber as fragilidades nas entrelinhas de um discurso poético feito somente para impressionar a multidão, aos expectadores ávidos pelo espetáculo de um teatro amador. Roteiro muito bem elaborado, porém com algumas falhas na direção.

Não importa. Apesar de tudo sou tua platéia mais cativa e nunca se quer olhaste para mim sentada na primeira fileira com um sorriso largo e os olhos marejados de emoção. E toda vez ao escutar aquela canção, volto ao dia em que eras apenas uma impossibilidade.

Mas entre verdades, mentiras, ilusões e distorções está aquela música bendita que não sai da minha cabeça como se tivesse sido composta para infernizar meu bom senso e perturbar minha insanidade lúcida. Vivo entre o equilíbrio pomposo de uma intelectual falida e de uma adolescente dramática em plena menarca histérica e compulsiva.

E digo mais: essas frases, monólogos e composições de ideias nada mais são que delírios de percepção. A realidade é muito diferente, já dizia a letra. E eu preciso compreender que a distância está até onde eu coloco os limites.

Agora serei breve porque não posso mais perder tempo com divagações do existencialismo musical na minha vida tão regrada e certinha. A loucura está na ordem e não no caos como muitos imaginam. Melhor, idealizam! Idealizações são péssimas companheiras de travesseiro, de copo e de dias solitários.

Acho mais sensato não falar de esperanças para não me perder em passos descompassados e que por hora o melhor é ficar observando, quietinha no meu canto, imaginando suas imperfeições, rindo das minhas bobeiras e aguardando os dias chegarem. Eles sempre chegam na hora certa, ao som daquela música.

Barraco virtual

Antigamente tudo era resolvido no “tête-à-tête”, no olho no olho, mano a mano. Agora não é mais necessário estar presente fisicamente para causar brigar, intrigas e confusões acaloradas. A internet veio para facilitar a vidinha medíocre de pessoas covardes.

Nada contra barracos homéricos, acho-os até muito divertidos quando não são comigo (pra falar a verdade, até quando o são…rss), mas atualmente você não precisa mais sair do conforto do seu lar para ver uma lavação de roupa suja. Basta você ligar o seu computador e se plugar nas redes sociais.

O Orkut costumava ser uma boa fonte de histórias cabeludas, bate boca através de scraps. Aí ele começou a ficar muito chato, com possibilidade de bloquear tudo. Parte da fantasia perdeu a graça e hoje não é mais como antes.

Porém, o mundo virtual não iria deixar nós pessoinhas de coração preto e seco que nem ameixa sem nossa novelinha mexicana online. Eis que surge o twitter para consolar os órfãos e suicidas orkutianos.

Sim e o melhor do twitter é que a notícia vai na velocidade da luz. Não importa se você deu “block” em determinada pessoa. Ela poderá continuar a falar mal de você na timeline e uma hora ou outra você irá saber, porque as entrelinhas do twitter têm muito mais de 140 caracteres.

Tem dias que a minha timeline está um espetáculo. Faço uma pipoquinha e começo ver as palhaçadas criadas por mulheres mal amadas ou chutadas de escanteio, biscas oferecidas e namoradas com ciúmes das ex do namorado.

Morro de rir com tamanha babaquice! As provocações são das mais diversas. Tem barraco de tudo que é tipo: grosseiros, escancarados, os camuflados com eufemismo, os camuflados com metáforas e tem também as mensagens subliminares. Ah, essas são minhas prediletas porque nesse tipo a pessoa tem que ser muito boa. Nada melhor que um tapa na cara virtual inteligente.

Não sou a favor do barraco virtual, mas se for fazê-lo que seja com muita elegância, porque para brigar com alguém publicamente tem que ter classe, tem que ser chic, manter a linha de raciocínio coerente e usar corretamente as normais gramaticais. E infelizmente o que mais tem são pessoas apelativas, lixão social virtual.

Por isso, vou deixar aqui algumas dicas para se ter um “epic win” nos barracos virtuais:

- Cérebro – inteligência é fundamental. Não é legal ficar desenhando as coisas;

- Argumentos – só inicie uma discussão se você tiver background suficiente para alimentar sua posição. Nada pior que palavras vazias;

- Classe – não custa nada reafirmar isso. Elegância é muito importante para manter o nível da novela, afinal se é para ficar famosa que seja uma barraqueira global;

- Esperteza – não provoque quem está quieto. Isso é um fato. Existe grande probabilidade de você perder uma discussão porque foi mexer com quem não devia;

- Sarcasmo – imprescindível para tirar a outra parte do sério;

- Ironia – para quando tudo mais falhar seja irônica;

- Sangue frio – Nunca coloque os dedinhos nervosos para trabalhar no calor da emoção. Aguarde o momento certo para dar o KO.

