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Quero acalanto

Chegue mais perto. Sente-se aqui ao meu lado e conte-me uma história. Mas uma história cheia de fantasias com personagens elegantes e apaixonados. Quero um pouco de contos encantados na minha vida. Cansei de desencantos. Quero acalanto. Só quero um tanto.

 

Nada de ilusões e cenários distorcidos. Isso é para os tolos que fecham os olhos para as possibilidades reais. Eu quero uma boa prosa, sincera, simples, diária. Quero a palavra espontânea, elogiosa, sarcástica e quem sabe levemente maliciosa. Mas aquela malícia boa que faz brilhar os olhos.

 

Um querer displicente, despretensioso. É assim que começa os melhores quereres da face da terra. Aqueles assim que chegam devagarzinho, sem pedir licença, com uma fala mansa e poética. Poeta de ocasião, não importa.

 

Uma tonteira gostosa que desperta um sorriso agradável, aqueles que dão uma coceirinha na boca do estômago. É, pois é. Às vezes uma ligeira falta de ar, um rubor na face, uma respiração mais descompassada. Não é preciso nada muito complexo. Coisa simples sabe: o importante é a lembrança, os gestos simples.

 

Quero acalanto. Quero esperança. Quero jogo de palavras e palavras jogadas no canto da sala, uma taça de vinho e o mistério de um olhar próximo, direto, quieto.

 

Estou aqui esperando aquela história prometida. Quem sabe? Inocência, impaciência, indolência. Não quero saber se é isso ou aquilo. Só quero sentir o que me faz bem, o que me faz voar e ser livre como o vento. O que me faz menina singela, Lolita por instantes.

 

Por favor, sente-se ao meu lado e pegue uma xícara de café. Vamos falar sobre os tempos de infância ou sobre qualquer coisa que você queira. É muito gostosinha essa proximidade inventada com palavras curtas. Hora de esticar a prosa. Vai ser bom.

 

Conte-me um segredo. Vamos criar elos misteriosos e perigosos de trocadilhos e eufemismos para os desejos contidos pelo espaço. Um lapso, mas um fato a espera de readaptação. Sejamos objetivos.

 

Porém, contudo, no entanto, todavia queria mais proximidade. Um pouco mais de toque, pele com pele, um cheiro inesperado ou simplesmente um abraço apertado. Mas deixa isso pra lá. Depois que os verbos acabarem e os versos esgotarem suas rimas cheias de predicados. Um tanto difícil porque é infinitamente irresistível largar esse vício prolixo.

 

Chegue mais perto. Não tenha medo. Seja apenas inconsequente e insensato, tudo com muito tato. Delicado. Malicioso. Encantado. Poético. Safado. Quero acalanto. Só um tanto, por enquanto, cubra-me de palavras, de prosas e histórias. Aceito tudo obediente e ofegante, por hora.

Bom dia por quê? Por que esta alegria contagiante? Qual a necessidade de mostrar os dentes? Coisa mais pedante e desnecessária, sem falar que é desgastante o ato de simpatia gratuita. Ser simpático cansa, dói o maxilar ficar sorrindo pra tanta gente. Por favor, deixem-me em paz com meu mau humor, meu vício, minha cafeína diária é essencial para me manter lúcida.

 

Essas questões ordinárias de rapapés criam rugas na minha testa e eu não quero perder meu mau humor com isso. Nada como acordar sisudo, mudo e com cara de poucos amigos. Aquele olhar de indiferença para o dia que está nascendo é uma técnica maravilhosa de manter pessoas chatas bem longe de você.

 

Já tentou conversar com alguém assim pela manhã? Um soco na boca do estômago, um despertar magnífico para a realidade. Como se tivesse uma placa no peito: Não se aproxime. Cão bravo! Melhor segurança para o seu sossego matinal. Muito maçante ficar conversando pela manhã. Não tem necessidade de gastar as palavras assim de imediato.