Certa vez um repórter perguntou para um filósofo: o senhor tem twitter? O grande sábio contemporâneo responde: Não obrigado, eu sou feliz! Os grandes pensadores que me desculpem, mas eu tenho twitter e sou feliz!

Acho muito descaso intelectual achar que quem gosta de redes sociais é uma pessoa com dificuldade de relacionamentos pessoais. Concordo que a internet facilita muito as coisas para quem é mais tímido, mas julgar uma pessoa como problemática só porque está inserida em várias redes sociais é bobagem.

Lógico, temos que contabilizar uma minoria que realmente tem sérios problemas de ajustes sociais e que usam a internet como a única forma de contato com pessoas. Esses precisam de ajuda profissional e não desprezo acadêmico.

Posso dizer com muita garantia que o twitter, por exemplo, me ajuda a expandir ideias, amplia meus conhecimentos e além de me proporcionar algo que nunca irei esquecer: amigos! Sim, são virtuais, a maioria está do outro lado do Brasil, mas não importa. Tem aqueles também que moram na mesma cidade, mas que por um acaso ou outro, nunca conheci pessoalmente. Enfim, conheci pessoas incríveis e fantásticas que gostaria muito que estivessem mais perto.

Aliás, esse é o grande problema do twitter. Você conhece pessoas interessantes demais e reza para que algum dia de sua vida você consiga dar um abraço nessa pessoa. Sei que o relacionamento humano tem que ter toque, gestos, pessoalidade, mas a convivência também pode ser adquirida por palavras.

As palavras cativam, inspiram, fazem a gente sonhar. Elas unem as pessoas pelo sentimento de amizade, companheirismo, amor e até mesmo paixão. Não existe banalidade entre pessoas que trocam diversas palavrinhas por dia, com prazer e gratificação.

Pessoas de pensamentos afins nem sempre estão ao nosso lado. E entristece muito quando se descobre um dia que apesar de estar a poucos centímetros de seus dedos no teclado, na vida real o desejo de estender esse contato às vezes fica muito difícil.

Tenho amigos que conheci virtualmente que sabem mais da minha vida do que pessoas que moram na mesma cidade que eu. Eles conhecem minhas angústias, alegrias, sonhos, tristezas, torcem comigo, ficam desapontados quando não respondo uma mensagem, sentem saudades. Os sentimentos são diversos, as expectativas, ilusões e desilusões.

O mundo virtual brincando de mundo real. É um paradoxo, mas esses são os tempos modernos. Essa é a nova modalidade de relação interpessoal. Recheada de palavras, fotos e webcam. A tecnologia é um fato. Vamos incorporá-la sem preconceito, sem desdém.

Por isso, os filósofos tradicionalistas, os antropólogos conservadores e os psicólogos de vanguarda que me perdoem. Estou imersa em várias redes sociais e não sou psicopata. Um pouco louca, talvez. Mas tudo dentro dos padrões da insanidade lúcida. Sou viciada em twitter. Sou viciada em ideias, conhecimento, agilidade. Sou acima de tudo, viciada em pessoas incríveis que me completam e me acrescentam.

* Dedico este texto para os meus amigos: @pedroturambar, @fouquet, @ateucristao, @gruhn, @tcavalcanti, e @w_chaos. (Dois desta lista já consegui dar um abraço pessoalmente =D)

Quero acalanto

Chegue mais perto. Sente-se aqui ao meu lado e conte-me uma história. Mas uma história cheia de fantasias com personagens elegantes e apaixonados. Quero um pouco de contos encantados na minha vida. Cansei de desencantos. Quero acalanto. Só quero um tanto.

 

Nada de ilusões e cenários distorcidos. Isso é para os tolos que fecham os olhos para as possibilidades reais. Eu quero uma boa prosa, sincera, simples, diária. Quero a palavra espontânea, elogiosa, sarcástica e quem sabe levemente maliciosa. Mas aquela malícia boa que faz brilhar os olhos.

 

Um querer displicente, despretensioso. É assim que começa os melhores quereres da face da terra. Aqueles assim que chegam devagarzinho, sem pedir licença, com uma fala mansa e poética. Poeta de ocasião, não importa.

 

Uma tonteira gostosa que desperta um sorriso agradável, aqueles que dão uma coceirinha na boca do estômago. É, pois é. Às vezes uma ligeira falta de ar, um rubor na face, uma respiração mais descompassada. Não é preciso nada muito complexo. Coisa simples sabe: o importante é a lembrança, os gestos simples.

 

Quero acalanto. Quero esperança. Quero jogo de palavras e palavras jogadas no canto da sala, uma taça de vinho e o mistério de um olhar próximo, direto, quieto.

 

Estou aqui esperando aquela história prometida. Quem sabe? Inocência, impaciência, indolência. Não quero saber se é isso ou aquilo. Só quero sentir o que me faz bem, o que me faz voar e ser livre como o vento. O que me faz menina singela, Lolita por instantes.

 

Por favor, sente-se ao meu lado e pegue uma xícara de café. Vamos falar sobre os tempos de infância ou sobre qualquer coisa que você queira. É muito gostosinha essa proximidade inventada com palavras curtas. Hora de esticar a prosa. Vai ser bom.

 

Conte-me um segredo. Vamos criar elos misteriosos e perigosos de trocadilhos e eufemismos para os desejos contidos pelo espaço. Um lapso, mas um fato a espera de readaptação. Sejamos objetivos.

 

Porém, contudo, no entanto, todavia queria mais proximidade. Um pouco mais de toque, pele com pele, um cheiro inesperado ou simplesmente um abraço apertado. Mas deixa isso pra lá. Depois que os verbos acabarem e os versos esgotarem suas rimas cheias de predicados. Um tanto difícil porque é infinitamente irresistível largar esse vício prolixo.

 

Chegue mais perto. Não tenha medo. Seja apenas inconsequente e insensato, tudo com muito tato. Delicado. Malicioso. Encantado. Poético. Safado. Quero acalanto. Só um tanto, por enquanto, cubra-me de palavras, de prosas e histórias. Aceito tudo obediente e ofegante, por hora.

Bom dia por quê? Por que esta alegria contagiante? Qual a necessidade de mostrar os dentes? Coisa mais pedante e desnecessária, sem falar que é desgastante o ato de simpatia gratuita. Ser simpático cansa, dói o maxilar ficar sorrindo pra tanta gente. Por favor, deixem-me em paz com meu mau humor, meu vício, minha cafeína diária é essencial para me manter lúcida.

 

Essas questões ordinárias de rapapés criam rugas na minha testa e eu não quero perder meu mau humor com isso. Nada como acordar sisudo, mudo e com cara de poucos amigos. Aquele olhar de indiferença para o dia que está nascendo é uma técnica maravilhosa de manter pessoas chatas bem longe de você.

 

Já tentou conversar com alguém assim pela manhã? Um soco na boca do estômago, um despertar magnífico para a realidade. Como se tivesse uma placa no peito: Não se aproxime. Cão bravo! Melhor segurança para o seu sossego matinal. Muito maçante ficar conversando pela manhã. Não tem necessidade de gastar as palavras assim de imediato.

 

Não venha com o papo de quem é mal humorado é infeliz. Bobagem, manifestação calamitosa do desconhecido. A diferença é um estado de conscientização aguda do real. Nada de felicidade espontânea, coisa para bobos e apresentadores de televisão.

 

O meu mundinho tem espaço delimitado. Não ultrapasse a linha do bom senso e da sua segurança pessoal. Eu mordo e sou feliz assim. Dou risada quando quero, quando acho necessário e engraçado. Fora isso não me incomode com demonstrações públicas de bom humor organizacional.

 

Não me entenda mal. Eu não sou mal educada. Apenas não vejo lógica em sorrir para um desconhecido. E se ele for um serial killer? Matarei minha consciência de culpa quando ele ficar de bom humor ao cortar meu corpo em pedacinhos? Por isso prefiro meus lábios fechados. Cautela. Prudência senhores.

 

Bom humor é algo que se adquiri com o passar das horas ou não. Agora acordar com ele de livre e espontânea vontade, saltitante e serelepe não faz sentido. Melhor você ficar aí e eu aqui e mudos de preferência. Também não sorria para mim.

 

Essas argumentações acaloradas e cheias de sorrisos não servem para mim. Meu mau humor é saudável, questão de sobrevivência e preservação da espécie. Chega até ser engraçado. Pelo menos eu divirto meus amigos com minha antipatia. Quer coisa mais simpática que isso?

sexy

A sensualidade nunca pode ser confundida com vulgaridade. A mulher pode ser sexy sem se expor ao ridículo. Ser charmosa incentiva a auto-estima, promovendo segurança e o bem-estar. Conhecer seus pontos fortes e saber usá-los pode tornar o relacionamento interpessoal muito mais caliente. Enfim, o segredo é ser uma biscate elegante!

Engana-se a mulher que acha que colocar a bunda pra fora ou então transformar os próprios seios em dois holofotes é o ápice da sensualidade. Isso não só vulgariza como também abre um precedente enorme para que os homens tratem as mulheres como um objeto fútil e sem valor.