 

Não venha com o papo de quem é mal humorado é infeliz. Bobagem, manifestação calamitosa do desconhecido. A diferença é um estado de conscientização aguda do real. Nada de felicidade espontânea, coisa para bobos e apresentadores de televisão.

 

O meu mundinho tem espaço delimitado. Não ultrapasse a linha do bom senso e da sua segurança pessoal. Eu mordo e sou feliz assim. Dou risada quando quero, quando acho necessário e engraçado. Fora isso não me incomode com demonstrações públicas de bom humor organizacional.

 

Não me entenda mal. Eu não sou mal educada. Apenas não vejo lógica em sorrir para um desconhecido. E se ele for um serial killer? Matarei minha consciência de culpa quando ele ficar de bom humor ao cortar meu corpo em pedacinhos? Por isso prefiro meus lábios fechados. Cautela. Prudência senhores.

 

Bom humor é algo que se adquiri com o passar das horas ou não. Agora acordar com ele de livre e espontânea vontade, saltitante e serelepe não faz sentido. Melhor você ficar aí e eu aqui e mudos de preferência. Também não sorria para mim.

 

Essas argumentações acaloradas e cheias de sorrisos não servem para mim. Meu mau humor é saudável, questão de sobrevivência e preservação da espécie. Chega até ser engraçado. Pelo menos eu divirto meus amigos com minha antipatia. Quer coisa mais simpática que isso?

sexy

A sensualidade nunca pode ser confundida com vulgaridade. A mulher pode ser sexy sem se expor ao ridículo. Ser charmosa incentiva a auto-estima, promovendo segurança e o bem-estar. Conhecer seus pontos fortes e saber usá-los pode tornar o relacionamento interpessoal muito mais caliente. Enfim, o segredo é ser uma biscate elegante!

Engana-se a mulher que acha que colocar a bunda pra fora ou então transformar os próprios seios em dois holofotes é o ápice da sensualidade. Isso não só vulgariza como também abre um precedente enorme para que os homens tratem as mulheres como um objeto fútil e sem valor.

Óbvio que mostrar a bunda para qualquer um e a toda hora é um direito seu. Só não cobre ser tratada como uma lady depois. Não sou moralista ou beata de igreja, mas para cada tipo de comportamento existe um tipo de resposta, reações e conclusões.

Não pense que desfilar com um shorts com a metade do glúteo aparecendo e colocar um top de oncinha vai fazer você ser comparada a Angelina Jolie (eterna diva *_*). Mesmo porque isso é vulgar e está muito longe de ser considerado sensual.

A sensualidade não está na super exposição do corpo, mas sim em gestos, olhares, caras e bocas e sim, muita inteligência para saber fazer isso na hora certa, com a pessoa certa, no local certo. Ter noção desse “timing” faz toda a diferença entre ser uma mulher confiante nas questões de comportamento relativo a sexualidade.

Muito me entristece ver a meninas de hoje totalmente vulgarizadas, empobrecidas e emburrecidas com conceitos distorcidos sobre sexo, sedução e relacionamento homem/mulher. A grande maioria possui um ego fraco escondido atrás de uma persona emocionalmente instável que frente a qualquer palhaço se desrespeita.

Se hoje os homens tratam boa parte das mulheres como se fossem meretrizes filhinhas de papai, parte da culpa é da classe feminina que não se valoriza, não impõe limites e confundem liberdade sexual com libertinagem.

Se a sociedade hoje ainda é muito machista, a culpa também é das mulheres que criam homens com mentes limitadas, acostumados a enxergarem as mulheres como objetos acéfalos. Concordo que realmente algumas o são, mas não se pode generalizar.

O cenário só irá ser modificado quando as mulheres de fato começarem a usar o cérebro como mais um item de conquista, charme e sedução. A embalagem é importante, não vou ser hipócrita, mas saber usar a imagem com charme faz toda diferença na exploração da libido.