Óbvio que mostrar a bunda para qualquer um e a toda hora é um direito seu. Só não cobre ser tratada como uma lady depois. Não sou moralista ou beata de igreja, mas para cada tipo de comportamento existe um tipo de resposta, reações e conclusões.

Não pense que desfilar com um shorts com a metade do glúteo aparecendo e colocar um top de oncinha vai fazer você ser comparada a Angelina Jolie (eterna diva *_*). Mesmo porque isso é vulgar e está muito longe de ser considerado sensual.

A sensualidade não está na super exposição do corpo, mas sim em gestos, olhares, caras e bocas e sim, muita inteligência para saber fazer isso na hora certa, com a pessoa certa, no local certo. Ter noção desse “timing” faz toda a diferença entre ser uma mulher confiante nas questões de comportamento relativo a sexualidade.

Muito me entristece ver a meninas de hoje totalmente vulgarizadas, empobrecidas e emburrecidas com conceitos distorcidos sobre sexo, sedução e relacionamento homem/mulher. A grande maioria possui um ego fraco escondido atrás de uma persona emocionalmente instável que frente a qualquer palhaço se desrespeita.

Se hoje os homens tratam boa parte das mulheres como se fossem meretrizes filhinhas de papai, parte da culpa é da classe feminina que não se valoriza, não impõe limites e confundem liberdade sexual com libertinagem.

Se a sociedade hoje ainda é muito machista, a culpa também é das mulheres que criam homens com mentes limitadas, acostumados a enxergarem as mulheres como objetos acéfalos. Concordo que realmente algumas o são, mas não se pode generalizar.

O cenário só irá ser modificado quando as mulheres de fato começarem a usar o cérebro como mais um item de conquista, charme e sedução. A embalagem é importante, não vou ser hipócrita, mas saber usar a imagem com charme faz toda diferença na exploração da libido.

Realmente ter sexy appeal não é para qualquer uma. Até porque mesmo para ser uma biscate conceituada é preciso ter elegância. O mercado anda muito concorrido e marketing pessoal é fundamental para a valorização do produto.

Paninho sujo

paninhob

Às vezes não consigo entender porque determinadas pessoas importam em demasia. Elas não têm nada de especial ou acrescentam alguma magia especial na vida. Muito pelo contrário: muitas vezes só aborrecem, desgastam, irritam.

 

Mas com o passar das horas estão ali, incomodando, desviando a atenção, direcionando os esforços. Alguma boa alma poderia me explicar tal razão sem razão? Isso não tem propósito. Argumentações inválidas e sem sentindo algum.

 

Poderia colocar a culpa nas relações políticas internacionais ou no aquecimento global. Mas não posso enganar a minha consciência neurótica. São questões que estão além das normas, da burocracia e do perceptível ao olho nu. Como tudo que não tem explicação a priori, eu poderia dizer. É necessário perder a eloqüência para compreender determinados resultados.

 

A ciência está muito longe de explicar esses achismos proféticos da personalidade humana. Contudo posso dizer que é comparável ao paninho sujo. Maltrapilho, velho, rasgado, gasto e sem utilidade. Mas nas horas desesperadas é ele o protagonista de segundo escalão que não conseguimos descartar.

 

Fica ali naquele cantinho escuro amontoado com várias coisas inúteis. Só percebemos na hora da faxina e ao invés de se livrar de vez daquele bendito paninho sujo dobramos ele mais um pouquinho e entocamos no fundo daquele armário ou gaveta.

 

E de quem é a culpa? Minha? Sua? Nossa? Tenho o poder nas mãos como um Nero em fúria de acabar com toda a glória majestosa da vaidade soberana, mas recuo diante do poder da ausência com que me importar.

 

Como uma droga que vicia naquele ciclo de dependência senil e absoluto, o paninho sujo fica ali entocado na vida ocupando espaço. A gente sabe que é uma porcaria, mas tem apego! Mas só em pensar que amanhã ele não poderá estar mais ali causa aflição, formigamento e uma náusea irracional do que poderia ter sido e o que foi desprezado pelas convicções mascaradas de auto-afirmação de uma egolatria velada.

 

Não é uma necessidade. É um desejo causado por uma carência interna por falta de percepção e da construção de uma realidade sólida. Pura substituição afetiva que super valoriza o ser comum e coloca a própria existência na base da cadeia alimentar.

 

Acho que a melhor coisa neste momento é comprar um paninho novo. Não adianta lavar o sujo. Ele é resistente a água ficando sempre encardido. Porém, o mais engraçado de tudo é que com o tempo o paninho novo será o novo paninho sujo. Ironias da vida.

Postagens Antigas »