Realmente ter sexy appeal não é para qualquer uma. Até porque mesmo para ser uma biscate conceituada é preciso ter elegância. O mercado anda muito concorrido e marketing pessoal é fundamental para a valorização do produto.

Paninho sujo

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Às vezes não consigo entender porque determinadas pessoas importam em demasia. Elas não têm nada de especial ou acrescentam alguma magia especial na vida. Muito pelo contrário: muitas vezes só aborrecem, desgastam, irritam.

 

Mas com o passar das horas estão ali, incomodando, desviando a atenção, direcionando os esforços. Alguma boa alma poderia me explicar tal razão sem razão? Isso não tem propósito. Argumentações inválidas e sem sentindo algum.

 

Poderia colocar a culpa nas relações políticas internacionais ou no aquecimento global. Mas não posso enganar a minha consciência neurótica. São questões que estão além das normas, da burocracia e do perceptível ao olho nu. Como tudo que não tem explicação a priori, eu poderia dizer. É necessário perder a eloqüência para compreender determinados resultados.

 

A ciência está muito longe de explicar esses achismos proféticos da personalidade humana. Contudo posso dizer que é comparável ao paninho sujo. Maltrapilho, velho, rasgado, gasto e sem utilidade. Mas nas horas desesperadas é ele o protagonista de segundo escalão que não conseguimos descartar.

 

Fica ali naquele cantinho escuro amontoado com várias coisas inúteis. Só percebemos na hora da faxina e ao invés de se livrar de vez daquele bendito paninho sujo dobramos ele mais um pouquinho e entocamos no fundo daquele armário ou gaveta.

 

E de quem é a culpa? Minha? Sua? Nossa? Tenho o poder nas mãos como um Nero em fúria de acabar com toda a glória majestosa da vaidade soberana, mas recuo diante do poder da ausência com que me importar.

 

Como uma droga que vicia naquele ciclo de dependência senil e absoluto, o paninho sujo fica ali entocado na vida ocupando espaço. A gente sabe que é uma porcaria, mas tem apego! Mas só em pensar que amanhã ele não poderá estar mais ali causa aflição, formigamento e uma náusea irracional do que poderia ter sido e o que foi desprezado pelas convicções mascaradas de auto-afirmação de uma egolatria velada.

 

Não é uma necessidade. É um desejo causado por uma carência interna por falta de percepção e da construção de uma realidade sólida. Pura substituição afetiva que super valoriza o ser comum e coloca a própria existência na base da cadeia alimentar.

 

Acho que a melhor coisa neste momento é comprar um paninho novo. Não adianta lavar o sujo. Ele é resistente a água ficando sempre encardido. Porém, o mais engraçado de tudo é que com o tempo o paninho novo será o novo paninho sujo. Ironias da vida.

complicado

A gente gosta de complicar tudo. A coisa mais simples do universo em questão de segundos se torna uma fórmula complexa de ações, reações e achismos. Não adianta dizer não. As coisas são assim: complicadas!

 

O homem é a espécie mais esquisita que existe. Nada supera as idiossincrasias de cada um. Bicho estranho, bipolar, mimado, orgulhoso, teimoso, vaidoso. Não é exagero. É sério. Difícil convivência passiva e uniforme.

 

Acho que as coisas não deveriam ser assim. Tudo devia girar em torno da naturalidade, da simplicidade e do respeito à existência mútua. Sem contos de fadas e jogos distorcidos de palavras e realidades enfeitadas com política de boa vizinhança.

 

Mas não é assim e ponto. Às vezes uma simples palavra dita no momento errado, do jeito errado é o suficiente para uma avalanche de acontecimentos catastróficos. Ou então aquilo que foi proferido não é bem interpretado e sofre com as distorções do ruído ou até mesmo a maledicência alheia.

 

Julgar, analisar, criticar, repensar, considerar, enfim, qual atitude correta e coerente? Qual desses verbos trará alguma solução para as aflições corriqueiras e crises interpessoais? Talvez nenhum. Talvez não exista um verbo de ação a ser aplicado, apenas a imobilidade dos gestos.

 

Sim, o silêncio das palavras e o descansar das emoções. Os sentimentos quando são conflitantes devem ficar isolados, calados, solitários até que se tornem uníssonos de novo com naturalidade, simplicidade.

 

Ah sim. Tem a lógica: clara e transparente, porém não muito consciente para alguns. Muito se perde em colocações, suposições e eufemismos de caráter. Nada muito lógico e coeso e, portanto, tudo um desequilíbrio amargo daquilo que poderia não ter sido.

 

Mesmo assim, mesmo por atos, fatos e incongruências oratórias o sentimento é o mesmo, só que agora com uma noção nítida das diferenças de percepções, uma consciência pura das interjeições e a certeza pulsante da não retenção de impasses e joguetes. É tudo muito complicado!

 

*Publicado em 23/10/2009

Déjà Vu

deja

Deixe ir embora. Não fique prolongando uma situação por mimos e insegurança. Deixe seguir o fluxo natural. Esta é a lei, o ciclo de ação e reação, de passagens e aprendizados. Nada pertence permanentemente a alguém. É só temporário.

 

Algumas vezes dura anos, outras meses e às vezes basta somente alguns segundos. Mas é um espaço de tempo, sem donos e propriedades. Elimine o pensamento oligárquico. Chega de chibatas e controle absoluto. Vamos optar pela liberdade. As escolhas se tornam muito mais prazerosas.

 

Encare a vida como se fosse um aluguel de apê barato (às vezes nem tanto!) de um quarto, sala, banheiro e cozinha. Seu espaço, suas coisas. Um dia tudo muda, as plantinhas morrem e os peixinhos também. As mudanças são constantes e o vai e vem de pessoas passa a ser algo comum e sempre transitório.

 

Pratique o mantra do desapego, das ideias geniais e das atitudes simples. Mas sempre nesta ordem. O mundo complexo você deixa para as telas de cinema. A sua vida tem que ser simples e não simplória. Diferença de palavras. A diversidade de pensamento faz diferença.

 

Não seja mesquinho, avarento, mimado, egoísta. Enfim, não seja um idiota. Dê a carta de alforria para os seus desejos e não se prenda a nada e muito menos a alguém. Prender é um verbo inglorioso.

 

Já a palavra estar ligada é sublime porque é uma afinidade natural, um elo inquestionável de um ser para outro. Sem cobranças ou prisões.

 

Respire, transpire, inspire livre como o ar, inabalável como o vento. Isso não são devaneios ou sonhos adolescentes. Muito menos discursos simpatizantes. Eu não sou simpática e não faço a menor questão de sê-lo. São apenas verdades incontestáveis que um dia aprendi.

 

Deixe ir embora. Não chore ou lamente a partida. O tempo se esgotou e o que sobrou foram lembranças doces e faceiras. Guarde-as com carinho, mas não tente aprisionar o momento. Deixe ele partir. Se for estabelecido um elo tenha certeza que haverá um déjà vu.

 

*Publicado em 16/10/2009

caos

Pulsar. Tontura. Enfim, o estado de torpor.

 

Estranho seria se não houvesse um retorno, mas esta não é a realidade da vida: uma ação, uma reação, uma conseqüência lógica ou aglomerações insanas de dúvidas e castigos de personalidades.

 

O impacto às vezes é muito profundo, inegável sentimento de realidade alternativa. Mas não é. É só abrir os olhos e ver que tudo sempre esteve ali a minha disposição: conceitos e fatos. Era só olhar e aceitar essa disposição em preto e branco. A dor existe porque nos iludimos com verdades que fabricamos.

 

Muito forte a presença do real. Irônico, diria! Neste canto do mundo a espera de uma sensação real e ordinária, simples e selvagem. Apenas algumas atitudes e nunca certas palavras. O original afinal existe e caminha em ziguezague pelas avenidas.

 

Pulsar. Tontura. Enfim, o despertar.

 

Incrível choque do sim e do não, contestando o conhecimento, as lógicas adquiridas, as emoções repaginadas. Pura agressão na boca do estômago, revirando o óbvio e revelando o que já estava ali escondido ou esquecido.

 

Agora eu vejo onde errei e me perdi nas pequenas distorções do inconsciente. Não nas palavras e nas rimas, mas na elaboração de oratórias vazias, descrente de sua eficácia. Pendi mais para discursos prolixos e uma inércia de ações, aplicações e execuções sumárias.

 

Tudo me parece tão simples agora, como um caminhar a grandes passos em linha reta. As confusões estão latentes a priori, mas logo elas se acalmarão, reduzindo seus estados a murmurinhos descompassados.

 

Pulsar. Tontura. Enfim, a aceitação.

 

O contato com a realidade é irrevogável e não existem argumentações contrárias. Não quero mais fugir do absoluto do caos. Isso nada mais é do que a conclusão de um roteiro, uma constatação dos paradigmas existenciais.

 

Comprovação do natural e selvagem sem máscaras e eufemismos. O pulsar do confronto. Coragem e transmutação. Sorria, esta é uma oportunidade única, um estado de graça da agressão polida e bem comportada.

 

*Publicado em 09/10/2009

tired

Estou cansada de etiquetas, recomendações, indicações, sugestões. Não quero saber de mais nada. Chega de enfeites. Estou em busca da simplicidade completa. Aquela que me faz esquecer da pequenez das pessoas.

 

Não quero ser tolerante nem muito menos faço questão de ser simpática. Quero estar com minhas emoções verdadeiras e não ser mais uma atração neste picadeiro social. Diplomacia zero. Chega de falsos revolucionários. Cansei de muitas palavras, de gritar no silêncio e não obter respostas.

 

A delicadeza será colocada de lado. Nada de rapapés para os hipócritas e papagaios de pirata. Estou farta dessa fabricação em série de alienados, soldadinhos de chumbo acéfalos da modernidade caótica e capitalista.

 

Simplesmente chega. Tudo está me dando náuseas. Não foi isso que sonhei, idealizei para o meu mundo. Bando de covardes e ladrões de galinhas. Uma promiscuidade descarada, escancarada bem em frente as nossas janelas.

 

Não vou mais lidar com esse bando de hipócritas. Não quero saber dos seus discursos vazios de argumentos e cheios de terceiras intenções. Não quero fazer parte desse espetáculo de horrores. Minha alma sairá intacta dessa podridão de valores distorcidos e conceitos fabricados em série para emburrecimento coletivo.

 

Quero a simplicidade de dizer não, de não fazer a coreografia e de não dançar dentro do ritmo. Seguirei contra a corrente. Isso parece até um deboche. Antigamente o movimento da contra-cultura ia contra o padrões tradicionais e conservadores. E hoje, vai contra o que?

 

Hoje em dia não é mais cool ser subversivo e estar fora dos conceitos quadrados vendidos pela TV é um crime sem perdão.

 

Queria tanto ver a verdade estampada na cara das pessoas, sentir os gestos simples, sem interesses obscuros e sádicos. Como seria bonito olhar nos olhos e não sentir vergonha pela atitude alheia, pela corrupção dos sentidos.

 

Acho que sou uma ideologista que ainda sonha que um dia as pessoas olharão no espelho e verão as rachaduras de suas almas sem melindres, sem querer passar pancakes e corretivos nas suas falhas morais.

 

Estou cansada de sonhar sozinha. E por hora para mim chega de etiquetas. Não pegarei nas mãos inundas de ninguém nem muito mesmo sorrirei para a cortesia.

 

*Publicado em 02/10/2009

Life

O engraçado da vida são as lamentações. Nada mais curioso e muitas vezes tedioso ver pessoas se lamentando por isso ou por aquilo. Tudo é motivo para tristezas e infelicidade infinita. Motivos para choros e lágrimas incontáveis rodam o universo.

 

Hilário demais. Cômico. Uma atração de circo. As pessoas não sabem o que falam e nem vivem o suficiente para saber o que são tragédias.

 

Vamos aprender a viver, a olhar em volta e sentir o sol batendo no rosto ou então o toque suave do vento nos cabelos. Sorria para o espelho e veja como se é bonito mesmo com aquele nariz torto e olhos esbugalhados.

 

A beleza está na forma que vemos e não nos conceitos pré-fabricados de beleza estereotipada. Simplesmente olhe além do óbvio.

 

As coisas são como são. Para de arrumar explicações para determinados fatos. Eles são estranhos e pronto. Não dá para entender a lógica (?) humana. As ações produzem reações em cadeia e a percepção alheia não é baseada nos seus valores.

 

Não haja de forma carrancuda e depressiva. Viva. Sinta. Beije. Faça sexo enlouquecidamente. Não se agarre a pudores. Siga o seu desejo, condicione o seu comportamento a sua vontade e ignore os sermões dominicais.

 

Se você achar que nada disso funciona ligue o somo e comece a dançar. Deixe-se levar pelos acordes da música, vá girando, trocando passos com as sensações, interagindo com as emoções e respire calmamente. Sonhe, projete-se para suas realizações.

 

Só não fique parado lamentando, chorando, emburrecendo. Critique com propriedade, enalteça valores e despreze a ignorância. Dois mais dois pode ser cinco e não enche mais o saco com lógicas idiotas. Aprecie a diversidade de opiniões: elas são lindas poesias.

 

O essencial é que não importa as aparências, a embalagem que recobre o produto ou uma ideia: viver é bom demais!

 

*Publicado em 25/09/2009

romantic

Disseram-me que ando muito romântica e digo com todas as letras que o romantismo não tem nada a ver com o amor, mas sim com a falta dele. Sim, pois quem está com seu coração repleto e pleno não fala sobre bobagens açucaradas nem escreve poemas melosos. Simplesmente doa todo esse sentimento ao ser amado.

 

Aquele que não pode se doar faz isso. Escreve meia dúzia de palavras botininhas, com rimas cafonas e uma grande dose de drama, praticamente uma carta de suicídio poético para preencher essa lacuna amorosa.

 

Não estou sendo rude. Mal comecei a dissertar. Estou descrevendo a vida como ela é: sem eufemismos, metáforas ou qualquer outra coisa que queira chamar. Só não acho errado colocar a verdade de forma transparente.

 

Prestem atenção. Quem ama desesperadamente e tem seu amor correspondido não tem tempo para mostrar ao mundo toda essa imensidão de sentimentos. Obviamente irá despejar tudo isso no objeto (?) de seu afeto porque afinal, ele é todo o motivo para tamanha extravasão de sentidos.

 

Já aqueles que amam sozinho são poetas depressivos que adoram um texto molhado com lágrimas de sangue e declarações autodestrutivas para chamar atenção. Nada como um verso “quando olhares para trás não me encontrarás ali” para alimentar sua auto-estima fragilizada.

 

Portanto, esses também não falam de amor. Falam da saudade, da ausência, da dor de seguir sozinho com seus sonhos destruídos de felicidade.

 

Agora reparem naqueles que não possuem um amor ou uma neurose (às vezes as pessoas cismam que estão apaixonadas). Esses vivem sua vida a falar de amor, a escrever canções delirantes, suspirantes, ávidas por um amor qualquer.

 

O poeta vive de sonhos e de desejos irrealizados. Não existe a literatura dos plenos e convictos. As incertezas caminham junto com o questionamento, com aqueles que não se contentam com o óbvio e o monótono.

 

O romantismo está nas mãos dos escritores desalmados, sem pudores e clichês de classe média. Eles conseguem sentir toda a intenção, o sarcasmo e palavrear pleonasmos carinhosos. Algo meio subversivo, irritante e um pouco irônico.

 

*Publicado em 18/09/2009

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